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Mortalidade em menores de cinco anos estagnada e apenas metade das mães tem consulta pós-parto nas primeiras 48 horas

todayJunho 13, 2026 13

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Díli, 13 de junho de 2026 (RAFA.TL) – A taxa de mortalidade de crianças com menos de cinco anos em Timor-Leste mantém-se em 41 mortes por cada 1.000 nascimentos vivos, sem melhoria desde 2016, segundo o Inquérito Demográfico e de Saúde de Timor-Leste (TLDHS) 2025-26.

O indicador tinha caído de forma substancial, de 64 mortes por 1.000 nascimentos vivos no período anterior a 2009-10 para 41 em 2016, mas não regista progresso adicional na última década.

A taxa de mortalidade neonatal, que mede as mortes no primeiro mês de vida, desceu de 22 para 16 por 1.000 nascimentos vivos no mesmo período, refere o estudo, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística de Timor-Leste (INETL, I.P.).

Já a mortalidade infantil, entre o nascimento e o primeiro aniversário, baixou de 45 para 30 por 1.000 entre 2009-10 e 2016, mas subiu ligeiramente para 32 por 1.000 em 2025-26.

Entre as mulheres que tiveram um parto nos dois anos anteriores ao inquérito, 88% receberam cuidados pré-natais de um profissional qualificado – médico, enfermeiro ou parteira -, uma percentagem estável desde 2009-10 (86%).

No entanto, apenas 71% tiveram pelo menos quatro consultas pré-natais, e 82% tomaram suplementos de ferro durante a gravidez.

A proteção contra o tétano neonatal regista uma tendência preocupante: a percentagem de mulheres cujo parto mais recente estava protegido contra tétano neonatal caiu de 78% em 2009-10 para 71% em 2016 e 60% em 2025-26.

A percentagem de partos assistidos por um profissional qualificado subiu de 33% em 2009-10 para 60% em 2016 e 78% em 2025-26. De forma semelhante, 72% dos partos nos dois anos anteriores ao inquérito ocorreram numa unidade de saúde.

Contudo, apenas 56% das mulheres com um parto nos dois anos anteriores ao inquérito receberam uma consulta pós-natal nas primeiras 48 horas após o parto – um período crítico, dado que uma grande proporção das mortes maternas e neonatais ocorre nas primeiras 48 horas.

As disparidades municipais são acentuadas. Lautem regista a maior percentagem de consultas pós-natais (79%), seguido de Covalima (77%) e Baucau (67%). No extremo oposto, Oecusse apresenta apenas 25%, e Atauro 40%.

Quanto ao parto assistido por profissional qualificado, Díli regista 97%, enquanto Ermera e Oecusse apresentam os valores mais baixos (58% cada).

O inquérito mediu também a prevalência de anemia em mulheres, usando pela primeira vez sangue venoso e os novos critérios da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 2024. Globalmente, 30% das mulheres entre os 15 e os 49 anos têm anemia – 20% em grau leve, 10% moderado e 1% severo.

Entre as mulheres grávidas, a prevalência sobe para 42%, com 25% em grau leve, 15% moderado e 2% severo. O nível médio de hemoglobina é de 12,3 g/dl entre as mulheres em geral, mas de apenas 11,0 g/dl entre as grávidas.

A anemia é mais elevada entre mulheres sem educação (36%) e no quintil de riqueza mais baixo (37%), e mais baixa entre mulheres com educação superior à secundária (30%) e no quintil mais alto (28%).

Por município, Bobonaro regista a maior prevalência (39%), seguido de Aileu (37%), enquanto Atauro apresenta o valor mais baixo (16%).

Devido à mudança de metodologia – uso de sangue venoso e novos pontos de corte da OMS -, o relatório sublinha que não é possível comparar estes valores com inquéritos anteriores.

O TLDHS 2025-26 foi conduzido entre 29 de setembro de 2025 e 31 de janeiro de 2026, com uma amostra de 12.880 agregados familiares, pelo INETL, em colaboração com o Ministério da Saúde e o Ministério das Finanças, com apoio técnico do Programa DHS da ICF e financiamento do Governo de Timor-Leste, UNFPA, UNICEF, DFAT da Austrália, Programa Mundial de Alimentação e Banco Mundial.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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