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Pequim, 21 de maio de 2026 (RAFA.TL) – O Presidente chinês Xi Jinping e o Presidente russo Vladimir Putin assinaram em Pequim uma declaração conjunta focada na construção de “um mundo multipolar e um novo tipo de relações internacionais”, numa cimeira que projetou uma frente unida contra Washington.
A declaração foi um dos 20 acordos assinados na presença de ambos os líderes, com mais 20 documentos adicionais previstos para um anúncio separado.
A visita produziu cerca de 40 acordos abrangendo comércio, tecnologia, propriedade intelectual, energia, meios de comunicação, automóveis e cooperação nuclear civil.
Os dois países prorrogaram igualmente o Tratado de Boa Vizinhança, Amizade e Cooperação russo-chinês, assinado originalmente em julho de 2001, e rubricaram uma declaração conjunta sobre o aprofundamento da parceria estratégica abrangente, assente numa coordenação iniciada em 1996.
Num outro comunicado, os dois líderes alertaram para o “perigo de fragmentação da comunidade internacional e de regresso à lei da selva”, acrescentando que “as tentativas de alguns Estados de gerir unilateralmente os assuntos globais, de impor os seus interesses ao mundo inteiro e de limitar o desenvolvimento soberano de outros países, no espírito da era colonial, falharam”.
A cimeira, realizada na quarta-feira, foi inaugurada com pompa no Grande Salão do Povo, com tapete vermelho e uma banda militar que interpretou os hinos nacionais da China e da Rússia. Putin foi recebido com uma cerimónia de honra e uma salva de tiros de canhão, ao lado de Xi, que lhe deu as boas-vindas apenas dias após ter recebido o Presidente norte-americano Donald Trump da mesma forma.
Na declaração conjunta, a China e a Rússia visaram diretamente os planos do Presidente Trump para o sistema de defesa “Golden Dome”, avaliado em 175 mil milhões de dólares, que prevê a criação de um novo campo de mísseis no Midwest norte-americano.
Os dois líderes criticaram igualmente a caducidade do último tratado em vigor que limitava o tamanho dos arsenais nucleares norte-americano e russo, que expirou em fevereiro quando Trump não respondeu à proposta de Moscovo de o prorrogar por um ano.
Entre os principais temas em debate esteve o sector energético, que Putin classificou como “força motriz da cooperação económica” nas relações russo-chinesas. Um assessor presidencial russo indicou que as exportações russas de petróleo para a China cresceram 35% no primeiro trimestre de 2026.
Contudo, as negociações não conduziram a um acordo concreto sobre o muito debatido gasoduto Power of Siberia 2, um projeto de 2.600 quilómetros que poderia enviar até 50 mil milhões de metros cúbicos de gás anualmente para a China através da Mongólia.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, indicou que as duas partes chegaram a “um entendimento de base” sobre o percurso do gasoduto, mas que não há “um calendário claro” para a sua construção.
Xi abordou ainda a guerra EUA-Israel no Irão, dizendo ao seu homólogo russo que o reinício das hostilidades era “desaconselhável” e que um cessar-fogo era necessário.
“Um cessar-fogo abrangente é da mais extrema urgência, retomar as hostilidades é ainda mais desaconselhável e manter as negociações é particularmente importante”, disse Xi.
A rápida sucessão das visitas de Trump e Putin a Pequim sublinhou o crescente papel da China como superpotência internacional, segundo analistas.
Enquanto Trump partiu de Pequim sem anúncios concretos de relevo, Xi e Putin assinaram um conjunto de acordos em matéria de comércio, meios de comunicação e energia.
A visita confirmou o aprofundamento da parceria China-Rússia, mesmo numa altura em que Putin chega a Pequim numa posição enfraquecida face aos recentes avanços militares ucranianos.
A China é considerada um apoio económico, militar e diplomático crucial para Moscovo desde a invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, tendo ignorado as exigências ocidentais de cessar o fornecimento de componentes de alta tecnologia para a indústria de armamento russa.
Putin convidou Xi a visitar a Rússia no próximo ano, de acordo com relatos dos meios de comunicação chineses.
FIM
Escrito por RafaFM
Xi e Putin reafirmam aliança estratégica em Pequim e criticam política dos EUA
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