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Díli, 30 de abril de 2026 (RAFA.TL) – O Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB) reviu em baixa as suas previsões de crescimento económico para a região da Ásia e do Pacífico, citando os efeitos mais profundos e prolongados do que o esperado do conflito no Médio Oriente.
A instituição antecipa que o crescimento regional seja este ano de 4,7% e de 4,8% no próximo ano, abaixo da previsão de 5,1% para 2026 e 2027 feita no “Asian Development Outlook” publicado há apenas 20 dias.
Segundo o presidente do ADB, Masato Kanda, trata-se de uma “uma revisão significativa para baixo” numa conjuntura que afeta diretamente economias como a de Timor-Leste, fortemente dependentes de combustíveis importados.
Segundo a nova análise do ADB, a inflação na região deverá acelerar para 5,2% este ano, face a 3,0% no ano passado, antes de recuar para 4,1% em 2027.
As novas previsões assumem que os preços do petróleo se situarão em média em cerca de 96 dólares por barril em 2026 – substancialmente acima da média pré-conflito de 69 dólares por barril em janeiro e fevereiro – antes de recuarem para cerca de 80 dólares por barril em 2027.
Masato Kanda, afirmou que a revisão reflete “evidências crescentes de que os efeitos económicos do conflito duraram mais do que o inicialmente previsto”.
“Estamos a confrontar perturbações sistémicas e duradouras nas redes globais de energia e comércio, não apenas volatilidade temporária. O ADB continuará a ser um parceiro ágil na proteção da economia da região”, refere o banco.
Sob um cenário ainda mais severo de nova escalada do conflito, em que os preços do petróleo disparam em maio de 2026 e se mantêm mais altos, o crescimento na Ásia e no Pacífico em desenvolvimento poderá abrandar para 4,2% este ano e 4,0% no próximo, enquanto a inflação poderá atingir 7,4% em 2026.
As perspetivas para o Sudeste Asiático em desenvolvimento, que inclui as Filipinas, foram revistas em baixa para 4,2% este ano e 4,1% em 2027, face a 4,7% e 4,8% anteriormente.
As estimativas de inflação foram revistas em alta para 4,5% e 3,6%, face a 3,2% e 2,8%.
Timor-Leste, incluído nas projeções do ADB para o Pacífico, enfrenta pressões similares, dado que o país importa praticamente todos os seus combustíveis e depende de cadeias de abastecimento regionais vulneráveis às perturbações do Estreito de Ormuz.
O ADB recomenda que os bancos centrais se concentrem em limitar a volatilidade excessiva dos mercados, mantendo uma vigilância atenta sobre as expectativas de inflação.
Quanto às medidas práticas, o banco sugere mandatos de temperatura para limitar o ar condicionado, cortes na iluminação não essencial, campanhas de poupança de eletricidade nas horas de ponta, e horários de trabalho escalonados ou em teletrabalho.
O incentivo ao uso de transportes públicos e dias sem carros em feriados pode também ajudar a reduzir o consumo de combustível nos transportes.
O corte do ADB surge depois de o Fundo Monetário Internacional ter reduzido as suas previsões de crescimento global para 2026 para 3,1%, igualmente por causa da guerra no Irão, tornando este um dos momentos de revisão em baixa mais coordenados e abrangentes do crescimento asiático em vários anos.
FIM
Escrito por RafaFM
ADB revê em baixa previsões de crescimento da Ásia e Pacífico devido a guerra contra o Irão
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