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Grupo LDC apela a implementação efetiva de promessas climáticas

todayMaio 5, 2026 10 3

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Díli, 5 de maio de 2026 (RAFA.TL) – O Grupo dos Países Menos Desenvolvidos sobre Alterações Climáticas (LDC Group), presidido por Timor-Leste, reiterou apelos urgentes ao fecho do fosso entre as promessas climáticas e a sua efetiva implementação.

O apelo foi deixado numa nota referente à primeira Reunião Estratégica de 2026, realizada de 28 a 30 de abril, em Díli, e onde participaram coordenadores temáticos, conselheiros e especialistas técnicos dos países menos desenvolvidos.

O objetivo, segundo um comunicado, foi avaliar os resultados da COP30, realizada em Belém, no Brasil, e preparar posições comuns para as negociações climáticas da 64.ª sessão dos Órgãos Subsidiários (SB64), agendada para junho em Bona, e para a COP31, que decorrerá em Antália, na Turquia.

O Embaixador Adão Soares Barbosa, Enviado Especial e Embaixador de Timor-Leste para os Assuntos Climáticos e presidente do LDC Group desde janeiro de 2026, foi a voz central da reunião.

“O ultrapassar da temperatura aproximar-nos-ia dos limites de adaptação, aumentaria as perdas e danos e as necessidades de financiamento. Por isso, a urgência deve nortear a acção climática. No contexto de ‘passar da negociação para a implementação’, precisamos de assegurar uma acção climática ambiciosa que seja compatível com 1,5°C e reflita as necessidades de apoio financeiro adequado”, declarou, citado num comunicado da reunião divulgado hoje.

Na abertura da reunião, Barbosa sublinhou que o encontro visava produzir recomendações concretas, reforçar a coordenação para a implementação da acção climática nos países LDC e definir um conjunto unificado de prioridades para as negociações futuras.

O Grupo reiterou que, apesar de alguns progressos, o acesso ao financiamento climático continua difícil e os recursos disponíveis ficam muito aquém das necessidades dos países menos desenvolvidos.

“A necessidade de expandir o financiamento climático em formato de donativos – adequado, acessível e previsível – continua a ser fundamental para ajudar a reforçar a resiliência e implementar ações climáticas urgentes para os LDCs”, afirmou Barbosa.

O Grupo apelou à implementação urgente da nova meta de financiamento climático (NCQG), em particular através do aumento dos donativos e da simplificação do acesso, tendo em conta as circunstâncias específicas dos países menos desenvolvidos, bem como ao apoio reforçado à execução dos Planos Nacionais de Adaptação (NAPs) e às ações para responder às perdas e danos.

No âmbito da reunião, o Fundo Global para o Ambiente (GEF) anunciou novo apoio ao reforço da acção climática dos LDCs, numa iniciativa que coincide com a reprogramação positiva da próxima fase de reabastecimento do Fundo para os Países Menos Desenvolvidos (LDCF) e do Fundo Especial para as Alterações Climáticas (SCCF), prevista para arrancar a 1 de julho de 2026.

Barbosa revelou que Timor-Leste recebeu 67 milhões de dólares do LDCF e mais de 100 milhões de dólares em apoio através de mecanismos do GEF desde que ratificou a Convenção Climática, em 2006, tendo ainda assegurado 65,3 milhões de dólares do Fundo Verde para o Clima para projectos em curso e um sistema de alerta precoce no valor de 21,7 milhões de dólares para reforçar a resiliência climática nacional. “Estes investimentos demonstram que o financiamento climático está a produzir impactos concretos nas comunidades no terreno”, afirmou o embaixador.

Os delegados visitaram também o distrito de Aileu para observar o impacto do projeto Ikan Adapt, financiado pelo LDCF com 4,4 milhões de dólares, que apoia comunidades locais de aquicultura.

A representante-residente adjunta do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Timor-Leste, Adeline Carrier, descreveu a presidência timorense do LDC Group como um reflexo da crescente confiança na capacidade do país para ajudar a orientar uma visão partilhada para as nações vulneráveis ao clima, destacando quatro áreas de apoio: financiamento climático e diplomacia, transição económica verde e azul, resiliência climática e transformação digital.

Timor-Leste assumiu formalmente a presidência do LDC Group em janeiro de 2026, para o período 2026-2028, tendo recebido o cargo durante a plenária de coordenação da COP30 em Belém, a 17 de novembro de 2025.

A presidência posiciona o país na vanguarda da diplomacia climática das Nações Unidas, liderando e representando os 44 países LDC mais vulneráveis às alterações climáticas nas negociações internacionais.

A reunião concluiu com o compromisso renovado dos membros do LDC Group de falar “com uma voz forte e unida” em todas as áreas temáticas.

Barbosa reafirmou o empenho de Timor-Leste em assegurar uma coordenação eficaz dentro do Grupo e em manter as prioridades dos LDCs no centro das negociações climáticas internacionais.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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