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Díli, 17 de junho de 2026 (RAFA.TL) – Quase metade das crianças do mundo está exposta simultaneamente a pelo menos três riscos climáticos, com Timor-Leste entre os países mais vulneráveis, segundo o Relatório de Risco Climático para a Infância 2026 (CCRR 2026) divulgado hoje pela UNICEF.
O relatório, o mais abrangente já publicado pela organização sobre este tema, analisa a exposição de crianças a oito grandes riscos climáticos em praticamente todos os países e territórios do mundo, incluindo os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS).
Pela primeira vez, os dados estão disponíveis a uma resolução de 100 metros para alguns riscos, e de 100 quilómetros quadrados para a generalidade dos países.
As cifras do relatório traçam um quadro de crescente urgência.
Quase todas as crianças do mundo – 2,3 mil milhões – estão expostas a pelo menos um risco climático.
Desse universo, 2 mil milhões enfrentam pelo menos dois riscos em simultâneo, 1,1 mil milhões pelo menos três, 364 milhões pelo menos quatro, 53 milhões pelo menos cinco, e mais de quatro milhões até seis riscos sobrepostos.
No que diz respeito a riscos específicos, o relatório quantifica: 1,8 mil milhões de crianças expostas a secas agrícolas e meteorológicas; 1,5 mil milhões a ondas de calor mais frequentes, prolongadas ou severas; 1,2 mil milhões a calor extremo.
Há 662 milhões expostas a tempestades tropicais; 337 milhões a cheias fluviais; 206 milhões a incêndios frequentes e severos; 123 milhões a tempestades de areia e poeira; e 33 milhões a cheias costeiras.
“A vida das crianças continua a ser perturbada pelo impacto das ondas de calor, incêndios, secas e inundações”, afirmou a diretora executiva da UNICEF, Catherine Russell.
“Metade das crianças do mundo vive agora com pelo menos três ameaças climáticas sobrepostas que moldam o seu quotidiano.”
Os dados do CCRR 2026 colocam Timor-Leste num quadrante de alta vulnerabilidade entre os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento.
A pontuação de exposição global do país é de 2,64 numa escala de 0 a 10, mas os valores por risco específico revelam a dimensão real das ameaças: seca com pontuação de 8,12 – uma das mais elevadas da região -, exposição a doenças de transmissão vectorial em 7,53, e vulnerabilidade em saúde de 6,87. A exposição a tempestades tropicais, a cheias fluviais e costeiras, a incêndios e a calor extremo completam o perfil de risco.
Na dimensão da vulnerabilidade estrutural, os dados são igualmente preocupantes. A pontuação de vulnerabilidade ao nível do saneamento e água é de 4,15, a de nutrição de 2,26, e a de pobreza infantil de 5,62.
A mortalidade de menores de cinco anos regista uma pontuação de 4,7, o que indica que mais de 97 crianças por cada mil nascimentos morrem antes de completar cinco anos.
No plano educativo, o relatório indica que apenas 13 por cento das crianças completam o ensino secundário inferior, e mais de 60 por cento das mulheres casaram-se ou viveram em união antes dos 18 anos. Mais de 85 por cento das crianças não têm acesso a serviços básicos de saneamento.
O relatório sublinha ainda que Timor-Leste regista exposição quase universal a tempestades tropicais – partilhando esta condição com países como Comoros, Haiti, Ilhas Salomão e Vanuatu -, o que significa que um único evento climático pode perturbar simultaneamente a totalidade do território nacional.
Com apenas um hospital central de referência e sistemas centralizados de água e energia, os danos numa única infraestrutura podem interromper os serviços de educação e saúde em todo o país.
O isolamento geográfico agrava este risco: após uma catástrofe, pode demorar dias ou semanas a chegar às populações afetadas com ajuda de emergência.
O relatório destaca igualmente que Timor-Leste foi declarado livre de malária, sendo este um dos raros indicadores positivos num contexto de risco climático generalizadamente elevado.
“Em Timor-Leste, os choques climáticos já estão a perturbar o acesso das crianças à educação, cuidados de saúde, água e alimentação em todo o país. Sem nenhuma área poupada, as crianças enfrentam riscos crescentes que exigem acção urgente”, afirmou a representante da UNICEF em Timor-Leste, Patrizia DiGiovanni.
“Temos de agir agora para reduzir as emissões, reforçar os serviços resilientes, preparar os jovens para moldarem o seu futuro e garantir que as crianças têm pleno acesso aos seus direitos.”
A UNICEF Timor-Leste e o Centro de Satélites das Nações Unidas estão a desenvolver em parceria o Índice de Risco Climático para a Infância na Gestão do Risco de Desastres (CCRI-DRM), um instrumento de análise adaptado ao contexto nacional, a divulgar nas próximas semanas.
O índice identificará onde vivem as crianças em maior risco, que ameaças enfrentam e quais os fatores estruturais de vulnerabilidade por sector, com o objetivo de apoiar políticas climáticas centradas na infância e reforçar a preparação para emergências a nível nacional.
Perante o agravamento dos riscos, a UNICEF apelou a governos, empresas e outros agentes para que atuem em três frentes, incluindo a redução urgente das emissões de gases com efeito de estufa, incluindo a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis e uma transição justa para energias renováveis.
Devem igualmente ser promovida a proteção das crianças através de adaptação climática inclusiva, com serviços resistentes aos choques, sistemas de alerta precoce eficazes e planos de gestão do risco de desastres centrados na infância e o investimento na educação climática e na participação ativa de jovens nas decisões que afetam as suas vidas.
Sem acção urgente para reduzir as emissões e investir na adaptação climática, os riscos tornar-se-ão mais frequentes e severos, colocando uma pressão crescente sobre os sistemas de proteção social e ameaçando o bem-estar das crianças em todo o mundo, conclui o relatório.
FIM
Escrito por RafaFM
alerta UNICEF Metade das crianças do mundo enfrenta três ou mais riscos climáticos sobrepostos Timor-Leste entre países mais vulneráveis
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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