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Díli, 15 de junho de 2026 (RAFA.TL) – As reservas internacionais líquidas de Timor-Leste encerraram o primeiro trimestre de 2026 em 712,5 milhões de dólares, uma queda de 11,6% face aos 806,4 milhões registados em dezembro de 2025, segundo o Banco Central de Timor-Leste (BCTL).
O relatório trimestral do regular, divulgado hoje, considera que apesar da queda, as reservas são ainda assim suficientes para financiar aproximadamente 13 meses de importações de bens – muito acima do limiar mínimo de três meses de cobertura recomendado internacionalmente,
O Boletim Económico trimestral do BCTL nota que o valor permanece acima dos 699,6 milhões registados em março de 2025, sinalizando que, apesar da contração trimestral, a posição de liquidez externa do país se mantém sólida em termos anuais.
A redução da cobertura de 15 para 13 meses face ao trimestre anterior reflete uma moderação das reservas, sem comprometer, porém, o conforto da posição externa.
No plano cambial, a Taxa de Câmbio Efetiva Real (REER) depreciou 1,3% em termos homólogos em março de 2026, num movimento impulsionado pela deflação doméstica de 1,8% e por uma depreciação nominal da Taxa de Câmbio Efetiva Nominal (NEER) da mesma magnitude.
O BCTL assinala que uma REER mais baixa torna os bens produzidos internamente relativamente mais baratos face aos dos parceiros comerciais, melhorando teoricamente a competitividade das exportações – embora o impacto prático seja limitado, dado que o café, principal produto de exportação timorense, é cotado nos mercados internacionais.
A balança corrente registou um défice de 201,1 milhões de dólares no primeiro trimestre, uma melhoria face aos 246,8 milhões de défice no trimestre anterior, mas uma deterioração significativa face aos 158 milhões de défice apurados no mesmo período de 2025.
O agravamento anual deveu-se sobretudo à deterioração da balança comercial – combinação de importações mais elevadas e exportações de bens mais baixas – a que se somou o colapso das exportações de petróleo e gás.
A conta de bens, incluindo o sector petrolífero, registou um défice de 156,2 milhões de dólares, uma melhoria de 30,9% face aos 226,1 milhões de dezembro de 2025, mas um agravamento de 13,3% em termos anuais.
As exportações de bens contraíram-se de forma acentuada, para 11,7 milhões de dólares, menos 76,7% face aos 50,4 milhões de março de 2025 e menos 37% face aos 18,7 milhões de dezembro de 2025.
As importações totalizaram 167,9 milhões de dólares, com descidas de 10,8% em termos anuais e de 31,4% face ao trimestre anterior.
A conta de serviços registou um défice de 22,6 milhões de dólares, uma melhoria substancial face ao défice de 84,8 milhões do trimestre precedente.
As exportações de serviços recuaram 21,4% em termos trimestrais, para 38,6 milhões de dólares, sobretudo por menores receitas de transportes, telecomunicações, viagens e outros serviços empresariais.
As importações de serviços contraíram-se mais acentuadamente, 54,3%, para 61,3 milhões de dólares, com descidas transversais em viagens, serviços financeiros, manutenção e reparação, transportes e outros.
O rendimento primário deteriorou-se de forma marcada, registando um défice de 74,5 milhões de dólares, em reversão abrupta face ao superavit de 35,9 milhões em dezembro de 2025.
O rendimento líquido de investimento colapsou 293,7%, para apenas 5,9 milhões de dólares, contra 136,2 milhões no trimestre anterior. Em contrapartida, o rendimento secundário registou um superavit de 52,3 milhões de dólares, impulsionado por entradas de transferências de 76,1 milhões de dólares, com crescimento de 33,8% em termos trimestrais e de 31,2% em termos anuais, enquanto as saídas recuaram para 23,8 milhões.
FIM
Escrito por RafaFM
6% mas mantêm cobertura de 13 meses de importações Reservas internacionais de Timor-Leste recuam 11
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