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Suíça e França reforçam segurança para cimeira do G-7 com receio de protestos violentos

todayJunho 11, 2026 23

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Genebra, 11 de junho de 2026 (RAFA.TL) – As autoridades francesas e suíças vão impor restrições fronteiriças apertadas por ocasião da cimeira do G7 que junta o Presidente norte-americano, Donald Trump, e outros líderes mundiais a partir de segunda-feira, face ao receio de protestos violentos.

A cimeira, que decorre entre 15 e 17 de junho na localidade francesa de Evian-les-Bains, no Lago de Genebra, deverá abordar temas como o Médio Oriente, a Ucrânia e os desequilíbrios económicos globais.

Em Genebra, do lado suíço, empresários e responsáveis locais querem evitar uma repetição dos protestos violentos que, em 2003, durante a cimeira do G8 – então com a participação da Rússia -, provocaram destruição de montras e estabelecimentos comerciais.

Ativistas de vários movimentos, incluindo ambientalistas, feministas e grupos anticapitalistas, pretendem manifestar o seu descontentamento com a liderança de Trump em temas como as tarifas aduaneiras, a guerra no Irão, as alterações climáticas, e ainda recordar as anteriores ligações do Presidente norte-americano ao financeiro condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein.

Uma coligação de grupos anticapitalistas, designada “No G7”, apelou a uma “mobilização internacionalista em larga escala” contra a cimeira, acusando o G7 de planear “a destruição de povos, a exploração da vida e a dominação dos corpos”.

Vários estabelecimentos comerciais em Genebra – cidade que alberga numerosos organismos das Nações Unidas – têm vindo a proteger as montras com tapumes, enquanto instituições como a Organização Mundial do Comércio, que já tinha sido alvo de protestos anticapitalistas em Seattle nos anos 1990, decidiram encerrar temporariamente as instalações e recomendar aos funcionários que trabalhem remotamente.

A Suíça, apesar de ser um país rico do espaço alpino, não integra o G7, grupo composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.

Em antecipação, a França e Suíça assinaram um acordo de cooperação militar para garantir a segurança da cimeira.

Os líderes que chegarem à região passarão pelo aeroporto de Genebra, rodeado em 95% por território francês e ligado ao resto da Suíça por uma faixa de terra.

O governo suíço anunciou o destacamento de cerca de 4.000 militares para apoiar as forças policiais, com restrições ao espaço aéreo, patrulhas no Lago Genebra e cortes em estradas.

Apenas sete das 35 passagens fronteiriças rodoviárias permanecerão abertas. Genebra vai também encerrar um parque de grande dimensão que ativistas pretendiam ocupar.

Do lado francês, serão mobilizados mais de 13.000 elementos das forças policiais e da gendarmaria para garantir a segurança na zona da cimeira.

Mais de 800 agentes da fiscalização fronteiriça francesa estarão em funções, face aos cerca de 60 habituais.

França criou ainda licenças especiais para residentes de Evian-les-Bains – localidade conhecida pela água engarrafada com o mesmo nome – e da região envolvente, e isolou uma zona em torno do Hotel Royal, onde decorrerão as reuniões dos líderes.

Está prevista uma marcha autorizada no dia 14 de junho, mas quaisquer outras concentrações públicas não previamente agendadas estão proibidas.

Cedric Dupont, professor de relações internacionais no Instituto de Altos Estudos Internacionais e do Desenvolvimento de Genebra, considerou que as autoridades estão a “reagir de forma exagerada” com medidas de segurança que terão impacto na economia e na vida das populações, recordando as longas filas na fronteira durante a crise da Covid-19.

“Parece que não aprenderam a lição”, afirmou o académico, sublinhando que os manifestantes podem sempre chegar a Genebra a partir de outras regiões da Suíça.

“Está apenas a criar mais problemas do que aqueles que resolve”, acrescentou.

Mais de 110 mil trabalhadores transfronteiriços deslocam-se diariamente de França para Genebra, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, que aconselhou a população a adiar viagens não essenciais e a recorrer ao teletrabalho sempre que possível.

As travessias do lago por barco, habitualmente utilizadas por trabalhadores pendulares, foram desviadas de Evian-les-Bains para outros cais fora das zonas restritas.

As actividades recreativas na água continuarão autorizadas fora da área da cimeira, com o início da época estival.

O cantão de Genebra criou um fundo de seis milhões de francos suíços (cerca de 6,4 milhões de euros, à taxa de câmbio atual) destinado a apoiar empresas que sofram danos relacionados com eventuais protestos durante o G7.

“Não se pode excluir a possibilidade de distúrbios”, afirmaram as autoridades.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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