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Myanmar exige que Timor-Leste cesse declarações sobre a situação interna do País

todayJunho 5, 2026 54

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Díli, 5 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O Ministério dos Negócios Estrangeiros da junta militar que governa Myanmar exigiu esta semana a Timor-Leste que se abstenha de fazer declarações que considera enganosas e lesivas para a imagem do país.

Em comunicado datado de 3 de junho, o Ministério birmanês manifestou pesar pelas declarações proferidas por pelo Presidente José Ramos-Horta no Diálogo Shangri-La, em Singapura, a 30 de maio, e na reunião do Instituto de Investigação Económica para a ASEAN e Ásia Oriental (ERIA), em Jacarta, a 2 de junho.

Myanmar classificou as intervenções do Presidente timorense como interferência nos assuntos internos do país e violação dos princípios fundamentais da Carta da ASEAN, nomeadamente os relativos à não-ingerência, soberania e integridade territorial dos Estados-membros.

“Tais comentários prejudicaram gravemente as relações bilaterais entre Myanmar e Timor-Leste e afetaram o espírito de unidade da ASEAN”, afirma o comunicado do Ministério birmanês.

O Ministério sublinhou que o processo de paz no país é “altamente complexo” devido a circunstâncias históricas e aos interesses políticos, étnicos e económicos de vários grupos armados, e reafirmou o compromisso do governo com a reconciliação nacional e a paz sustentável “através de um processo liderado e detido pelo Myanmar”.

Naypyidaw apelou ainda aos signatários e não-signatários do Acordo Nacional de Cessar-Fogo para participarem nas negociações de paz, e instou os membros da Força de Defesa Popular a regressarem ao quadro legal.

Em contraposição às afirmações de Ramos-Horta, o Ministério assegurou que a maior parte do território birmanês se mantém estável, com os problemas de segurança confinados a algumas zonas fronteiriças, e convidou partes interessadas a observar diretamente a situação no terreno.

Myanmar, por seu turno, encontra-se há vários anos à margem das instâncias da ASEAN após o golpe de Estado de fevereiro de 2021, que derrubou o governo eleito de Aung San Suu Kyi.

O presidente Min Aung Hlaing enfrenta um mandado de captura do Tribunal Penal Internacional relacionado com a perseguição da minoria muçulmana Rohingya.

FIM

Escrito por RafaFM

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