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Prémio para a liberdade de imprensa homenageia fotógrafos e operadores de câmara em Gaza

todayJunho 1, 2026 53

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Díli, 1 de junho de 2026 (RAFA.TL) – A Associação Mundial de Editores de Notícias (WAN-IFRA) entrega hoje em Marselha, França, o prémio “Caneta de Ouro” para a liberdade de imprensa aos fotojornalistas e operadores de câmara que trabalham na Faixa de Gaza.

O prémio surge quando o total de jornalistas mortos em Gaza desde outubro de 2023 já ultrapassa os 260, segundo o Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

Esse número de jornalistas mortos torna este o conflito mais mortífero para os media desde que há registos.

O prémio vai ser entregue na sessão de abertura do 77.º Congresso Mundial de Media de Notícias, que decorre no Palais du Pharo, em Marselha, e que reúne editores, diretores e executivos dos media de todo o mundo para debater as ideias, tecnologias e estratégias que estão a transformar o jornalismo.

“Durante mais de dois anos e meio, os jornalistas em Gaza registaram a morte, a destruição e o sofrimento humano em termos sem paralelo”, lê-se na citação do prémio. “São tanto vítimas do conflito como cronistas de uma guerra que eclodiu – e continua – à sua volta.”

O galardão vai ser entregue a representantes das três principais agências de notícias internacionais com jornalistas locais em Gaza – a Agence France-Presse (AFP), a Associated Press (AP) e a Reuters – cujas equipas continuam a assegurar uma cobertura consistente e profissional em condições extremamente difíceis.

O prémio reconhece igualmente os colegas feridos e mortos no exercício da sua função.

Os números acumulados desde o início da guerra são historicamente sem paralelo.

O CPJ documentou pelo menos 260 jornalistas mortos desde o início do conflito em outubro de 2023, tornando esta guerra a mais mortífera para os profissionais dos media de que há registo.

Pelo menos 75 foram diretamente visados e mortos pelas forças israelitas em represália pelo seu trabalho.

A RSF (Repórteres Sem Fronteiras) aponta para um total ligeiramente diferente mas igualmente alarmante.

Segundo a organização, mais de 220 jornalistas foram mortos em Gaza pelo exército israelita desde outubro de 2023, incluindo pelo menos 70 mortos enquanto exerciam ativamente o seu trabalho.

Ano após ano, o conflito tem batido os seus próprios recordes letais.

Em 2024, foram mortos pelo menos 124 jornalistas em todo o mundo, o ano mais mortífero desde que o CPJ iniciou a recolha de dados há mais de três décadas, superando o anterior recorde de 113 mortes em 2007, durante a guerra do Iraque.

Desse total, 82 estavam na Faixa de Gaza e três no Líbano.

Em 2025, o balanço voltou a ser recorde: 129 profissionais dos media mortos a nível mundial, com Israel responsável por dois em cada três casos.

A comparação histórica revela a escala singular do fenómeno.

Segundo o projeto “Custos da Guerra” da Universidade de Brown, mais jornalistas foram mortos em Gaza desde outubro de 2023 do que na Guerra Civil americana, nas duas Guerras Mundiais, na Guerra da Coreia, na Guerra do Vietname, nas guerras da ex-Jugoslávia e na guerra do Afeganistão após o 11 de setembro – em conjunto.

O CPJ descreve este como “o período mais mortífero para jornalistas alguma vez documentado”, identificando pelo menos 207 jornalistas e profissionais dos media palestinianos mortos em Gaza e pelo menos 32 casos de execuções deliberadas comprovadas em represália pelo trabalho jornalístico, advertindo que o verdadeiro número poderá ser significativamente mais elevado.

O impacto sobre a liberdade de imprensa vai muito além das mortes individuais.

O Índice Mundial de Liberdade de Imprensa 2026 da RSF, divulgado em abril, regista pela primeira vez em 25 anos que mais de metade dos países do mundo caem nas categorias “difícil” ou “muito grave” para a liberdade de imprensa. A pontuação média global nos 180 países avaliados nunca foi tão baixa, e menos de 1% da população mundial vive hoje num país com liberdade de imprensa considerada “boa”, em comparação com 20% em 2002.

O Supremo Tribunal israelita manteve a decisão de adiar a petição da Associação de Imprensa Estrangeira para acesso irrestrito a Gaza, tendo o governo israelita respondido em janeiro de 2026 que manteria a proibição de entrada de jornalistas estrangeiros, invocando “riscos de segurança”. A lei israelita que permite o encerramento de canais de notícias estrangeiros considerados prejudiciais à segurança nacional foi prolongada pelo parlamento israelita até 2027.

Como parte da cerimónia de entrega do prémio, a WAN-IFRA organiza uma exposição com fotografias galardoadas dos fotojornalistas que trabalham em Gaza, em colaboração entre a AFP, a AP e a Reuters.

Amanhã, terça-feira, o congresso inclui ainda a projeção especial do documentário “Inside Gaza”, seguida de debate sobre as lições para as redações de todo o mundo.

O documentário, realizado por Hélène Lam Trong, acompanha a equipa de jornalistas palestinianos da AFP na sequência dos ataques de 7 de outubro de 2023, quando o território foi encerrado à imprensa internacional, e oferece uma perspetiva rara e única sobre os desafios enfrentados pelos jornalistas em Gaza.

O filme conta com imagens e testemunhos dos repórteres Mai Yaghi e Adel Zaanoun, bem como dos fotojornalistas Mahmud Hams e Mohammed Abed – veteranos da AFP que descrevem a dificuldade extrema de trabalhar num território devastado pela guerra enquanto protegem as suas famílias. Na primavera de 2024, todos os jornalistas permanentes da AFP em Gaza foram evacuados com as suas famílias.

O congresso, que decorre até quarta-feira, debate sob três eixos temáticos – inteligência artificial nos media, futuro do jornalismo, e receitas e crescimento – as transformações que estão a remodelar a indústria noticiosa.

Entre os oradores confirmados contam-se A.G. Sulzberger, presidente e editor do New York Times, Katharine Viner, diretora-geral do Guardian, e Almar Latour, presidente executivo da Dow Jones e editor do Wall Street Journal. Todas as sessões são transmitidas com tradução simultânea assistida por inteligência artificial em mais de 50 línguas.

A “Caneta de Ouro” é o mais prestigiado galardão anual da WAN-IFRA para a liberdade de imprensa, atribuído desde 1961 a jornalistas, publicações ou organizações que se distinguiram na defesa da liberdade de imprensa em condições de risco extremo.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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