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Suíços rejeitam proposta de limitar população a 10 milhões num referendo histórico

todayJunho 15, 2026 9

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Berna, 15 de junho de 2026 (RAFA.TL) – Cerca de 55% dos eleitores suíços rejeitaram domingo a proposta de limitar a população da Suíça a 10 milhões de habitantes, segundo resultados preliminares divulgados pelo governo federal, num referendo que chegou a ser apontado como potencialmente muito disputado.

A iniciativa, promovida pelo Partido do Povo Suíço – a força com mais assentos no Parlamento helvético -, previa que o governo fosse obrigado a tomar medidas para limitar esse limite populacional até 2050.

Se a população atingisse os 9,5 milhões antes dessa data, o executivo seria forçado a restringir o asilo, o reagrupamento familiar e as autorizações de residência, podendo ainda ter de revogar o acordo de livre circulação de pessoas com a União Europeia.

A participação situou-se em quase 59%, com resultados ainda em apuramento em vários dos 26 cantões suíços. Em Genebra, segunda maior cidade do país, cerca de dois terços dos eleitores votaram contra.

A proposta foi apelidada de “Brexit suíço” por ameaçar os laços profundos que a Suíça – não sendo membro da UE mas rodeada por quatro países do bloco – mantém com Bruxelas através de acordos que sustentam o crescimento económico, os laços culturais e a livre circulação.

O governo federal, o Parlamento e a EconomieSuisse, principal associação empresarial do país, opuseram-se à iniciativa.

O Partido do Povo Suíço argumentou que o aumento demográfico acelerado tem pressionado as infraestruturas, a habitação, os programas sociais, os recursos naturais e o modo de vida helvético.

As vozes dividiram-se. Maria Lalu, antiga trabalhadora de missão diplomática originária das Filipinas que chegou à Suíça no início dos anos 1980, disse ter apoiado a proposta.

“Nada tenho contra a imigração. Eu também sou estrangeira”, afirmou após votar, acrescentando que pretende que a imigração seja mais ordenada.

Já a professora Natascha Robert votou contra, manifestando preocupação com o impacto que a aprovação poderia ter nas relações com a UE. “Acho que as pessoas têm sempre algo para nos trazer”, disse. “O facto de haver mais estrangeiros faz-me sentir menos suíça? Sinceramente, não.”

A democracia direta suíça permite aos cidadãos pronunciarem-se sobre políticas através de referendos realizados habitualmente quatro vezes por ano.

A maioria dos votos é depositada por correio, tendo a votação presencial encerrado ao meio-dia local.

Desde que a Suíça e a UE facilitaram a circulação de cidadãos em 2002, a população helvética cresceu 23%, atingindo os 9,1 milhões no final de 2025.

O produto interno bruto cresceu 24% no mesmo período, segundo dados governamentais.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico registou em 2024 uma população estrangeira de 32% na Suíça – percentagem apenas superada pelo Luxemburgo e pela Austrália entre os 38 países membros.

Os eleitores suíços debruçaram-se repetidamente sobre a imigração ao longo das últimas cinco décadas.

Apenas uma iniciativa deste tipo – “Contra a imigração em massa”, em 2014 – passou por margem estreita. Nenhum país votou alguma vez para limitar a sua própria população, segundo especialistas suíços.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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