Destaques

Timor-Leste celebra 24 anos de restauração da independência como “oásis de paz” que emergiu das cinzas de 1999

todayMaio 20, 2026 39

Fundo
share close

Díli, 20 de maio de 2026 (RAFA.TL) – Timor-Leste celebra hoje o 24.º aniversário da Restauração da Independência, num país que, nas palavras do Presidente José Ramos-Horta, se tornou “inequivocamente diferente” do que existia em 2002 – e profundamente distinto do que resistiu à ocupação até 1999.

“O país mudou profundamente em apenas duas décadas: um povo mais feliz pela segurança e tranquilidade que prevalecem nas aldeias e cidades, pelos benefícios materiais coletivos que hoje usufruem, escolas, universidades, serviços de saúde, eletricidade, estradas, conectividades”, afirmou Ramos-Horta no discurso proferido esta manhã em Tasi Tolu.

As cerimónias decorreram com a presença de altas individualidades nacionais e estrangeiras, incluindo o Primeiro-Ministro Kay Rala Xanana Gusmão, a Presidente do Parlamento Nacional Fernanda Lay, o Vice-Primeiro-Ministro da Austrália Richard Marles e o Secretário-Geral da ASEAN, Kao Kim Hourn.

O percurso de Timor-Leste desde a restauração da independência, em 20 de maio de 2002, é descrito pelo Presidente como um projeto de construção do Estado a partir de quase zero – num país em que, em 1974, não existia um único médico timorense; em que, em 2002, cerca de 80% das infraestruturas rodoviárias estavam destruídas; e em que o ensino superior era inexistente antes da ocupação indonésia.

“Timor-Leste é, também, um oásis de paz, tranquilidade, segurança e tolerância, num mundo em guerras, crises de energia, alimentares, económicas e financeiras, e desastres naturais de frequência e intensidade sem precedentes”, vincou.

Ramos-Horta apelou a uma leitura equilibrada dos progressos, criticando quem compara Timor-Leste “com países que têm mais de meio século de independência consolidada, trajetórias institucionais longas e bases económicas mais enraizadas”.

“Prosseguimos a construção e consolidação do Estado, mas ainda vivemos realidades dos Países Menos Desenvolvidos e do grupo g7+”, admitiu.

O Presidente sublinhou que Timor-Leste é hoje um país democrático, “bem posicionado nos índices internacionais de democracia e de liberdade de imprensa”, onde “não existem tensões étnicas ou religiosas” e o crime organizado de origem nacional não existe.

Ramos-Horta iniciou o discurso com uma vénia à memória dos combatentes da resistência nacional, nomeando expressamente Francisco Xavier do Amaral, Nicolau dos Reis Lobato, Nino Konis Santana, David Alex Daitula e Ma’huno, bem como todos os que “tombaram ao longo da nossa caminhada coletiva”.

Prestou igualmente homenagem aos “adversários de ontem”, afirmando que “a reconciliação verdadeira exige grandeza moral, respeito pela dignidade humana e coragem para transformar o sofrimento do passado em compromisso comum com a paz”.

O Presidente evocou as palavras do Papa Francisco ao deixar Díli em 12 de setembro de 2024 como lema que tem norteado o seu mandato, e afirmou falar “com serenidade, com consciência tranquila, de dar o melhor de mim para esta Pátria deste povo generoso”, a um ano do fim do seu mandato presidencial.

Destacando algumas das conquistas dos primeiros 24 anos de vida nacional, Ramos-horta disse que Timor-Leste se apresenta como um Estado com instituições consolidadas, membro pleno da ASEAN e da OMC, com uma rede de saúde funcional, 20 universidades e uma rede rodoviária que cobre 95% do território nacional.

Um contraste radical com o ponto de partida em 2002, quando o país emergiu de décadas de ocupação com as infraestruturas quase totalmente destruídas.

“A soberania de Timor-Leste não se afirmou apenas em documentos; construiu-se, ao longo do tempo, em betão, aço e asfalto, mas também em redes de energia, sistemas de água, saneamento e planeamento urbano”, disse.

Em 1974, não existia um único médico timorense. Em 2002, havia apenas 19. Hoje, o sistema nacional de saúde conta com 1.025 médicos (113 especialistas), 1.774 enfermeiros e 915 parteiras.

A esperança de vida subiu de menos de 60 anos em 2000 para 70 anos em 2026. A malária foi declarada eliminada pela OMS em 2024. Doenças como a poliomielite, sarampo, rubéola, tétano materno e neonatal e a filariose linfática foram erradicadas como problemas de saúde pública.

De uma única universidade em 2002, com cerca de 3.085 estudantes, Timor-Leste passou para 20 universidades e cerca de 68.997 estudantes.

O país conta hoje com mais de 200 doutorados, 1.400 mestrados, 49.000 licenciados e 7.000 bacharéis, formados no país e no estrangeiro. Entre 2011 e 2025, o Estado atribuiu mais de 11.700 bolsas de estudo em 28 países.

Em 2002, a rede rodoviária estava 80% destruída. Hoje, a rede total atinge cerca de 7.500 quilómetros, com 95% dos principais corredores nacionais pavimentados.

O acesso à eletricidade evoluiu de menos de 30% das aldeias no final da década de 1990 para cobertura de quase 100% do território, com as últimas aldeias previstas para 2026.

O percurso diplomático culminou na adesão plena à ASEAN em outubro de 2025 e na adesão à OMC, marcos que o Presidente classifica como “definidores da postura de Timor-Leste na região e no mundo”. Em 2029, Timor-Leste assumirá a presidência rotatória da ASEAN.

“A construção de um Estado é um processo longo, sem corta-matos, exige liderança visionária, altamente qualificada, experiente, prudente e também audaciosa em sonhar e planear, assumir riscos e apostar em inovações”, disse.

Ramos-Horta reconheceu que persistem “desafios estruturais que não podemos ignorar – nem adiar”: parte da população vive abaixo da linha de pobreza, a economia permanece dependente do setor petrolífero e dos rendimentos do Fundo Petrolífero, e a taxa de literacia nas zonas rurais ronda os 67%.

“A questão central já não é apenas o que Timor-Leste conquistou – mas como transformar essas conquistas em prosperidade sustentável e inclusiva”, concluiu o Presidente.

FIM

Escrito por RafaFM

Avaliação

Quem Somos

Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

Contactos
error: Content is protected !!