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ONU inclui Israel e Rússia em lista negra de violência sexual em conflitos pela primeira vez

todayMaio 29, 2026 14

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Díli, 29 de maio de 2026 (RAFA.TL) – O relatório anual das Nações Unidas sobre violência sexual em conflitos armados incluiu pela primeira vez as forças israelitas e as forças armadas e de segurança russas nas suas listas negras, registando um aumento acentuado de casos em 2025 face ao ano anterior.

Ambos os países rejeitam as acusações.

O relatório de 35 páginas – partilhado pela missão israelita junto da ONU na quinta-feira, antes da sua divulgação oficial prevista para sexta-feira – identifica 77 entidades governamentais e não governamentais em doze países suspeitas de praticar ou de serem responsáveis por atos de violência sexual em contexto de conflito.

A lista referente 2025 inclui as forças armadas e de segurança de Israel, bem como os militantes do Hamas – anteriormente incluídos na sequência do ataque de 7 de outubro de 2023 a Israel, que despoletou a guerra em Gaza.

Tanto Israel como a Rússia tinham sido alertados no relatório do ano passado pelo Secretário-Geral da ONU, António Guterres, de que poderiam vir a ser incluídos.

Em 2025, a ONU conseguiu documentar padrões de violência sexual contra palestinianos detidos em Israel e nos territórios palestinianos ocupados, verificando múltiplos incidentes – incluindo como forma de tortura – contra 14 homens, sete mulheres, nove rapazes e uma rapariga provenientes de Gaza e da Cisjordânia.

Treze casos ocorreram em 2025 e 18 entre 2023 e 2024.

O relatório descreve pelo menos nove vítimas, na maioria de Gaza, que foram violadas ou sujeitas a violação coletiva, em alguns casos de forma repetida, por perpetradores pertencentes às Forças de Defesa de Israel, ao serviço prisional, a forças especiais e a unidades policiais.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita afirmou ter “refutado de forma abrangente, rigorosa e inequívoca” as alegações, descrevendo a decisão como “mais um exemplo da hostilidade institucionalizada e de longa data da ONU em relação a Israel”.

O embaixador israelita na ONU, Danny Danon, reagiu com indignação nas redes sociais.

“Estamos de costas voltadas para este Secretário-Geral da ONU”, declarou, acrescentando que “Guterres colocou Israel na mesma lista negra que o Hamas, o Daesh e as organizações terroristas mais depravadas do mundo”. O segundo mandato de cinco anos de Guterres termina a 31 de dezembro.

Danon sublinhou que Israel forneceu documentos, dados e respostas detalhadas às alegações constantes do relatório.

Quanto à Rússia, apesar de as autoridades russas negarem sistematicamente o acesso a investigadores de direitos humanos da ONU, foi ainda assim possível verificar 310 casos de violência sexual em contexto de conflito em território russo e nas zonas ucranianas sob ocupação russa, contra prisioneiros de guerra e civis detidos – na grande maioria homens.

O embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, anunciou que o país irá enviar uma carta ao Secretário-Geral contestando as alegações.

“Estas são mentiras infundadas que voltam a retratar a Rússia como o vilão, como fazem sempre”, afirmou, adiantando que Moscovo está a documentar as condições em que as forças ucranianas tratam os prisioneiros de guerra russos.

Os monitores de direitos humanos na Ucrânia documentaram 31 casos de violência sexual contra prisioneiros de guerra e civis detidos, a maioria dos quais ocorreu antes de 2025. A Ucrânia não foi incluída na lista negra da ONU.

O relatório reitera igualmente acusações de violência sexual por parte do Hamas, embora ressalve que muitos dos detalhes não puderam ser confirmados de forma independente, uma vez que o governo israelita continua a negar à ONU o acesso necessário para conduzir investigações.

FIM

Escrito por RafaFM

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