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Comissão sobre antissemitismo apresenta relatório intercalar com várias recomendações

todayAbril 30, 2026 12

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CAMBERRA, 30 de abril de 2026 (RAFA.TL) – A Comissão Real sobre Antissemitismo e Coesão Social da Austrália entregou hoje o seu relatório intercalar ao governo, com 14 recomendações para reforçar os mecanismos nacionais de contraterrorismo.

O relatório é o primeiro da comissão criada na sequência do massacre de Bondi Beach, o pior ataque terrorista da história australiana, que causou 15 mortos, em dezembro do ano passado.

A comissária Virginia Bell concluiu que os quadros jurídicos e regulatórios existentes na Austrália não impediram a capacidade das agências de prevenir ou responder ao ataque de Bondi, e que não são necessárias ações urgentes ou imediatas, sendo que as recomendações visam reforçar os mecanismos e capacidades nacionais de contraterrorismo.

O relatório intercalar contém ainda um número reduzido de recomendações classificadas que não podem ser divulgadas publicamente por poderem comprometer informações sensíveis de segurança nacional.

O governo australiano acolheu o relatório intercalar, aceitou todas as recomendações que dizem respeito ao Commonwealth e comprometeu-se a trabalhar com os estados e territórios para adotar uma abordagem nacional à implementação das 14 recomendações.

Recorde-se que a 4 de dezembro de 2025, um ataque terrorista inspirado no Estado Islâmico ocorreu na área de Archer Park, em Bondi Beach, em Sydney, durante uma celebração do feriado judaico do Hanukkah.

Dois atiradores – Sajid Akram e o seu filho Naveed Akram – mataram 15 pessoas, incluindo 11 homens, 3 mulheres e uma rapariga de 10 anos.

Sajid, cidadão indiano e residente permanente australiano, foi morto pela polícia; o seu filho Naveed, cidadão australiano, foi tratado de ferimentos num hospital local.

Foi o pior massacre desde o ataque de Port Arthur em 1996 e o incidente terrorista mais mortífero da história do país.

Entre as vítimas encontravam-se um rabino Chabad, um sobrevivente do Holocausto de 87 anos, uma criança de 10 anos e cidadãos franceses, eslovacos e israelitas. Vários civis tentaram confrontar os atiradores.

O governo Albanese recusou inicialmente realizar uma comissão real sobre o massacre de Bondi, tendo antes nomeado Dennis Richardson para liderar uma revisão da adequação dos serviços de informação e forças de segurança antes do ataque.

Após semanas de pressão política, Albanese cedeu e anunciou um inquérito mais alargado, liderado por Virginia Bell, ex-juíza do Supremo Tribunal, para investigar o antissemitismo e eventuais falhas nos serviços de informações do país. A revisão de Richardson foi integrada na nova comissão real.

A 29 de dezembro de 2025, familiares de onze das vítimas do ataque de Bondi apelaram ao primeiro-ministro para a criação de uma comissão real, tendo sido apoiados por líderes judaicos, advogados australianos seniores, antigos políticos trabalhistas, o Comissário de Direitos Humanos da Austrália, destacados líderes empresariais, antigos governadores-gerais, chefes de defesa e informações, e figuras do desporto.

A 9 de janeiro de 2026, a Governadora-Geral Sam Mostyn emitiu as Cartas Patentes que estabeleceram a Comissão Real sobre Antissemitismo e Coesão Social, com Virginia Bell nomeada como comissária.

O primeiro bloco de audiências públicas realiza-se em Sydney entre 4 e 15 de maio, com foco na definição de antissemitismo, nas experiências vividas pelos judeus australianos e nas métricas para avaliar a prevalência do antissemitismo em instituições e na sociedade.

O relatório final está previsto para 14 de dezembro de 2026 – a data que coincide com o primeiro aniversário do massacre de Bondi.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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