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Crise energética gera escassez de água potável para três milhões de pessoas em Cuba

todayMaio 29, 2026 15

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Díli, 29 de maio de 2026 (RAFA.TL) — Cerca de três milhões de cubanos enfrentam escassez de água diariamente devido a uma grave crise de combustível, que as autoridades da ilha atribuem ao bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos, revelou o governo cubano.

O sistema de abastecimento de água da ilha funciona apenas com 37% do combustível de que necessita, no quadro da pior crise energética que Cuba enfrenta em décadas.

Segundo António Rodríguez, presidente do Instituto Nacional de Recursos Hídricos – entidade estatal responsável pela gestão da água -, o sector é um dos mais afetados por ser um dos maiores consumidores de energia do país.

Os detalhes foram apresentados num fórum que incidiu sobre o fornecimento intermitente de água a uma população de quase dez milhões de habitantes.

Rodríguez sublinhou que não só o bombeamento de água consome eletricidade, como todas as atividades essenciais da agência – desde o desentupimento de canos e a limpeza de fossas sépticas até à reparação de fugas – dependem de combustível.

A importação de produtos químicos encontra-se igualmente paralisada.

De acordo com o responsável, a agência adquiria anualmente peças e outros materiais no valor de cerca de 100 milhões de dólares, mas no último ano as compras totalizaram apenas dez milhões, devido à suspensão total do crédito.

Vários fornecedores têm colocado contratos em suspenso, aguardando condições mais favoráveis para retomar entregas a Cuba ou avaliando os obstáculos nos pagamentos bancários, além das limitações nos serviços de transporte marítimo.

A situação é agravada pela degradação das infraestruturas e pela sobrecarga das estações de bombagem, sobretudo nas grandes cidades como Havana, Santiago de Cuba e Matanzas. Numerosos edifícios em altura necessitam também de eletricidade para alimentar as bombas que elevam a água até aos reservatórios superiores.

A crise hídrica não é nova, mas tem-se agudizado nos últimos meses.

Desde janeiro, o governo dos EUA reforçou as sanções já em vigor sobre Cuba, numa tentativa de pressionar a ilha a alterar o seu modelo político.

O Presidente norte-americano Donald Trump ameaçou impor tarifas a todos os países que vendam ou forneçam petróleo a Cuba – país que produz apenas 40% do combustível de que necessita.

A população, que já suportava cinco anos de crise económica, inflação e escassez, enfrenta agora cortes de energia diários com duração de até 20 horas.

Em muitos bairros de Havana, o fornecimento de água é assegurado por camiões-cisterna, mas o serviço permanece irregular.

“Há cinco dias que a água não chega”, declarou na quinta-feira Magaly Ribial, professora de 60 anos, enquanto enchia recipientes a partir de um camião estacionado perto da sua casa no centro histórico da capital.

Dayse Izquierdo, de 95 anos, luta para transportar água e depende do que os vizinhos lhe trazem quando as chamadas pipas – os camiões-cisterna – chegam ao bairro.

Alguns moradores deslocam-se inclusivamente de outros pontos da cidade ao saber da presença dos veículos.

“A situação da água é generalizada”, afirmou Carlos Molina, de 55 anos. “Venho de outro município para apanhar água porque lá não há nenhuma.”

Rodríguez reconheceu que apenas uma pequena parte das operações da agência depende de painéis solares e outras alternativas. As autoridades estão a desenvolver um programa acelerado de energia solar, mas especialistas alertam para os elevados custos de investimento que tais tecnologias exigem.

FIM

Escrito por RafaFM

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