Ouvir RAFA Ritmo, Voz e Coração de Timor
São Paulo, Brasil, 12 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O Governo brasileiro anunciou na quinta-feira uma queda acentuada nas taxas de desmatamento, contrariando um dos argumentos utilizados pela administração de Donald Trump na semana passada para justificar a imposição de tarifas adicionais ao Brasil.
Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Ministério do Ambiente, o desmatamento na Amazónia em maio foi 61,4% inferior ao registado no mesmo mês de 2025.
Ainda assim, foram desmatados 370 quilómetros quadrados de floresta. No mesmo período, o desmatamento no Cerrado, savana no centro do Brasil sob pressão do sector agropecuário, caiu 12%.
O ministro do Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou que o valor é o mais baixo já registado para o mês de maio e que o Brasil está no caminho para alcançar os níveis anuais mais baixos de sempre, quando os dados forem consolidados no próximo semestre.
Segundo o ministro, maio marca tradicionalmente o início da estação seca na Amazónia, período em que o desmatamento costuma ser mais elevado. Entre agosto de 2025 e maio de 2026, o desmatamento na Amazónia já caiu 37,5% em comparação com o período homólogo anterior.
A 2 de junho, a administração Trump propôs tarifas de 25% sobre as importações provenientes do Brasil, alegando que a décima maior economia do mundo recorre a práticas comerciais “injustas” que “sobrecarregam ou restringem o comércio dos Estados Unidos”.
O anúncio surgiu após uma investigação do Gabinete do Representante Comercial dos Estados Unidos, que acusou o Brasil de desmatamento ilegal e de aplicar tarifas próprias consideradas injustas, entre outros pontos.
Capobianco afirmou que os números do desmatamento “desmentem a acusação injusta e infundada dos Estados Unidos, que citaram o desmatamento para justificar a imposição de tarifas”.
O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhou as declarações com aprovação.
Lula acusou a administração Trump de ter mentido quando impôs tarifas adicionais ao Brasil no ano passado, alegando um défice comercial dos Estados Unidos.
“E agora levantam questões sobre o desmatamento. Não compreendem o trabalho que estamos a fazer para reduzir o desmatamento a zero até 2030. Esta não é uma decisão de qualquer COP ou das Nações Unidas. É uma decisão do nosso Governo”, afirmou o Presidente brasileiro, referindo-se às conferências climáticas da ONU.
“É uma questão de justiça, da contribuição do Brasil para o planeta, do cumprimento da nossa obrigação de evitar o desmatamento na máxima medida possível. Prevenir o desmatamento beneficia o Brasil, beneficia a Amazónia e beneficia o mundo”, acrescentou.
O desmatamento é o principal fator responsável pelas emissões de gases com efeito de estufa do Brasil, que contribuem para o aquecimento global.
A Amazónia, a maior floresta tropical do mundo, desempenha um papel fundamental na regulação do clima muito além da América do Sul, alertando os cientistas que a perda de floresta pode acelerar o aquecimento global e perturbar a agricultura em regiões tão distantes como o centro-oeste dos Estados Unidos e partes da Europa.
Depois de ter atingido níveis recorde nas décadas de 1990 e 2000, o desmatamento diminuiu até ao mandato do antigo Presidente Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022, cujo Governo foi amplamente criticado por enfraquecer a proteção ambiental. Sob a administração de Lula, o desmatamento voltou a cair, tendo atingido o nível mais baixo da última década no ano passado.
Apesar dos progressos na preservação da floresta em pé, outras ameaças, desde as alterações climáticas a eventual legislação em preparação, continuam a colocar a Amazónia em risco.
A degradação florestal, impulsionada por incêndios, exploração madeireira e seca, afeta atualmente cerca de 40% da Amazónia e tem superado o desmatamento por corte total nos últimos anos. A situação pode agravar-se este ano devido a um El Niño de forte intensidade, fenómeno cíclico de aquecimento do Pacífico equatorial que provoca temperaturas mais elevadas e clima mais seco na floresta tropical, condições que potenciam os incêndios florestais.
FIM
Escrito por RafaFM
Brasil anuncia queda histórica do desmatamento na Amazónia e contesta acusações de Trump
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
Copyright Rafa.tl - Desenvolvido por Justweb.pt