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Investigador considera que trabalhadores do Pacífico e de Timor-Leste ficam com maioria dos rendimentos, não a Austrália

todayJunho 15, 2026 486

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Díli, 15 de junho de 2026 (RAFA.TL) – Um investigador da Universidade Nacional Australiana contestou publicamente dados citados no Senado australiano, que referiam que a maior fatia dos rendimentos de trabalhadores sazonais ficava na própria Austrália.

Num artigo publicado online, Ryan Edwards referia-se a dados citados sobre o esquema Pacific Australia Labour Mobility (PALM), que integra trabalhadores de Timor-Leste e do Pacífico no mercado de trabalho australiano,

Em causa estão análises do Australia Institute distorceu as conclusões do seu próprio estudo ao alegar que entre 65% e 78% dos rendimentos líquidos dos trabalhadores ficam na Austrália.

Ryan Edwards, coautor do relatório de referência sobre o esquema, escreveu no Devpolicy Blog que “a figura do próprio relatório não é 65% a 78%, mas 42%”.

Edwards afirmou que o Australia Institute citou incorretamente o seu estudo numa submissão a um inquérito parlamentar, alegação que foi depois reproduzida noutros artigos, incluindo um que se apresentava como verificação factual.

A tabela 2 do relatório que Edwards coautorou, mostra que o trabalhador médio do PALM gasta cerca de 42% dos seus rendimentos líquidos no país de acolhimento: 41% no programa de curta duração e 48% no programa de longa duração.

Os restantes 58% ficam disponíveis para poupar ou enviar para casa.

O próprio relatório é explícito na página 48: “Mais de metade dos rendimentos dos trabalhadores são poupados, grande parte dos quais remitidos. De forma marcante, nos três esquemas, o trabalhador médio reporta gastar apenas 42% dos seus rendimentos mensalmente.”

Outros estudos confirmam esta ordem de grandeza.

A avaliação do Seasonal Worker Program de 2015-17 estimou os gastos na Austrália em cerca de 44%.

Um projeto de diários financeiros semanais de trabalhadores de longa duração do Fiji, recolhidos ao longo de doze meses em 2022-23, apontou para um valor ainda mais baixo, cerca de 30%, com 46% poupado e 23% enviado para casa como remessa regular.

Edwards especula que o Australia Institute poderá ter contabilizado deduções como despesas, ou assumido erroneamente que o dinheiro poupado era posteriormente gasto na Austrália.

“Seja qual for a razão, estão errados e são contrariados pela fonte que citam”, escreveu.

O investigador admite que parte do dinheiro não registado como gasto na Austrália pode ser utilizado no país nos últimos dias antes do regresso, nomeadamente na compra de bens para transportar para casa – uma realidade dificilmente captada pelos inquéritos.

Reconhece igualmente que as remessas são difíceis de medir com precisão: alguns trabalhadores enviam regularmente dinheiro a cada duas semanas, outros fazem envios pontuais para cobrir propinas escolares, funerais ou outros encargos familiares, utilizando bancos, operadores de transferência de dinheiro, carteiras móveis ou entregando dinheiro em mão a conhecidos que regressam ao país.

O tema ressurgiu numa audição do Senado australiano a 4 de junho, com uma troca de argumentos entre a ministra dos Negócios Estrangeiros Penny Wong e o senador dos Verdes David Shoebridge, na qual os dados do Australia Institute foram invocados para sustentar que o esquema PALM beneficia principalmente a economia australiana à custa dos trabalhadores oriundos do Pacífico e de Timor-Leste.

“O que sabemos é que pouco mais de 40% dos rendimentos dos trabalhadores PALM é gasto na Austrália enquanto o trabalhador está a trabalhar, e que a maioria restante fica disponível para eles e para as suas famílias sob a forma de remessas e poupanças.”

O esquema PALM, que permite a trabalhadores de países do Pacífico e de Timor-Leste trabalhar temporariamente na Austrália em sectores como a agricultura e a hotelaria, é uma fonte importante de remessas para as economias da região.

Para Timor-Leste, as transferências dos trabalhadores no exterior representam um contributo relevante para as finanças de muitas famílias. O debate sobre quem beneficia mais do esquema – a Austrália ou os países de origem – tem implicações diretas para as negociações sobre as condições do programa.

O artigo foi publicado pelo Devpolicy Blog do Centro de Política de Desenvolvimento da Universidade Nacional Australiana, com financiamento do Departamento de Negócios Estrangeiros e Comércio australiano.

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Escrito por RafaFM

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