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Díli, 15 de junho de 2026 (RAFA.TL) – Os Estados Unidos e o Irão chegaram a acordo para pôr fim à guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, anunciaram as duas partes e o Paquistão, principal mediador do processo, mais de três meses após o início do conflito que abalou a economia mundial.
A cerimónia oficial de assinatura está marcada para dia 19, quinta-feira, na Suíça.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, declarou que “as duas partes declararam o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano”.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, saudou o entendimento nas redes sociais – “Parabéns a todos!” – e anunciou a reabertura do Estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio naval imposto pelos EUA, embora tenha precisado de seguida que a medida só entraria em vigor após a assinatura de sexta-feira.
O vice-presidente JD Vance indicou que poderá estar presente na cerimónia, não excluindo a presença do próprio Trump.
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, confirmou o acordo em televisão estatal, mas sublinhou que o Irão não iniciará a sua implementação antes da assinatura. Teerão indicou que o texto será tornado público após essa data.
O memorando de entendimento – designado “Acordo de Islamabad” – estabelece 60 dias de cessar-fogo em todas as frentes a partir do momento da assinatura, a reabertura imediata do Estreito de Ormuz sem cobrança de taxas de passagem, e a garantia de livre circulação de energia e mercadorias.
O tráfego marítimo deverá regressar aos níveis anteriores ao conflito 30 dias após a assinatura.
O acordo contempla ainda o levantamento do bloqueio norte-americano aos portos iranianos e um alívio parcial das sanções impostas ao Irão, embora esse levantamento não seja imediato nem automático, dependendo da evolução do acordo e da continuação do envolvimento de boa-fé por parte de Teerão.
O Irão fica igualmente com a responsabilidade de iniciar a remoção rápida das minas marítimas colocadas no Estreito de Ormuz.
As negociações mais alargadas sobre o programa nuclear iraniano – questão central do conflito – ficam remetidas para uma segunda fase, com um prazo de 60 dias, extensível em caso de necessidade.
O confronto teve início a 28 de fevereiro, com ataques norte-americanos e israelitas que mataram o líder supremo do Irão, o Ayatollah Ali Khamenei.
O seu filho assumiu o cargo, mas não se mostrou em público desde o início da guerra.
Um cessar-fogo foi alcançado a 7 de abril, quebrado dias depois pelo bloqueio naval norte-americano.
O Irão respondeu com mísseis e drones contra Israel e vários países do Golfo, e fechou o Estreito de Ormuz, com graves consequências para o mercado global de energia.
Israel, que não faz parte das negociações, tem resistido a qualquer acordo que inclua um cessar-fogo no Líbano, onde combate os militantes do Hezbollah apoiados pelo Irão.
O Paquistão anunciou o acordo horas depois de Israel ter atacado os subúrbios sul de Beirute. O vice-ministro iraniano aludiu às tensões geradas por essa acção, afirmando que “as forças armadas iranianas estavam totalmente preparadas para dar uma resposta decisiva”.
O Qatar atuou como mediador paralelo. Mediadores qataris saíram de Teerão após 17 horas de negociações, com reuniões preparatórias separadas a realizarem-se esta semana em Doha.
Sharif indicou que essas reuniões “lançarão as bases para conversações técnicas” antes da cerimónia de assinatura.
O Irão possui atualmente 440,9 quilogramas de urânio enriquecido até 60% de pureza – um passo técnico curto dos 90% necessários para nível de uso em armamento -, segundo a Agência Internacional de Energia Atómica.
Teerão mantém que o seu programa nuclear é pacífico. Os EUA chegaram a exigir a remoção desse urânio do território iraniano; a Rússia ofereceu-se para o receber. Trump afirmou noutras ocasiões preferir a sua destruição. Nenhuma dessas hipóteses foi resolvida neste acordo.
O porta-voz do secretário-geral das Nações Unidas classificou o entendimento como “um passo crítico para a resolução pacífica do conflito”.
Analistas alertam, contudo, que a crise energética global não será resolvida rapidamente. O presidente da petrolífera estatal dos Emirados Árabes Unidos, a ADNOC, afirmou que os fluxos normais de petróleo pelo Estreito de Ormuz poderão não ser totalmente retomados antes de 2027.
FIM
Escrito por RafaFM
assinatura marcada para sexta-feira na Suíça EUA e Irão anunciam acordo para pôr fim à guerra e reabrir Estreito de Ormuz
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