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Rupia indonésia cai para mínimos históricos e críticas a situação económica nacional

todayJunho 13, 2026 18

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Jacarta, 13 de junho de 2026 (RAFA.TL) – A rupia indonésia atingiu mínimos históricos face ao dólar norte-americano nas últimas semanas, num quadro de saída acentuada de capitais e de pressão crescente sobre as reservas externas do banco central.

Uma situação económica agravada pela subida dos preços da energia provocada pela guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, e que está a suscitar críticas à ação económica do Governo.

A rupia atingiu o seu nível mais fraco de sempre face ao dólar, ultrapassando a barreira psicológica das 18.000 unidades, ao chegar às 18.028 rupias por dólar, apesar dos esforços recentes do banco central para sustentar a moeda.

O choque energético provocado pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão tem colocado uma pressão significativa sobre as economias do Sudeste Asiático importadoras de energia, em particular a Indonésia e as Filipinas, contribuindo para a saída de capitais e o enfraquecimento das moedas.

De acordo com o Asia Times, as salvaguardas psicológicas e económicas da Indonésia “estilhaçaram-se” oficialmente em meados de maio, quando a rupia caiu para 17.513 por dólar, o nível mais fraco da história da moeda.

A mesma publicação nota que a depreciação acumulada de cerca de 5% desde o início do ano confirma que os instrumentos de estabilização há muito defendidos pelos decisores políticos estão a perder eficácia, num contexto de volatilidade global crescente, com saídas de capitais que atingiram 1,6 mil milhões de dólares apenas nas três primeiras semanas de janeiro.

A erosão das reservas internacionais é outro motivo de preocupação.

Segundo o Asia Times, em abril de 2026 as reservas cambiais caíram para 146,2 mil milhões de dólares, face a 148,2 mil milhões no mês anterior, marcando a quarta queda mensal consecutiva, impulsionada pelo pagamento de dívida e pelos custos crescentes da intervenção cambial.

Apesar de as reservas ainda cobrirem cerca de 5,8 meses de importações, a trajetória descendente sinaliza aos mercados que a capacidade de intervenção do banco central a longo prazo poderá estar a aproximar-se do limite.

O Bank Indonesia já implementou sete medidas de estabilização, incluindo intervenções através de títulos próprios (SRBI) e do mercado de contratos a prazo sem entrega física (NDF), mas estes esforços têm-se revelado insuficientes face à valorização global do dólar.

Analistas apontam problemas estruturais subjacentes à crise.

A queda excecionalmente acentuada da rupia nos últimos dois meses, quando a moeda rompeu a barreira das 17.000 unidades no início de abril, fez reviver na população memórias da crise financeira asiática de 1997-1998. Segundo a mesma análise, o colapso da moeda já não reflete apenas os fundamentos do poder de compra, mas sim um desequilíbrio de mercado impulsionado pelo pânico, pela fuga massiva de capitais e por uma escassez aguda de liquidez em dólares no mercado doméstico à vista.

A análise critica ainda a resposta do banco central. O Bank Indonesia ficou excessivamente confortável com a moderação da inflação doméstica, que caiu para 2,42% em abril de 2026, criando a impressão enganosa de que o aperto monetário não era urgente. O banco central manteve as taxas de juro de referência inalteradas durante sete meses consecutivos até abril de 2026, antes de finalmente as elevar, tendo previamente tentado estabilizar a rupia através de instrumentos não relacionados com as taxas de juro.

Face às críticas, o Presidente Prabowo Subianto procurou minimizar a situação.

O ministro das Finanças procurou, por seu lado, garantir aos mercados que a Indonésia não sofrerá uma repetição das consequências da crise financeira asiática de 1997, apesar do enfraquecimento da moeda. As declarações de Prabowo atraíram críticas tanto de economistas como de utilizadores das redes sociais.

A crise cambial surge no mesmo contexto que tem alimentado os recentes protestos estudantis em Jacarta contra o aumento dos preços dos combustíveis e contra as prioridades de despesa do governo.

FIM

Escrito por RafaFM

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