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Surto de Ébola no Congo e Uganda já matou mais de 200 pessoas e é o pior registado nesta fase, alerta CDC África

todayJunho 19, 2026 7

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Dakar, 19 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O surto de ébola que afecta a República Democrática do Congo e o Uganda já provocou mais de 200 mortes no primeiro mês, sendo classificado como o pior surto alguma vez registado nesta fase inicial, segundo as autoridades.

Dados do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC África) referem que há até 35 mil potenciais contactos suspeitos, ampliando significativamente o risco de contágio.

Segundo o médico epidemiologista do CDC África, Wessam Mankoula, o surto atual, com 894 casos confirmados até ao momento, é três vezes mais grave do que um surto anterior registado no Uganda em 2000, que tinha 281 casos na mesma fase.

O número atual de casos é considerado mais elevado porque o surto só foi confirmado a 15 de maio, várias semanas depois de se suspeitar do seu início.

Segundo Mankoula, o número de casos aumentou 38 por cento na última semana, estando já presente em 32 zonas de saúde no leste da República Democrática do Congo.

O surto é causado pelo vírus Bundibugyo, uma estirpe rara do ébola para a qual não existem vacinas ou tratamentos aprovados, e que não foi inicialmente testada nos primeiros dias da epidemia.

A estirpe mais comum, o vírus Zaire, para a qual existe vacina, foi responsável pela maioria dos 16 surtos anteriores registados na República Democrática do Congo.

Até agora, 74 doentes recuperaram da doença no leste do Congo e no Uganda. Estão a ser desenvolvidos tratamentos experimentais, como anticorpos monoclonais, especificamente para a estirpe Bundibugyo.

O surto está concentrado na província oriental congolesa de Ituri, que concentra mais de 90 por cento dos casos.

Foram também registados casos nas províncias do Kivu Norte e do Kivu Sul, com propagação transfronteiriça para o Uganda, onde já foram confirmados 19 casos e duas mortes.

Segundo Mankoula, o rastreio de contactos continua a ser um problema devido ao isolamento da região e à insegurança persistente na província de Ituri.

“Para estes 800 casos confirmados, deveríamos ter entre 17 mil a 35 mil contactos na nossa lista”, afirmou o responsável, adiantando que apenas cerca de quatro mil contactos foram, até agora, identificados e estão a ser avaliados – menos de 15 por cento do total estimado.

“Estamos ainda longe de controlar a situação deste surto”, alertou.

De acordo com o gabinete humanitário das Nações Unidas, cerca de um milhão de pessoas foram deslocadas devido a anos de conflito na província de Ituri, o que dificulta ainda mais o rastreio de contactos, numa região vasta, com florestas densas, más condições de estradas e aldeias remotas que podem demorar dias a alcançar.

O rastreio é também complicado pela movimentação constante de milhares de mineiros que circulam entre locais remotos nesta região rica em recursos minerais.

Dos mais de 900 milhões de dólares norte-americanos prometidos para combater o surto, apenas 90 milhões foram efetivamente disponibilizados até ao momento, segundo Mankoula, complicando ainda mais a resposta à crise em curso.

O CDC África estima necessitar de 540 profissionais para combater o surto, dispondo atualmente apenas de 84.

“Estamos de dedos cruzados para que os novos compromissos sejam acelerados, e vamos continuar a acompanhar os diferentes Estados-membros e parceiros quanto ao cumprimento desses compromissos, transformando as promessas em fundos efetivamente disponibilizados aos países afetados e aos parceiros no terreno”, concluiu Mankoula.

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Escrito por RafaFM

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