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Díli, 05 junho 2026 (RAFA.TL) – A recém-criada Associação das Comunidades Luso-Asiáticas (APCA), sediada em Díli, quer consolidar-se como plataforma regional dedicada à preservação, estudo e promoção do património histórico, linguístico e cultural das comunidades de herança portuguesa espalhadas pela Ásia.
Criada por um grupo de voluntários de vários países, a APCA tem vindo recentemente a dar a conhecer o seu trabalhando, iniciando o processo de nomeação de membros honorários, incluindo o Primeiro-Ministro de Timor-Leste, Kay Rala Xanana Gusmão, a antiga embaixadora portuguesa Ana Gomes, o padre jesuíta João Felgueiras, o ex-secretário executivo da CPLP, Zacarias da Costa, e D. Duarte de Bragança
A APCA nasceu formalmente em junho de 2025, quando Timor-Leste acolheu a 4.ª edição da Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas (APCC), estando atualmente a desenvolver-se em Díli, ainda sem sede física, e avançando com o trabalho voluntários dos seus corpos sociais.
A conferência do ano passado culminou na assinatura da Declaração de Díli, que formalizou a criação da nova plataforma regional dedicada à cooperação cultural, preservação do património e partilha de conhecimento.
A APCA define-se como uma plataforma regional de cooperação cultural, académica e institucional, com quatro eixos estratégicos, incluindo a investigação historiográfica, antropológica, linguística e sociológica sobre as comunidades luso-asiáticas, segundo uma brochura da organização.
Pretende ainda fomentar a criação de um arquivo digital luso-asiático enquanto ferramenta de preservação e divulgação internacional, promover o diálogo intercultural e da cooperação institucional entre comunidades, organizações e países e transmitir este legado às gerações mais jovens através da educação patrimonial e de ferramentas digitais.
A missão da associação está alinhada com os princípios da UNESCO relativos à salvaguarda do património cultural imaterial e conta com o reconhecimento formal da CPLP, expresso na Declaração de Bissau aprovada na XV Conferência de Chefes de Estado e de Governo da organização, bem como com o apoio dos governos de Timor-Leste e de Portugal.
A APCA nasce também como resposta ao que diz ser uma urgência: a crescente fragilidade das comunidades que pretende representar.
Apesar da riqueza histórica e cultural acumulada ao longo de cinco séculos, muitas destas comunidades enfrentam o envelhecimento populacional, o declínio das línguas crioulas de base portuguesa e a dispersão das gerações mais jovens.
Em vários casos, os últimos falantes de antigos crioulos e os principais detentores das tradições locais pertencem já às gerações mais idosas, tornando urgente o trabalho de documentação e transmissão.
Entre as comunidades representadas figuram os “Casados” de Goa, os Burghers Portugueses do Sri Lanka, o Bairro Português de Malaca com a sua comunidade Kristang, os Mardijkers do Kampung Tugu em Jacarta, os Bayingyi de Myanmar, os Luso-Siameses de Kudichin na Tailândia, a comunidade macaense, os “Larantuqueiros” de Flores e Solor, e os Topasses do Oecusse, em Timor-Leste.
No essencial, os órgãos sociais da APC são compostos pelos líderes das comunidades em causa, mas envolvendo também alguns timorenses e portugueses baseados Timor-Leste.
O Primeiro-Ministro Kay Rala Xanana Gusmão foi nomeado membro honorário da APCA em reconhecimento da sua liderança excecional e do seu compromisso inabalável com a paz, a justiça e a construção nacional.
Enquanto apoiante das comunidades luso-asiáticas, Xanana reconheceu o valor cultural e humano de comunidades pequenas e frequentemente esquecidas, cujo património permanece profundamente ligado a séculos de história partilhada, e escolheu apoiar a sua visibilidade e reconhecimento internacional, garantindo que estas comunidades frágeis não ficam sem voz no mundo contemporâneo. O Primeiro-Ministro foi igualmente a testemunha formal da assinatura da Declaração de Díli e promotor institucional da iniciativa que deu origem à APCA. Na cerimônia, afirmou: “Independentemente daquilo que nos separa — sejam geografias, sistemas políticos, ideologias ou percursos históricos e culturais distintos — existe algo que nos une de forma singular: a nossa ancestralidade comum.”
A distinção atribuída à antiga embaixadora de Portugal na Indonésia evoca o papel determinante que desempenhou durante o referendo de 1999, quando a sua liderança diplomática contribuiu decisivamente para a independência de Timor-Leste.
Ana Gomes, que serviu como embaixadora portuguesa em Jacarta entre julho de 2000 e abril de 2003, granjeou amplo reconhecimento pelo seu papel na negociação da independência de Timor-Leste e no restabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a Indonésia.
Durante esse período, estendeu igualmente o seu apoio às comunidades de descendência portuguesa em Tugu e Flores, abraçando a sua causa e participando em iniciativas de salvaguarda e promoção deste rico património imaterial — trabalho que prossegue até hoje.
A APCA distinguiu ainda o Pe. João Felgueiras, reconhecendo a sua extraordinária dedicação à educação, ao diálogo inter-religioso, à justiça social e à construção da paz em Timor-Leste. Apoiante das comunidades luso-asiáticas, o sacerdote jesuíta prestou encorajamento e orientação à comunidade português-euroasiática de Malaca e aos organizadores da APCC, contribuindo para a transformação da conferência numa associação permanente.
Guiado pelo espírito jesuíta de serviço, conhecimento e preservação cultural, defendeu ao longo da vida a importância de salvaguardar a memória, as tradições e o legado humano destas comunidades.
Com sede em Díli, a APCA posiciona-se numa encruzilhada estratégica: Timor-Leste é o único país de língua portuguesa na Ásia e membro pleno da ASEAN, conferindo à associação uma plataforma única para o diálogo entre o mundo lusófono e o Sudeste Asiático.
A próxima edição da publicação institucional da APCA, intitulada Um Património Partilhado que Cruza Oceanos — O Legado Vivo das Comunidades Luso-Asiáticas, foi preparada para apresentação ao Escritório da UNESCO em Jacarta e ao Gabinete Regional de Ciências, reforçando as ambições internacionais da associação.
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Escrito por RafaFM
Associação regional sedeada em Díli quer promover e preservar herança luso-asiática
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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