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ASEAN cada vez mais integrada não é opção, mas sim “necessidade” segundo Filipinas

todayMaio 6, 2026 7

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CEBU, 6 de maio de 2026 (RAFA.TL) – O subsecretário para o Comércio Internacional das Filipinas, Allan Gepty, defendeu hoje que um bloco regional mais integrado deixou de ser uma opção e é uma necessidade face aos desafios geopolíticos e económicos que pressionam o Sudeste Asiático.

Em declarações aos jornalistas, Gepty sublinhou que é crucial para os 11 Estados-membros da ASEAN manter a unidade na defesa da agenda de integração económica do bloco, apelando a que os países evitem ou se abstenham de adotar medidas restritivas ao comércio.

“É muito importante que a cadeia de abastecimento dentro da ASEAN seja preservada”, afirmou.

O responsável filipino, que integra o Departamento de Comércio e Indústria (DTI) e que falava no quadro da 48.ª Cimeira da ASEAN, em Cebu, nas Filipinas, elencou um conjunto de pressões simultâneas que tornam urgente a coesão regional.

A agenda económica das Filipinas para a presidência da ASEAN identifica a necessidade de navegar entre mudanças tecnológicas aceleradas, dinâmicas geopolíticas em transformação, novas realidades económicas, pressões climáticas e desafios nas cadeias de abastecimento.

Em março, os Estados Unidos lançaram uma investigação comercial sobre excesso de capacidade industrial contra 16 dos seus principais parceiros comerciais, incluindo Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietname – países que correm o risco de ser penalizados por alegado transbordo de exportações chinesas.

Caso Washington imponha tarifas adicionais, as cadeias de abastecimento regionais da ASEAN poderão ser significativamente perturbadas.

Gepty destacou ainda a importância de coordenar as respostas dos Estados-membros à investigação norte-americana ao abrigo da secção 301(b) da Lei do Comércio de 1974, expressando a esperança de que as conclusões “sejam coerentes com as regras do comércio internacional”.

Sob a presidência filipina, o DTI lidera sete das 18 entregas económicas prioritárias para a cimeira. A agenda económica assenta em cinco pilares estratégicos: reforço das ligações comerciais e de investimento, aceleração da transformação digital, integração da agenda de desenvolvimento das micro, pequenas e médias empresas (MPME), aproveitamento da economia criativa e inovação, e promoção de economias sustentáveis e inclusivas.

Entre as metas concretas, as Filipinas visam concluir as negociações do Acordo-Quadro da Economia Digital da ASEAN (DEFA) e do acordo de livre comércio ASEAN-Canadá – o primeiro com um país norte-americano -, bem como avançar com um quadro estratégico regional para reforçar as cadeias de abastecimento de semicondutores.

A secretária do Comércio e presidente do Conselho da Comunidade Económica da ASEAN, Cristina Roque, anunciou que o bloco avança para a ratificação do Acordo-Quadro da ASEAN sobre Segurança do Petróleo (APSA), como parte da resposta regional às tensões no Médio Oriente.

O bloco compromete-se ainda a evitar medidas restritivas ao comércio, como proibições de exportação de bens essenciais, e a acelerar acordos de livre comércio para aliviar estrangulamentos nas cadeias de abastecimento.

“Não podemos ter uma abordagem separada para enfrentar este conflito. As nossas acções e respostas têm de ser sincronizadas para que trabalhemos em conjunto”, disse Gepty.

A 48.ª Cimeira da ASEAN realiza-se a 8 de maio em Lapu-Lapu City, Cebu, onde o presidente Ferdinand Marcos Jr. se reunirá com os líderes dos Estados-membros – incluindo Timor-Leste -, para debater segurança regional, energia, alimentação e cooperação económica.

O tema da presidência filipina, “Navegar o Nosso Futuro, Juntos”, reflecte a visão de Marcos de que as potências médias devem agir de forma coesa num mundo marcado pela rivalidade entre grandes potências.

FIM

Escrito por RafaFM

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