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Genebra, 21 de maio de 2026 (RAFA.TL) – O número de casos suspeitos de Ébola na República Democrática do Congo e no Uganda subiu para 600, com 139 mortes suspeitas, anunciou a Organização Mundial de Saúde (OMS).
A situação levou o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a anunciar uma emergência de saúde pública de âmbito internacional (PHEIC) no domingo, numa decisão sem precedentes.
Foi a primeira vez que um Diretor-Geral declarou este nível de alerta antes de convocar um Comité de Emergência, invocando a urgência da situação e tendo consultado previamente os ministros da Saúde da RDC e do Uganda.
O Comité de Emergência da OMS reuniu-se na quarta-feira em Genebra, tendo Tedros confirmado que o vírus constitui uma emergência de saúde pública de âmbito internacional, mas não uma emergência pandémica.
“A OMS avalia o risco da epidemia como elevado a nível nacional e regional e baixo a nível global”, disse.
O surto surgiu apenas cinco meses depois de a RDC ter declarado o fim da sua epidemia anterior.
É causado pela estirpe Bundibugyo do vírus Ébola, classificado como extraordinário pelo facto de não existirem vacinas nem terapêuticas aprovadas para este tipo específico, ao contrário do que acontece com as estirpes do Ébola Zaire.
Esta é a 17.ª epidemia de Ébola na RDC desde 1976 e o segundo surto causado pelo vírus Bundibugyo no país.
A PHEIC é o nível mais elevado de alerta de saúde global da OMS, reservado para surtos que representam um risco sério além do país de origem.
De acordo com peritos da OMS, a estirpe Bundibugyo circulou durante “alguns meses” antes de ser identificada a 15 de maio.
A primeira morte confirmada ocorreu a 20 de abril e os especialistas recorreram a publicações nas redes sociais para reconstituir a progressão recente do vírus, cujos sintomas podem assemelhar-se aos do paludismo.
Após a primeira morte, acredita-se que terá ocorrido um evento super-propagador num funeral ou numa unidade de saúde, embora as investigações estejam ainda em curso.
A 5 de maio, a OMS recebeu um alerta sobre uma doença desconhecida com elevada mortalidade na zona de saúde de Mongbwalu, na província de Ituri, incluindo quatro profissionais de saúde que morreram em quatro dias.
Dos 600 casos suspeitos, a OMS confirmou 51 na RDC, nas províncias do norte de Ituri e Kivu do Norte.
O Uganda confirmou dois casos em Kampala, incluindo uma morte, em duas pessoas que viajaram da RDC.
Os dois casos foram identificados em menos de 24 horas, a 15 e 16 de maio.
Dada a presença de aglomerados invulgares de casos suspeitos em múltiplas zonas do leste da RDC, a OMS admitiu não conseguir determinar com precisão a extensão geográfica da epidemia nem o número real de infeções.
Um missionário médico norte-americano que contraiu Ébola na RDC foi transportado para a Alemanha para receber tratamento no Hospital Universitário Charité, em Berlim, a pedido dos EUA. O cidadão foi identificado como Peter Stafford, da organização missionária Serge Christian.
O CDC norte-americano está também a trabalhar para transferir seis outros americanos considerados contactos de alto risco para a Europa, incluindo um para a República Checa e os restantes para a Alemanha, onde ficarão em quarentena durante o período de monitorização.
Os EUA impuseram uma proibição de entrada a qualquer pessoa que tenha estado na RDC, no Uganda ou no Sudão do Sul nos 21 dias anteriores.
O responsável pela virologia do Instituto Nacional de Investigação Biomédica da RDC, Jean-Jacques Muyembe, referiu que o país aguarda carregamentos de uma vacina experimental para diferentes tipos de Ébola provenientes dos EUA e do Reino Unido.
O Africa CDC convocou uma reunião urgente de coordenação regional de alto nível com autoridades de saúde da RDC, Uganda e Sudão do Sul, juntamente com a OMS, a UNICEF e outros parceiros de resposta, centrada em vigilância transfronteiriça, apoio laboratorial, prevenção de infecções e mobilização de recursos.
Uma porta-voz da União Europeia declarou na quarta-feira que o risco de um surto na Europa é “muito baixo”, acrescentando que “não existe qualquer indicação” de que os europeus necessitem de fazer algo além de seguir os conselhos de saúde habituais.
O chefe de emergências da OMS, Chikwe Ihekweazu, sublinhou que a “prioridade absoluta é identificar todas as cadeias de transmissão existentes”, a fim de “definir a escala do surto e prestar cuidados adequados”.
FIM
Escrito por RafaFM
OMS regista 600 casos suspeitos e 139 mortes em surto crescente de Ébola na RDC e Uganda
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