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Díli, 21 de maio de 2026 (RAFA.TL) – Os preços em Timor-Leste recuaram 0,8% em abril, face ao mês anterior e 0,1% face ao período homólogo do ano passado, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e pelo Ministério das Finanças.
O relatório referente ao Índice de Preços no Consumidor (IPC) de abril mostra que os preços inverteram a subida de 0,6% registada em março.
A descida mensal foi transversal à maior parte das categorias de consumo, com os alimentos, o tabaco e os equipamentos domésticos a liderarem a contração. Os transportes foram a principal exceção, registando uma subida acentuada que atenuou a queda global do índice.
O grupo Alimentação e Bebidas Não Alcoólicas, que representa o maior peso no cabaz de consumo das famílias timorenses, recuou 1,2% em abril face a março.
A principal pressão descendente veio dos legumes, que caíram 5,3% no mês, reflexo provável da sazonalidade agrícola e do aumento da oferta no período. A fruta desceu 2,3%, o peixe e marisco recuaram 1,1% e a carne cedeu 0,1%.
Em sentido contrário, o café, chá e cacau subiram 2,7% no mês – um dado relevante para Timor-Leste dado o peso estratégico do setor cafeeiro na economia nacional – e os refrigerantes e sumos registaram uma valorização anual acumulada de 10,1%, a maior de todas as subcategorias alimentares.
Em termos anuais, o grupo alimentar acumula uma variação de -0,3%, com o arroz a liderar a descida com -3,8% – um alimento de consumo essencial e amplamente importado no país.
O açúcar e confeitaria desceram 3,2%, o leite, queijo e ovos caíram 1,1% e a carne recuou 0,4%. O café, chá e cacau registaram, contudo, uma valorização anual de 5,5%, e o pão e cereais (excluindo arroz) subiram 2,8% no mesmo período.
O grupo Álcool e Tabaco registou a maior descida mensal de todas as categorias, com -2,6%, principalmente por via do tabaco, que caiu 3,3% no mês e acumula uma descida homóloga de igual magnitude.
O álcool, por contraste, subiu 2,6% em termos anuais, ainda que tenha permanecido praticamente estável no mês (-0,1%). Em termos anuais, o grupo no seu conjunto apresenta uma variação de -2,2%.
Os Equipamentos Domésticos e Manutenção do Lar desceram 0,6% no mês, com os eletrodomésticos a liderarem a queda com -2,7%, seguidos pelo mobiliário e têxteis lar (-1,1%) e pelos bens e serviços de manutenção corrente do lar (-0,2%). Em termos anuais, o grupo acumula uma descida de 0,3%.
Em sentido oposto à maioria dos grupos, os Transportes registaram a maior subida mensal, com +3,2%, impulsionados pela operação de transportes pessoais, que avançou 5,9%, e pelos serviços de transporte, que subiram 1,9%. Em termos anuais, os transportes são o grupo com maior pressão inflacionista em todo o cabaz, acumulando uma valorização de 5,4% face a abril de 2025 – o que inclui uma subida de 11,3% na operação de transportes pessoais e de 1,9% nos serviços de transporte.
A aquisição de veículos manteve-se inalterada tanto no mês como no ano.
O Vestuário e Calçado subiu 0,6% no mês, com o vestuário masculino a avançar 1,6% e o calçado e acessórios a crescerem 1,2%.
A Habitação registou uma subida mensal de 0,3%, sustentada pela componente de água, eletricidade, gás e outros combustíveis, que avançou 0,3%. A Educação manteve-se estável no mês mas acumula uma subida anual de 0,3%.
Os grupos Saúde e Comunicações não registaram qualquer variação mensal. Em termos anuais, a Saúde mantém-se flat (0,0%), enquanto as Comunicações acumulam uma ligeira descida de 0,3%. A Recreação e Cultura também não variou no mês, mas apresenta uma variação anual negativa de 0,6%.
A análise do IPC por componentes Transacionável e Não Transacionável revela que a pressão sobre os preços é maioritariamente condicionada por fatores externos ao país.
O IPC Transacionável – que mede bens e serviços sujeitos à concorrência internacional, incluindo importações como o arroz, os combustíveis e os bens manufaturados – registou uma descida anual de 0,4% e uma queda mensal de 1,1%.
O IPC Não Transacionável, que reflete a dinâmica da procura interna e dos preços domésticos, subiu 0,7% em termos anuais, embora tenha recuado ligeiramente 0,1% no mês.
O INE sublinha que a trajetória da inflação no período entre abril de 2024 e abril de 2026 foi condicionada sobretudo por fatores internacionais, nomeadamente as oscilações nos preços mundiais de bens alimentares, combustíveis e produtos manufaturados, bem como pelas flutuações cambiais que afetam o custo das importações timorenses.
A análise por região revela dinâmicas distintas entre os três agregados monitorizados pelo INE. Em Díli, o IPC caiu 1,3% em abril face a março – a descida mais acentuada das três regiões -, com os legumes a recuarem 6,9% e o grupo alimentar a descer 2,2% no mês.
Em termos anuais, Díli regista uma variação positiva de 0,5%, sendo a única das três regiões em terreno positivo, sustentada sobretudo pelos transportes (+5,0% anual) e pelo café, chá e cacau (+6,7% anual).
Em Baucau, a variação mensal foi mais contida, com uma descida de apenas 0,2%, mas o município acumula a maior queda anual das três regiões, com -1,4%. Destaca-se em Baucau a queda de 14,9% anual nos óleos e gorduras, bem como a descida de 7,5% no açúcar e confeitaria e de 5,6% no leite, queijo e ovos.
No agregado “Outros Municípios”, que engloba os restantes municípios do país, o IPC desceu 0,5% no mês, acumulando uma variação anual de -0,4%.
O próximo relatório do IPC, relativo ao mês de maio de 2026, será divulgado a 16 de junho pelo Instituto Nacional de Estatística.
FIM
Escrito por RafaFM
8% em abril impulsionada por descidas nos preços dos alimentos Inflação em Timor-Leste recua 0
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