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Washington, 21 de maio de 2026 (RAFA.TL) – O Departamento de Justiça dos Estados Unidos deduziu acusação formal contra o ex-Presidente cubano Raúl Castro pela sua alegada responsabilidade no abate de dois aviões civis operados pelo grupo de exilados cubanos Brothers to the Rescue, a 24 de fevereiro de 1996.
A acusação, tornada pública na quarta-feira em Washington, constitui uma das mais graves escaladas de tensão entre Washington e Havana dos últimos anos, e imputa a Castro um papel central – enquanto Ministro da Defesa de Cuba – na decisão de mobilizar caças cubanos contra as aeronaves civis.
Castro enfrenta uma acusação de conspiração para matar cidadãos norte-americanos, quatro acusações de homicídio e duas acusações de destruição de aeronaves. Quatro pessoas morreram no incidente de 1996, que gerou condenação internacional e agravou as relações entre os dois países.
O diretor do FBI, Kash Patel, classificou a acusação formal como “um passo importante rumo à responsabilização”.
Na semana passada o diretor da CIA, John Ratcliffe, visitou Havana no âmbito de negociações em curso entre o Governo cubano e a administração do Presidente Donald Trump, que tem pressionado a favor de mudanças de liderança no país.
Recentemente surgiram também relatos de que Cuba teria estudado capacidades ofensivas de drones contra instalações militares norte-americanas na região.
Para Orlando Perez, professor de ciência política na Universidade do Norte do Texas em Dallas, a acusação formal enquadra-se numa estratégia de dupla via adotada por Washington: negociação discreta com o regime e pressão pública simultânea.
“Washington parece estar a seguir duas vias em simultâneo: um canal secreto com a rede familiar Castro e uma campanha de pressão pública”, disse Perez. “A acusação formal de Raúl Castro encaixa-se nessa arquitetura.”
O analista alertou, porém, que a medida pode produzir efeito contrário ao pretendido, reforçando a posição dos sectores mais duros do regime.
“Uma acusação formal de Raúl Castro fortalece esses sectores radicais e entrega-lhes a narrativa de cerco com que sempre contaram”, salientou.
Perez sublinhou ainda que a iniciativa pode ter uma motivação eleitoral interna: a administração Trump enfrenta sondagens em queda – apenas 34% dos norte-americanos aprovam o desempenho do Presidente, de acordo com um inquérito recente da Reuters/Ipsos – e prepara-se para eleições intercalares em novembro.
“A campanha de pressão está aí e esperam que conduza a algum tipo de acordo aceitável”, afirmou.
O Governo cubano não reagiu de imediato à acusação formal.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, respondeu a uma declaração separada da Casa Branca – emitida no dia em que se assinalou o 124.º aniversário da república cubana – afirmando que a mensagem norte-americana era “superficial e mal informada”.
O vice-ministro Carlos de Cossio acusou a administração Trump de servir os interesses de exilados cubanos na Florida, escrevendo que “a minoria fascista anti-cubana entrincheirada na Florida encontrou finalmente um governo que pode usar, pressionar e tentar dobrar à sua vontade”.
Raúl Castro, de 94 anos, sucedeu ao irmão Fidel como Presidente de Cuba em 2008.
Embora tenha abandonado formalmente a liderança do Partido Comunista em 2021, é considerado ainda uma figura influente no sistema político cubano.
FIM
Escrito por RafaFM
EUA acusam formalmente ex-Presidente cubano Raúl Castro pelo abate de aviões em 1996
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