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Doação de Timor-Leste financia reconstrução de escolas afetadas pelo mau tempo em Portugal

todayMaio 13, 2026 39 8

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Leiria, 13 de maio de 2026 (RAFA.TL) – O Governo português decidiu canalizar o donativo de cinco milhões de dólares concedido por Timor-Leste na sequência dos danos provocados pela depressão Kristin, para a reconstrução de escolas nos concelhos de Leiria e Marinha Grande.

O anúncio foi feito em Leiria pelo ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, após reunião com autarcas dos dois concelhos sobre a reconstrução das escolas afetadas pela tempestade de 28 de janeiro.

“Fizemos a divisão dos cinco milhões de dólares – cerca de 4,2 milhões de euros – com base no número de alunos e em Leiria vamos ter uma afetação de 3,6 milhões de dólares e o remanescente de 1,3 será atribuído à Marinha Grande”, disse o governante aos jornalistas. O apoio será efetivado por transferências diretas para os dois municípios.

Recorde-se que o Governo timorense tinha aprovado em fevereiro a atribuição do donativo a Portugal, no valor de cinco milhões de dólares americanos, destinado à recuperação das áreas mais afetadas pela tempestade.

O Governo da República Portuguesa expressou o seu agradecimento ao Governo da República Democrática de Timor-Leste pelo donativo, frisando que este gesto solidário traduz a força dos laços históricos, culturais e humanos que unem os dois países, e reafirmou a vontade de continuar a fortalecer os laços de amizade e a relação bilateral.

Fernando Alexandre sublinhou que a reconstrução das escolas se insere num conceito novo “de as tornar mais resilientes, e, no caso de algumas destas escolas, serem mesmo espaço de abrigo para a população”.

O ministro deixou ainda um alerta sobre a crescente frequência dos fenómenos extremos.

“Este tipo de eventos tem-se tornado mais frequente e mais severo e, por isso, o país tem de ter mais capacidade de resposta para a proteção das pessoas.”

O governante explicou que uma parte das verbas para recuperar as escolas de Leiria e Marinha Grande será financiada pelo Banco Europeu de Investimento (BEI), “porque as escolas estavam classificadas para beneficiar desse investimento”.

Ainda sem conseguir quantificar o investimento total, devido a os projetos não estarem todos finalizados, Fernando Alexandre adiantou que “será certamente de dezenas de milhões de euros”.

O encontro contou com a presença de representantes do Governo, da CCDR Centro e da Construção Pública, e serviu para alinhar estratégias de modernização da rede escolar.

O plano prevê ainda que algumas destas escolas sejam preparadas para servir como locais de abrigo e refúgio para as populações em situações de emergência.

O presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, anunciou que, na próxima semana, será adjudicada a empreitada de reconstrução da escola de Marrazes, uma das mais afectadas, no valor de cerca de seis milhões de euros. “Vai ser como se fosse uma escola nova. Todos os pavilhões vão ser reforçados e a obra vai ser acompanhada pela Construção Pública, antiga Parque Escolar”, referiu o autarca.

O presidente da câmara adiantou ainda que a escola da Maceira, que está a funcionar em contentores, terá o projeto concluído em junho, estando classificada como prioridade três.

Na Marinha Grande, a estratégia de reorganização foca-se na freguesia de Vieira de Leiria, a zona mais afetada, e o projeto central prevê a transformação da Escola Padre Franklin num centro escolar, integrando 12 turmas do 1.º ciclo e quatro do pré-escolar.

Recorde-se que pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal entre o final de janeiro e o início de março na sequência das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, com prejuízos superiores a cinco mil milhões de euros.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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