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Sistema bancário cresce 33% em ativos, mas spread entre juros ativos e passivos mantém-se em 9,8 pontos percentuais

todayJunho 15, 2026 22

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Díli, 15 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O sistema bancário de Timor-Leste expandiu os ativos totais em 33,4% em termos anuais, para 2.933 milhões de dólares em março de 2026, impulsionado sobretudo pelo crescimento da carteira de crédito, segundo o Banco Central de Timor-Leste.

Apesar disso, o setor continua a exibir um dos spreads de taxa de juro mais elevados da região – 9,8 pontos percentuais entre a taxa ativa média de 10,3% e a taxa de depósito de apenas 0,53% -, segundo o Boletim Económico do BCTL divulgado hoje.

A expansão dos ativos, face aos 2.198 milhões de março de 2025, foi liderada pelo crescimento dos empréstimos em 78,1%, dos outros ativos em 179%, dos ativos fixos em 40% e das colocações noutros bancos em 26,8%.

Em sentido contrário, os investimentos recuaram 64% e as colocações em bancos estrangeiros caíram 11,1%, embora estas últimas continuem a representar a maior fatia dos ativos totais, com 63,7%.

Os empréstimos e adiantamentos correspondem a 22% dos ativos, seguidos de caixa e saldos no BCTL (9,8%), investimentos (1,7%), ativos fixos (0,8%) e outros ativos (2%).

O rácio de crédito malparado (NPL) subiu ligeiramente para 2,7%, face a 2,3% em março de 2025, indiciando alguma pressão na qualidade da carteira, embora ainda em níveis considerados moderados.

O crédito ao sector privado manteve-se praticamente estagnado em termos trimestrais, em 661,4 milhões de dólares, com uma progressão anual de 9,9%.

A expansão foi protagonizada pela construção e pelo comércio e finanças, este último com crescimento anual de 52,6%.

Em termos de composição, os particulares e outros mutuários representam a maior quota do crédito total, com 48,4%, seguidos da construção (22,5%) e do comércio e finanças (22,1%).

Os transportes e comunicações absorvem 2,7%, o turismo e serviços 3% e a indústria e manufatura 1%.

A agricultura, silvicultura e recursos hídricos registou uma contração acentuada tanto em termos trimestrais como anuais.

A massa monetária ampla (M2) atingiu 1.326 milhões de dólares, com crescimento de 5% em termos trimestrais e de 14% em termos anuais, suportado pelo crédito líquido ao governo e pela expansão do crédito privado.

Os depósitos transferíveis aumentaram 6,7% em termos anuais, para 587 milhões de dólares, enquanto os depósitos a prazo e poupança registaram crescimento mais robusto, de 21% em termos anuais e 15% em termos trimestrais.

A base monetária expandiu 5% em termos anuais, para 280 milhões de dólares, apesar de uma contração de 3% face ao trimestre anterior.

Nos ativos externos líquidos (NFA), o sistema bancário registou uma queda de 4,9% em termos trimestrais, para 2.118 milhões de dólares, pressionado pelo recuo de 2,1% nos créditos sobre não-residentes e pela subida abrupta de 20,8% nos passivos externos. Em termos anuais, os NFA cresceram 6,9%, sustentados por posições externas mais sólidas tanto no banco central como nas outras sociedades de depósito.

Os resultados líquidos consolidados do sistema bancário cresceram 19% em termos anuais, para 12,9 milhões de dólares, impulsionados por aumentos de 71,5% nas receitas de juros, de 63,2% nas receitas não-financeiras e de 98,7% nas receitas extraordinárias.

Contudo, as despesas totais aumentaram 137,9%, com as despesas não-financeiras a disparar 348,6%, as despesas operacionais a subirem 107,4%, as provisões de imposto sobre o rendimento a avançarem 38,5% e as despesas extraordinárias a crescerem 54,2%, erodindo uma parte significativa dos ganhos.

No plano das finanças públicas, o primeiro trimestre de 2026 revelou uma assimetria pronunciada entre receitas e despesas.

O Estado cobrou apenas 46,8 milhões de dólares em receitas domésticas – maioritariamente através do imposto sobre o rendimento, com 38,1 milhões -, enquanto a despesa atingiu 282,9 milhões de dólares, com uma taxa de execução de 11,6% excluindo obrigações.

As transferências públicas dominaram a estrutura de gastos, com 144,7 milhões de dólares, equivalentes a 51,2% da despesa total e com uma taxa de execução de 16,1%.

Os salários e vencimentos absorveram 104,4 milhões (36,9% do total), com a taxa de execução mais elevada, de 21,5%.

Os bens e serviços representaram 25,4 milhões (execução de 4,5%) e o investimento de capital apenas 8,4 milhões, com uma taxa de execução de 1,8% – o valor mais baixo, sublinhando a concentração da despesa pública em rubricas correntes em detrimento do investimento de desenvolvimento.

FIM

Escrito por RafaFM

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