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Canadá oferece-se para acolher árbitro somali Omar Artan, impedido de entrar nos EUA antes do Mundial 2026

todayJunho 11, 2026 9

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Vancouver, 11 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O primeiro-ministro da Colúmbia Britânica, David Eby, declarou que a sua província receberia de braços abertos o árbitro somali Omar Artan, defendendo que este deveria poder arbitrar jogos do Mundial de 2026 em Vancouver, uma das cidades-sede canadianas da prova.

“O senhor Artan seria bem-vindo e celebrado na Colúmbia Britânica pelo que superou e por onde está hoje. Vamos deixar que arbitre em Vancouver”, escreveu Eby na rede social X.

Artan, de 34 anos, seria o primeiro árbitro da Somália a dirigir um Mundial, depois de ter integrado a lista final de árbitros da FIFA para o torneio.

Foi recrutado como árbitro FIFA em 2018 e tornou-se o primeiro somali a arbitrar na Taça das Nações Africanas, em janeiro de 2024, num jogo entre Tunísia e Namíbia. Em maio, dirigiu a segunda mão da final da Liga dos Campeões africana, em Marrocos, e foi distinguido como o melhor árbitro masculino de África em 2025, depois de já ter passado pelo Mundial de sub-20 do ano passado, no Chile.

No entanto, Artan foi impedido de entrar nos Estados Unidos no aeroporto de Miami, onde deveria juntar-se aos restantes árbitros do Mundial no centro de treinos, e acabou por ser retirado da lista de árbitros da FIFA para o torneio.

Trata -se de uma decisão sem precedentes na história recente do futebol por parte de um país anfitrião – o Mundial 2026 é organizado conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá.

As autoridades norte-americanos (CBP) afirmaram que Artan “foi considerado inadmissível por motivos de verificação e foi-lhe recusada a entrada”.

Um responsável norte-americano disse, sob anonimato, devido à confidencialidade prevista na legislação sobre vistos, que a recusa se deveu a uma “associação com suspeitos membros de organizações terroristas”.

A Somália é um dos cerca de 40 países cujos cidadãos estão abrangidos pelas restrições de imigração impostas pela administração Trump, e responsáveis somalis acreditam que Artan possa ter sido visado por essas medidas.

O Presidente Donald Trump tem feito declarações dirigidas contra imigrantes somalis nos Estados Unidos, pedindo-lhes que abandonem o país.

A FIFA afirmou não ter qualquer participação nos processos de imigração, sublinhando que, à semelhança de eventos anteriores, cabe ao governo anfitrião “determinar, em última instância, quem recebe visto e quem é admitido no seu território”.

Ainda assim, a decisão de um país anfitrião impedir a entrada de um árbitro nomeado pela FIFA é, segundo a AP, inédita. Nas redes sociais, adeptos manifestaram indignação com o caso, que se junta a outras decisões das autoridades de imigração norte-americanas que têm afetado a preparação de seleções visitantes, levando vários comentadores a questionar a capacidade dos EUA para acolher uma competição global.

À chegada a Mogadíscio, Artan foi recebido como herói por uma multidão no aeroporto na quarta-feira, tendo apelado aos jovens somalis para se manterem orgulhosos do seu país.

“Prometo, se Deus quiser, que estarei presente no próximo Mundial. Quero que o público somali fique tranquilo e mantenha a confiança”, afirmou.

À iniciativa de Eby juntou-se a presidente da câmara de Toronto, Olivia Chow, cuja cidade vai acolher seis jogos do Mundial, incluindo a estreia do Canadá frente à Bósnia-Herzegovina nesta sexta-feira.

“Recusar a entrada a Omar Artan, que conquistou o seu lugar no panorama mundial através de trabalho árduo e perseverança, não é correto. Toronto acredita na justiça, na inclusão e em dar ao talento a oportunidade de brilhar. Ele seria bem-vindo para arbitrar aqui na nossa cidade. Vou escrever à FIFA para a informar de que ele é bem-vindo para arbitrar aqui”, afirmou Chow, em comunicado.

Apesar do gesto político, todos os indicadores apontam para que Artan não consiga, de facto, dirigir qualquer um dos 13 jogos a decorrer em território canadiano, uma vez que a FIFA exige que todos os árbitros do torneio participem num período centralizado de preparação e treino em campo, na Florida, condição que Artan não pode cumprir sem entrar nos Estados Unidos.

O futebol mantém-se um dos desportos mais populares na Somália, tendo registado progressos notáveis nos últimos anos apesar dos recursos limitados, com a seleção nacional a aumentar a sua participação em competições regionais e internacionais.

Segundo a Federação Somali de Futebol, o país organiza anualmente 22 competições, entre campeonatos juvenis e regionais e a Liga Premier Somali, principal escalão nacional, com 12 clubes – competições que se mantiveram, de diversas formas, mesmo durante os períodos mais difíceis do país, com estádios danificados ou ocupados por grupos armados ou usados como bases militares.

A reabilitação do Estádio de Mogadíscio, com capacidade para cerca de 65 mil espectadores, e o regresso de grandes assistências aos jogos da liga têm-se tornado símbolos da recuperação gradual do país e do papel unificador que o futebol continua a desempenhar na sociedade somali.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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