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Díli, 15 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O anúncio do acordo entre os Estados Unidos e o Irão para pôr fim à guerra e reabrir o Estreito de Ormuz desencadeou domingo uma onda de reações internacionais de alívio, apesar de indicações de que este é apenas o primeiro passo no processo.
ONU, UE, Reino Unido, Alemanha, Austrália, Espanha e Nova Zelândia saúdam o entendimento, mas repetiram-se apelos generalizados a que o entendimento se converta numa paz duradoura e de exigências sobre o programa nuclear iraniano.
O acordo, mediado pelo Paquistão com apoio do Qatar, prevê o fim permanente das operações militares em todas as frentes e a reabertura imediata do estreito, aguardando assinatura marcada para sexta-feira na Suíça.
As negociações sobre o programa nuclear ficam para uma segunda fase de 60 dias.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, saudou o acordo, instando “todas as partes no conflito no Médio Oriente a cumprir as suas obrigações ao abrigo do direito internacional e a respeitar os termos do cessar-fogo, de modo a abrir caminho para uma paz duradoura e abrangente na região”.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, considerou que o acordo trouxe “a redução de tensão tão necessária” e afirmou que negociações seguintes são “cruciais”.
O chanceler alemão Friedrich Merz agradeceu ao Paquistão pelos esforços de mediação considerando que “o objetivo agora é negociar um fim duradouro para a guerra”.
“Estamos em estreita coordenação com os nossos parceiros”, disse.
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer considerou que o acordo “trará um momento de alívio para a região e para o mundo”, apelando a que seja convertido “numa paz duradoura e à reabertura do Estreito de Ormuz”.
O chefe do executivo espanhol, Pedro Sánchez, um dos europeus mais críticos da guerra, saudou o entendimento, mas avisou: “O alívio momentâneo não nos deve fazer esquecer o caos, a destruição e as vidas perdidas.”
O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, classificou o cessar-fogo como “um desenvolvimento muito positivo” que “nos move para um acordo de paz – para a população civil, para a região e para Israel – mas também para a nossa economia.”
O primeiro-ministro australiano Anthony Albanese saudou o acordo, mas condicionou a avaliação à exigência de que Teerão responda às “preocupações há muito existentes” sobre o programa nuclear iraniano.
“Encorajamos todas as partes a aproveitar esta oportunidade para prosseguir uma paz duradoura através do diálogo e da diplomacia”, afirmou. Albanese advertiu que a reabertura do Estreito de Ormuz levará tempo, sublinhando que a “contenção e o empenhamento construtivo serão essenciais para evitar nova escalada”.
A Austrália havia já aprovado um pacote de 10 mil milhões de dólares em segurança energética e de fertilizantes para fazer face à crise de abastecimento provocada pelo conflito.
A Nova Zelândia saudou igualmente o acordo, mas avisou que “há um trabalho importante e significativo a fazer nos próximos dias para assegurar um cessar-fogo duradouro”.
Israel, que não participou nas negociações, manteve-se na linha crítica.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu evitou comentar diretamente o acordo, tendo enviado uma mensagem de aniversário a Trump – que completou 80 anos no sábado – em que lhe desejou “força e vigor contínuos na liderança da América”.
O principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, criticou, entretanto, o ataque de Israel aos subúrbios sul de Beirute no próprio dia do anúncio do acordo, afirmando que demonstra que os Estados Unidos “não têm, ou a vontade, ou a capacidade de cumprir os seus compromissos”.
O primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, cuja mediação foi decisiva ao longo de meses, anunciou o acordo e declarou que “as duas partes declararam o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano”.
Sharif indicou que reuniões preparatórias separadas com cada parte decorrerão esta semana em Doha, antes da assinatura de sexta-feira.
O conflito teve início a 28 de fevereiro, com ataques norte-americanos e israelitas que mataram o líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
Um primeiro cessar-fogo, alcançado a 8 de abril com mediação paquistanesa, foi seguido de conversações em Islamabade que falharam, levando os EUA a impor um bloqueio naval ao Irão a partir de 13 de abril.
Após meses de negociações, o acordo anunciado domingo representa o entendimento mais abrangente até à data.
FIM
Escrito por RafaFM
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