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Papa Leão XIV provoca fenómeno Viral com Encíclica que compara IA à Torre de Babel

todayJunho 3, 2026 11

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Vaticano, 3 de junho de 2026 (RAFA.TL) – A primeira encíclica do Papa Leão XIV, intitulada Magnifica Humanitas (Humanidade Magnífica), tornou-se um fenómeno das redes sociais após o pontífice americano exigir uma regulação robusta da inteligência artificial, comparando o seu avanço descontrolado à Torre de Babel e apelando ao seu “desarmamento”.

O documento de cerca de 42.300 palavras, divulgado na semana passada, gerou reações entusiásticas online, em particular entre jovens que dizem não encontrar nos líderes políticos uma resposta à altura dos riscos colocados pela IA.

“As pessoas têm estado mesmo à procura de uma resposta sobre a IA. Este foi o primeiro líder mundial – pelo menos na minha esfera – a fazer um anúncio desta magnitude”, afirmou Isabel Thurston, uma comediante de Boston de 27 anos, que publicou um vídeo a discutir a encíclica que acumulou mais de três milhões de visualizações no Instagram.

Leão XIV, o primeiro papa nascido nos Estados Unidos, tem demonstrado uma abertura à cultura contemporânea que os analistas consideram deliberada.

Na encíclica, o pontífice cita o feiticeiro Gandalf de O Senhor dos Anéis – obra do autor católico J.R.R. Tolkien – e defende que a Igreja não pode “considerar-se estranha às forças que moldam a sociedade.”

Robert Orsi, professor de estudos religiosos e história na Universidade Northwestern, considera que o documento “ressoa com a Declaração de Independência” americana, sendo “claramente escrito por um papa americano, com ênfase na liberdade individual, na felicidade e na dignidade humana.”

Orsi sublinha que a encíclica fala “com uma voz do Concílio Vaticano II ao mundo moderno – não uma voz de condenação, mas de respeito.”

Na encíclica, Leão XIV exorta todos os “homens e mulheres de boa vontade” a não terem medo de sujar as mãos no “estaleiro de construção do nosso tempo.”

O texto critica a lógica dos algoritmos, que “tendem a repetir o que ‘funciona'”, em contraste com a arte, que “abre o que é possível.”

O pontífice também gerou polémica ao classificar a doutrina da “guerra justa” como “ultrapassada”, argumentando que a humanidade dispõe de “ferramentas muito mais eficazes” para resolver conflitos, como o diálogo, a diplomacia e o perdão.

A posição valeu-lhe críticas de conservadores americanos, incluindo o vice-presidente JD Vance, convertido ao catolicismo.

A encíclica foi apresentada ao lado de Christopher Olah, cofundador da Anthropic – uma decisão que gerou reservas em alguns setores, embora o Vaticano a enquadre numa estratégia de uma década de diálogo com o Vale do Silício sobre o custo humano da IA.

A dimensão cultural do pontificado não se esgota nos documentos doutrinários.

Leão XIV foi fotografado com ténis Nike por baixo das vestes, recebeu no Vaticano realizadores e atores de Hollywood como Cate Blanchett e Spike Lee – que lhe ofereceu uma camisola dos New York Knicks personalizada – e não esconde a sua paixão pelos Chicago White Sox, posando regularmente com bonés e bastões de basebol.

Semanas antes da encíclica, um grupo de jovens em visita ao Vaticano convenceu o pontífice de 70 anos a reproduzir em câmara o gesto viral conhecido como “meme 6-7”, um fenómeno de cultura jovem online.

O papa repetiu o gesto uma semana depois, sorrindo, a partir do papamóvel.

Para Orsi, esta estratégia chega num momento crucial para a Igreja Católica, após anos de confronto com o legado de abusos sexuais do clero.

“Muitas pessoas que se afastaram da Igreja estão agora a dizer: ‘Espera, talvez a Igreja tenha mesmo algo a dizer ao mundo moderno'”, concluiu.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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