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Genebra, 12 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O número de pessoas deslocadas à força em todo o mundo registou, no ano passado, a primeira queda em dez anos, à medida que aumentou o número de pessoas que optaram por regressar a casa, apesar de condições frequentemente inseguras e instáveis, anunciou a agência da ONU para os refugiados (ACNUR).
Segundo o relatório anual da agência, no final de 2025 havia 117,8 milhões de pessoas deslocadas à força em todo o mundo, menos 5,4 milhões do que no ano anterior.
O ACNUR sublinhou que o número de pessoas obrigadas a fugir devido à guerra, à violência e à perseguição se mantém “inaceitavelmente elevado”, apelando a uma acção que permita reduzir de forma significativa o deslocamento de longa duração na próxima década.
De acordo com o relatório, a descida do número global de deslocados está associada a “um aumento acentuado” no número de refugiados e de deslocados internos que regressaram às suas zonas de origem.
No total, 14,7 milhões de pessoas deslocadas regressaram aos locais de origem em 2025, incluindo 4,4 milhões de refugiados que atravessaram fronteiras de regresso aos respetivos países – o segundo maior número de retornos de refugiados desde que há registos, há 60 anos.
O alto-comissário da ONU para os Refugiados, Barham Salih, disse aos jornalistas em Genebra que “mais de 90 por cento” dos regressos de refugiados no último ano se concentraram no Afeganistão, no Sudão e na Síria.
No entanto, sublinhou que muitos desses regressos não ocorreram “em condições de segurança e estabilidade, mas sob pressão”, com pessoas a regressar a “países onde persiste a insegurança, onde as infraestruturas foram destruídas e onde os serviços básicos e as oportunidades económicas continuam escassos”.
“Regressos que não são seguros (…) não são uma solução”, afirmou Salih. “Correm o risco de se tornarem o início de um novo ciclo de deslocamento.”
Barham Salih, antigo Presidente do Iraque e ele próprio antigo refugiado, assumiu a liderança do ACNUR em janeiro deste ano, segundo informação anteriormente divulgada pela agência.
A ONU alertou ainda, no final de 2025, que o financiamento da ACNUR para 2026 atingia apenas 18 por cento das necessidades projetadas, num contexto de cortes generalizados na ajuda humanitária internacional.
No final de 2025, 41,6 milhões das pessoas deslocadas eram consideradas refugiados, incluindo cerca de 5,4 milhões de pessoas que, ao longo do ano, atravessaram fronteiras pela primeira vez para se tornarem refugiadas.
Segundo o relatório, 60 por cento desses novos refugiados fugiram de apenas oito países, com cerca de um milhão de pessoas a fugir do Sudão e quase 800 mil da Ucrânia.
O documento destaca ainda várias crises que têm gerado deslocações em massa desde o início deste ano, nomeadamente a guerra no Médio Oriente lançada pelos Estados Unidos e por Israel em fevereiro, que terá obrigado 3,2 milhões de pessoas a abandonar as suas casas só no Irão.
No Líbano, os ataques israelitas desde março deslocaram mais de um milhão de pessoas, segundo o ACNUR.
A agência da ONU sublinhou que os conflitos no Irão e no Líbano levaram muitos refugiados anteriormente acolhidos nestes países a regressar às suas terras de origem desde o início do ano – frequentemente em condições adversas -, nomeadamente para a Síria e o Afeganistão.
Reassentamento em queda acentuada
O ACNUR manifestou ainda preocupação com a redução do espaço disponível para o reassentamento de refugiados em países terceiros, estimando em 2,9 milhões o número de refugiados que necessitam de ser reassentados.
O número de vagas de reassentamento, que tinha atingido 188.800 em 2024 – o nível mais elevado em quatro décadas -, caiu para metade em 2025, fixando-se em apenas 81.800, com particular destaque para uma quebra acentuada no número de refugiados aceites pelos Estados Unidos.
“O fosso entre as vagas disponíveis e as necessidades é enorme e tem vindo a aumentar”, alertou a agência.
Barham Salih alertou também que o deslocamento forçado se tem tornado cada vez mais prolongado, durando frequentemente anos ou mesmo décadas: “actualmente, 70 por cento dos refugiados vivem em situações prolongadas”, afirmou, classificando esta tendência como insustentável.
O alto-comissário anunciou uma nova iniciativa que visa reduzir para metade, na próxima década, o número de refugiados em situação de deslocação de longa duração e de dependência da ajuda humanitária, através do desenvolvimento de oportunidades de regresso voluntário, reassentamento e vistos humanitários.
“A ajuda humanitária foi concebida para emergências. Nunca foi destinada a sustentar gerações de pessoas indefinidamente”, afirmou Salih, manifestando esperança de que os países adiram à iniciativa.
FIM
Escrito por RafaFM
8 milhões Número de deslocados à força no mundo recua pela primeira vez em dez anos para 117
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