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Impacto da tensão no Médio Oriente na agenda da 48.ª Cimeira da ASEAN que começa hoje

todayMaio 6, 2026 13 7

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CEBU, 6 de maio de 2026 (RAFA.TL) – O impacto regional da tensão no Médio Oriente é um dos temas dominantes da agenda da 48.ª Cimeira da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) que arranca hoje na cidade filipina de Cebu.

A cimeira da organização regional tem um programa condensado a três dias que se prolongará até sexta-feira e decorre sob o tema “Navigating Our Future, Together” (Navegando o Nosso Futuro, Juntos).

O Presidente filipino Ferdinand Marcos Jr. ordenou a compressão do programa original de cinco para três dias, com o objetivo de centrar os trabalhos nas questões mais urgentes, em particular o impacto das tensões no Médio Oriente sobre as economias da região.

O próprio Marcos classificou o encontro como uma cimeira “básica”, focada exclusivamente no abastecimento de produtos petrolíferos, na segurança alimentar e na situação dos trabalhadores migrantes.

O impacto económico da guerra dos Estados Unidos e de Israel no Irão encabeça igualmente a agenda dos líderes e funcionários do Sudeste Asiático reunidos na província central das Filipinas.

O encontro reúne mais de 3.000 participantes dos 11 estados-membros da ASEAN: Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar, Filipinas, Singapura, Tailândia, Timor-Leste e Vietname.

Um total de 11 líderes, incluindo o primeiro-ministro Kay Rala Xanana Gusmão, participam na cimeira.

O Secretário-Geral da ASEAN, Dr. Kao Kim Hourn, lidera a delegação do Secretariado e participará numa série de reuniões ministeriais prévias, incluindo a Reunião dos Ministros dos Negócios Estrangeiros (AMM), a 31.ª Reunião do Conselho da Comunidade Político-Securitária da ASEAN e a 38.ª Reunião do Conselho de Coordenação da ASEAN.

Para Timor-Leste, que aderiu formalmente à ASEAN em 26 de outubro de 2025, esta é a primeira cimeira de líderes com participação plena enquanto membro de pleno direito do bloco.

As reuniões preparatórias de altos funcionários e ministros decorrem hoje e amanhã no Dusit Thani Mactan e no Shangri-La Mactan.

A cimeira abre formalmente na sexta-feira, 8 de maio, no Mactan Expo, em Mactan Newtown, seguida de reuniões dos líderes, almoço de trabalho e sessão de retiro no Shangri-La Mactan. Marcos presidirá a uma conferência de imprensa a meio da tarde, seguida de um jantar de gala organizado pelo Presidente e pela primeira-dama Louise Araneta-Marcos.

O programa inclui ainda a Cerimónia de Abertura da 48.ª Cimeira, a Sessão Plenária, a Sessão de Retiro e a Cimeira Especial da Zona de Crescimento do Leste da ASEAN Brunei-Indonésia-Malásia-Filipinas (BIMP-EAGA).

Na quinta-feira, líderes governamentais da ASEAN e executivos europeus reúnem-se na inaugural Cimeira de Sustentabilidade ASEAN-UE, centrada na resiliência económica e no crescimento sustentável face à crise energética regional.

Mais de 200 representantes de governos, empresas, instituições de desenvolvimento e sociedade civil estão previstos para a sessão.

Além das prioridades imediatas ditadas pela crise no Médio Oriente, a diretora-geral do Conselho Nacional Organizador da ASEAN, Ma. Hellen De La Vega, sublinhou que as Filipinas pretendem aproveitar a cimeira para avançar nos dossiês de resiliência económica, paz e segurança, capacitação das populações, cooperação marítima, transformação digital e reforço do comércio e investimento intra-ASEAN.

“Estas prioridades estratégicas contribuirão para um primeiro ano bem-sucedido da Visão ASEAN 2045 sob a nossa presidência”, afirmou De La Vega.

As autoridades filipinas montaram um dos maiores dispositivos de segurança da história recente do país.

Mais de 10.000 elementos da Polícia Regional foram mobilizados, com simulacros de comboios já em curso desde a chegada das delegações no dia 5 de maio.

As Forças Armadas das Filipinas mobilizaram mais de 1.000 militares para operações de segurança ostensiva e resposta rápida, com preparativos iniciados desde o terceiro trimestre de 2025 e ativos blindados posicionados estrategicamente por toda a província de Cebu.

As autoridades impuseram ainda um veto regional ao porte de armas em toda a área de Cebu – incluindo as cidades de Cebu, Mandaue e Lapu-Lapu – com entrada em vigor às 00h01 de 4 de maio e vigência até às 23h59 de 11 de maio. Apenas militares e agentes de autoridade em serviço são excluídos da medida.

Os hospitais da região foram colocados em estado de alerta “código azul” durante todo o período da cimeira.

No total, as autoridades estimam cerca de 20.000 participantes, entre líderes, delegados e equipas de apoio, com cerca de 15 delegações estrangeiras acolhidas em Visayas Central.

Entre 800 e 1.000 jornalistas locais e internacionais estão acreditados para cobrir a cimeira, posicionando Cebu como ponto focal mediático a nível mundial durante os três dias de trabalhos.

O Centro Internacional de Media (IMC), instalado no Museu Mundial de Mactan, em Lapu-Lapu, serve de base central para os profissionais de comunicação social acreditados, dotado de postos de trabalho, internet de alta velocidade, salas de briefing e um Centro Internacional de Radiodifusão equipado com cabines de transmissão, posições para reportagem em direto e uma sala de controlo central para distribuição de sinal.

O centro dispõe ainda de clínica médica, salas de oração, área de refeições e secretariados técnicos

FIM

 

Escrito por RafaFM

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