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Japão e Austrália assinam acordos de energia e minerais críticos

todayMaio 4, 2026 14

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Díli, 4 de maio de 2026 (RAFA.tl) – A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e o seu homólogo australiano, Anthony Albanese, assinaram hoje em Camberra um conjunto de acordos de cooperação em energia, minerais críticos e defesa, numa cimeira dominada pela crise do Estreito de Hormuz.

Os acordos foram assinados em Camberra numa altura em que, segundo Takaichi, a guerra contra o Irão e o impacto no fornecimento de combustível está a infligir um “impacto enorme” na região

Recorde-se que o tráfego de navios pelo Estreito de Hormuz encontra-se largamente bloqueado pelo Irão desde 28 de fevereiro de 2026, quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos contra o país.

Em retaliação, o Irão fechou o estreito, por onde passa cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo por via marítima. Oitenta por cento desse petróleo tem como destino a Ásia, segundo a Agência Internacional de Energia.

“O encerramento efetivo do Estreito de Hormuz está a infligir um impacto enorme no Indo-Pacífico”, afirmou Takaichi perante jornalistas. “Reafirmámos que o Japão e a Austrália irão comunicar estreitamente entre si, respondendo com sentido de urgência.”

A visita oficial é a primeira de Takaichi à Austrália desde que assumiu o cargo, e coincide com os 50 anos da assinatura do Tratado de Amizade e Cooperação entre os dois países.

Em conferência de imprensa conjunta Albanese sublinhou que “a Austrália e o Japão partilham um forte alinhamento estratégico” e que “a nossa cooperação é essencial para manter uma região pacífica, estável e próspera”

A dependência japonesa da energia do Médio Oriente é estrutural e aguda.

Segundo o Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão, 95,1% das importações de petróleo bruto do país vinham do Médio Oriente em janeiro de 2026, com cerca de 73,7% transportados pelo Estreito de Hormuz.

Os analistas do Nomura Research Institute projetam que, se os preços do petróleo atingirem os 130 dólares por barril, o PIB do Japão poderá contrair 0,65 pontos percentuais num ano, enquanto a inflação poderá subir 1,14%.

Face a esta pressão, a Austrália comprometeu-se a disponibilizar até 1,3 mil milhões de dólares australianos (cerca de 937 milhões de dólares) para projetos de minerais críticos com envolvimento japonês, criando a possibilidade de fornecer ao Japão recursos como gálio, níquel, grafite, terras raras e fluorite.

O Japão pretende ainda garantir um fornecimento estável de minerais críticos, essenciais para semicondutores, baterias de veículos elétricos e sistemas de armamento, enquanto a Austrália tem promovido os seus abundantes minerais críticos como forma de reduzir o domínio da China sobre o fornecimento mundial de terras raras.

Albanese afirmou que a Austrália está “muito preocupada com as perturbações no fornecimento de combustíveis líquidos e produtos de petróleo refinado”, num reconhecimento de que a interdependência energética entre os dois países é de dupla direção: a Austrália é o maior fornecedor de gás natural liquefeito ao Japão, mas o Japão fornece por sua vez cerca de 7% do gasóleo australiano.

A ministra dos Negócios Estrangeiros australiana Penny Wong sublinhou que o gás está presente em todas as discussões entre os dois países, “porque sustenta fundamentalmente a segurança energética partilhada” da Austrália e do Japão.

“Queremos garantir que somos resilientes num momento em que vemos muita disrupção económica e global”.

Albanese, por sua vez, declarou que os acordos significam que a Austrália ficará “menos vulnerável a choques globais como os que estamos a ver agora devido ao conflito no Médio Oriente”.

A crise tem forçado os países asiáticos a reorientar as suas estratégias energéticas.

O Japão libertou volumes históricos das suas reservas estratégicas de petróleo para conter a subida dos preços, enquanto Takaichi trabalha para estabelecer contactos com o presidente iraniano e navios ligados ao Japão começaram a transitar pelo estreito.

Outros aliados dos EUA na região, como as Filipinas e a Coreia do Sul, recorreram a fornecimentos russos ou enviaram enviados especiais ao Irão para negociar a passagem segura dos seus navios.

A visita de Takaichi à Austrália insere-se numa tournée regional que incluiu o Vietname, onde a primeira-ministra japonesa instou as nações do Sudeste Asiático a reforçar as cadeias de abastecimento regionais e reafirmou o compromisso do Japão com um Indo-Pacífico “livre e aberto” – estratégia inicialmente formulada pelo seu mentor Shinzo Abe e que tem gerado tensões com a China.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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