Desporto

Irão empata com Nova Zelândia em estreia carregada de tensão política no Mundial

todayJunho 16, 2026 13

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Inglewood, 16 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O Irão estreou-se no Campeonato do Mundo de 2026 com um empate a dois golos frente à Nova Zelândia, no SoFi Stadium em Inglewood, perto de Los Angeles, num jogo disputado num contexto político sem precedentes.

Enquanto centenas de iranianos-americanos protestavam do lado de fora do estádio, dentro do recinto milhares de adeptos assistiam a uma exibição de carácter e resiliência de uma equipa que duas vezes remontou desvantagens.

Elijah Just marcou cedo no início de cada parte da partida para a Nova Zelândia, mas o Irão respondeu em ambas as ocasiões, com Ramin Rezaeian a empatar na primeira parte e Mohammad Mohebbi a selar o 2-2 aos 64 minutos do segundo tempo, mantendo os All Whites sem qualquer vitória na história da competição.

A primeira parte foi equilibrada, com a Nova Zelândia a fazer uma entrada mais forte e a beneficiar do jogo de apoio de Chris Wood para criar perigo.

O capitão iraniano Mehdi Taremi acertou no poste antes de o Irão conseguir o empate.

A pressão iraniana acabou por ser recompensada quando Saman Ghoddos lançou Shahriyar Moghanloo, cujo remate foi bloqueado in extremis, mas a bola sobrou para Ramin Rezaeian, que reagiu mais depressa e empurrou para a baliza de perto.

Na segunda parte, a Nova Zelândia forçou uma perda de bola no meio-campo e converteu-a num contra-ataque finalizado por Just, que recebeu de Chris Wood pelo corredor direito e voltou a colocar a sua equipa em vantagem, aos 55 minutos.

A resposta iraniana foi imediata: Rezaeian serviu com um cruzamento tenso da direita e Mohebbi, completamente desmarcado na área, cabeceou com força para o poste esquerdo e para dentro da baliza, sem hipótese para o guarda-redes Max Crocombe.

A partida decorreu diante de uma bancada maioritariamente pró-iraniana, numa cidade que alberga a maior comunidade iraniana fora do Irão. Parte dos adeptos virou as costas ao relvado durante o hino nacional da seleção, mas quase todos apoiaram os jogadores assim que o jogo começou.

A participação do Irão no torneio foi marcada por condicionamentos logísticos impostos pelo conflito com os EUA: a equipa deslocou a sua base de treinos do Arizona para Tijuana, no México, e entra em território norte-americano apenas na véspera de cada jogo, regressando de seguida ao México.

Os protestos nos arredores do estádio marcam as profundas fraturas da maior diáspora iraniana fora do Irão.

O sul da Califórnia acolhe a maior comunidade iraniana fora do país, muitos dos quais chegaram após a Revolução Islâmica de 1979.

Do lado de fora do estádio, os manifestantes exibiam a bandeira pré-revolucionária com o leão e o sol, entretanto banida pela FIFA das bancadas – uma proibição confirmada por um tribunal horas antes do jogo, mas que não impediu adeptos de a hastear nas primeiras filas do interior do recinto. A tensão chegou ao ponto de um grupo de manifestantes arrancar uma bandeira oficial do Irão das mãos de um adepto, pisá-la e rasgá-la.

“Não é a minha equipa. É uma equipa do governo”, afirmou Rameileh Jaffrey, de 46 anos, residente em Los Angeles, que deixou o Irão há doze anos.

Do lado dos adeptos, a posição era outra.

“Estou aqui apenas para ver o desporto, não tem a ver com o regime”, disse Kia Keanh, que assistiu ao jogo com a família em t-shirts de apoio à seleção. “Estou aqui por um jogo do Mundial, para o desfrutar com a minha família.”

Alguns manifestantes optaram por entrar no estádio para se fazerem ouvir a partir das bancadas. Ella Bah, de 42 anos, levou roupa extra para dissimular a bandeira pré-revolucionária que enverga como se fosse um vestido. “Não estamos aqui para os apoiar”, disse. “Estamos aqui para ser a voz do povo dentro do Irão.”

O tema político também se projetou sobre as escolhas desportivas: o avançado Sardar Azmoun, uma das estrelas da seleção, foi alegadamente excluído da convocatória após uma publicação nas redes sociais que irritou as autoridades.

O capitão da equipa, Mehdi Taremi, procurou colocar-se acima da divisão. “Jogamos por todos os iranianos, seja na diáspora ou no Irão. As pessoas têm opiniões diferentes, mas estamos aqui para unir as pessoas e tentaremos trazer alegria a todos os iranianos onde quer que vivam”, disse numa conferência de imprensa no domingo.

Para Parsa Ezati, de 21 anos, que trouxe uma bandeira oficial do Irão para que os manifestantes a pisassem, a escolha dos símbolos é ela própria uma declaração política.

“Representa os ayatollahs que mataram tantos iranianos e massacraram pessoas da minha geração”, disse. “A FIFA só aceita esta bandeira no chão.”

A NTV/ETO Telco detém os direitos de transmissão do Mundial 2026 para Timor-Leste.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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