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Washington, 17 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O Departamento de Estado norte-americano anunciou estar a tentar facilitar a deslocação da mãe do guarda-redes de Cabo Verde, Vozinha, aos Estados Unidos, depois de o jogador de 40 anos ter protagonizado uma das atuações mais marcantes da primeira semana do Mundial 2026.
Vozinha, que se tornou o jogador mais mediatizado do mundial até agora fez sete defesas que travaram a Espanha e geraram uma onda de solidariedade global que transformou o veterano cabo-verdiano numa das figuras mais populares do torneio.
Vozinha esteve em grande plano no jogo disputado em Atlanta na terça-feira (hora de Timor-Leste), defendendo sete remates e impedindo a seleção espanhola, recheada de estrelas, de marcar num empate surpreendente a zero que frustrou a equipa campeã europeia apesar de esta ter dominado largamente a posse de bola e desferido 27 remates ao longo dos 90 minutos.
Com 40 anos e 12 dias de vida, Vozinha tornou-se também o jogador mais velho a atuar no jogo de estreia de uma seleção numa fase final do Campeonato do Mundo.
O guarda-redes do Chaves, clube da segunda divisão portuguesa, avaliado em apenas 40.000 euros, fechou a baliza a sete remates enquadrados da Espanha, num desempenho que as plataformas de estatística classificaram com nota 8.8, a melhor em campo.
Quando o apito final soou, Vozinha dobrou-se junto à baliza e chorou antes de ser abraçado pelos companheiros de equipa.
A dimensão humana da história emergiu quando o guarda-redes abordou a ausência da mãe nas declarações pós-jogo.
Vozinha revelou que a mãe não conseguiu estar presente por não ter dinheiro suficiente para pagar a caução exigida pelo visto.
“Ela não conseguiu estar aqui por causa do visto… o dinheiro que temos de pagar pelo visto. Não conseguimos a tempo, e gostaria que ela estivesse aqui”, afirmou.
Cabo Verde é um dos 50 países cujos cidadãos são obrigados pela administração Trump a pagar uma caução de até 15.000 dólares, em resultado de alegadas elevadas taxas de permanência irregular nos Estados Unidos.
A administração norte-americana suspendeu o requisito no mês passado para detentores de bilhetes provenientes de Cabo Verde e de outros quatro países participantes no Mundial, mas críticos consideraram que a medida chegou tarde demais para muitos adeptos.
Um responsável do Departamento de Estado afirmou que o organismo não tem registo de qualquer pedido de visto desta cidadã e que todos os familiares diretos de jogadores têm direito a isenção da caução, acrescentando que o departamento está ativamente a contactar a família para prestar assistência consular.
Uma fonte próxima do processo revelou que a mãe de Vozinha não dispõe atualmente de passaporte válido e está em processo de obtenção do documento.
O verdadeiro nome do guarda-redes é Josimar José Évora Dias, mas poucos o conhecem assim.
“A alcunha ficou por causa dos meus avós”, contou numa entrevista recente.
“Nunca vivi com os meus pais. Quando nasci, o meu pai estava no serviço militar e a minha mãe tinha de trabalhar muito, por isso cresci sempre com os meus avós.”
Foi nesse ambiente, na cidade de Mindelo, que o rapaz ganhou o nome pelo qual o mundo inteiro o conhece hoje.
A atuação de Atlanta gerou um fenómeno nas redes sociais sem precedentes no torneio. Com o incentivo de um canal televisivo brasileiro, o perfil de Instagram do guarda-redes passou de cerca de 50.000 seguidores para mais de 11,1 milhões em apenas um dia.
A Espanha, segunda classificada no ranking mundial da FIFA atrás apenas da Argentina, dominou em todos os indicadores estatísticos – 27 a 6 em remates, 11 a 1 em cantos e 74% a 26% em posse de bola -, mas não encontrou resposta para o muro cabo-verdiano.
A entrada em campo do jovem Lamine Yamal ao minuto 70, juntamente com Dani Olmo e Nico Williams, também não foi suficiente para furar a defesa disciplinada de Cabo Verde.
A selecção cabo-verdiana defronta o Uruguai no próximo domingo, a partir das 18h00 (hora do leste dos EUA), em Miami, no segundo jogo do Grupo H.
A NTV/ETO Telco detém os direitos de transmissão do Mundial 2026 para Timor-Leste.
FIM
Escrito por RafaFM
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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