Ouvir RAFA Ritmo, Voz e Coração de Timor
Díli, 18 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu declarou esta quinta-feira que as forças israelitas permanecerão no sul do Líbano “enquanto as necessidades de segurança de Israel o exigirem”.
A postura do líder israelita colide diretamente com as exigências do Irão e ameaça fragilizar o acordo de paz assinado com os Estados Unidos.
Netanyahu, numa das suas primeiras declarações desde a assinatura do memorando de entendimento EUA-Irão na madrugada de quarta-feira, reiterou que Israel “deve manter uma zona de segurança no sul do Líbano”.
As suas tropas ocupam uma faixa de até 10 quilómetros a partir da fronteira libanesa.
Em resposta, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, foi claro na sua interpretação do acordo.
“O fim da guerra no Líbano é uma parte inseparável do fim completo do conflito. Terminar a guerra inclui também terminar a ocupação.”
Araghchi acrescentou que “qualquer ataque militar de Israel contra o Líbano a partir deste momento, bem como qualquer continuação da ocupação do território libanês, será considerado por nós como uma violação do memorando de entendimento.”
Um responsável norte-americano, falando sob anonimato, disse que o acordo não prevê explicitamente a retirada israelita.
Contudo, dois responsáveis regionais com conhecimento direto das negociações disseram à AP que o memorando exigiria que Israel abandonasse quase todo o território que ocupa no Líbano, exceto alguns pontos estratégicos ao longo da fronteira.
O texto do memorando não foi tornado público, e as partes têm apresentado interpretações contraditórias do seu conteúdo – uma ambiguidade que alimenta a tensão no terreno.
A agência noticiosa estatal libanesa reportou esta quinta-feira vários ataques de drones israelitas no sul do país, incluindo um na localidade de Kfar Tebnit que causou uma morte e um ferido grave.
Na cidade costeira de Tiro, outrora destino de verão, o quadro de destruição é extenso. Residentes que regressaram esta semana encontraram edifícios arrasados, apartamentos com paredes e janelas destruídas pelas ondas de choque, e bairros inteiros reduzidos a escombros.
Muitos disseram à AP que a esperança gerada pelo acordo se mistura com um profundo ceticismo – os vários cessar-fogos anunciados ao longo dos meses nunca chegaram a parar os combates.
Mais de 100 dias após a escalada das hostilidades no Líbano, a 2 de março, 247 crianças foram mortas e 992 ficaram feridas – uma média de 12 crianças mortas ou mutiladas por dia, segundo dados divulgados esta quarta-feira pela UNICEF.
“Durante mais de três meses, as crianças no Líbano viveram experiências que nenhuma criança deveria alguma vez suportar”, disse o representante da UNICEF no Líbano, Marcoluigi Corsi, num comunicado emitido na sequência do anúncio do memorando de entendimento EUA-Irão.
“Esperamos que este cessar-fogo seja efetivamente um cessar-fogo real, porque desde a declaração do anterior, a violência contra as crianças e o conflito não pararam realmente.”
A destruição alargada marcou grandes partes do país, afetando habitações, escolas e serviços essenciais, incluindo sistemas de água, saneamento e higiene, agravando as já severas necessidades humanitárias.
Corsi recordou um encontro com uma adolescente num hospital apoiado pela UNICEF: o seu pai e três irmãos morreram num ataque como “dano colateral”, deixando a mãe viva e a rapariga em coma.
“Para além dos mortos e mutilados, uma geração inteira de crianças viu a sua infância destruída”, disse Corsi.
“O seu sentido de segurança – que toda a criança necessita para crescer e prosperar – permanece profundamente abalado.”
O apelo humanitário para o Líbano em 2026 está apenas 32,7 por cento financiado, com cerca de 209,6 milhões de dólares recebidos dos 639,9 milhões solicitados.
Trump já disse aos jornalistas que não estava “satisfeito com a forma como Israel se tem comportado no Líbano e com o Hezbollah”, acrescentando:
“Parece não ter fim. E quando isso acontece, lança uma sombra negativa sobre o grande acordo.”
O conflito já causou quase 3.900 mortos no Líbano, segundo autoridades libanesas, e deslocou mais de um milhão de pessoas.
Do lado israelita, morreram cerca de 30 soldados e um civil, segundo o gabinete de Netanyahu.
O Hezbollah, que não é parte do acordo EUA-Irão, afirmou estar comprometido com a resistência e exige a retirada total das forças israelitas – posição que o movimento nunca abandonou desde o início das hostilidades em março.
O acordo entre Washington e Teerão prevê a reabertura do Estreito de Ormuz e um período de 60 dias de negociações para concretizar um acordo mais permanente sobre o programa nuclear iraniano.
A questão do Líbano permanece, porém, a principal ameaça à sua sobrevivência.
FIM
Escrito por RafaFM
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
Copyright Rafa.tl - Desenvolvido por Justweb.pt