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Díli, 17 de abril de 2026 (RAFA.TL) – A segunda-comandante da PNTL afirmou hoje que o caso das notas falsas descobertas em Díli está em segredo de justiça, podendo resultar em medidas disciplinares e judiciais se vier a ser confirmado o envolvimento de membros da corporação.
“Se houver realmente casos de envolvimento de membros da PNTL, tomaremos medidas criminais e disciplinares”, declarou Natércia Eufrásia Soares Martins, questionada pelos jornalistas sobre suspeitas relativas ao alegado envolvimento de um agente da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL).
Natércia Eufrásia Soares Martins falava aos jornalistas depois de uma reunião do comando da PNTL, em que participou ainda o comandante da força, Afonso dos Santos, com o Presidente da República, José ramos-Horta, vincando que a atuação da polícia será feita “com base em prova, evidência e factos”.
Nas declarações aos jornalistas, a segunda-comandante insistiu em que o caso não será tratado com base em especulação pública, mas sim no âmbito dos mecanismos formais de investigação. “Entregamos este processo às instâncias criminais competentes” para que possam agir “de acordo com as regras e a lei em vigor no nosso país”, afirmou, sublinhando que, se um membro da PNTL tiver “efetivamente cometido um crime ou infração disciplinar”, será instaurado o respetivo processo.
Natércia Martins explicou que o comando da PNTL apresentou ao Presidente da República dados sobre situação geral da segurança no país.
Durante o encontro, explicou, foram abordados vários processos sensíveis, alguns dos quais permanecem reservados.
“Apresentámos a situação geral da segurança” e falámos também de casos “que ainda não podemos comentar”, porque se tratam de “casos sob sigilo”, referiu.
A questão do dinheiro falso ocupou um lugar central na intervenção da segunda-comandante, que a classificou como uma matéria prioritária para a segurança nacional.
“A segurança é uma prioridade para a comunidade e para a nação”, afirmou, associando a circulação de moeda falsa a desafios mais vastos, como a criminalidade organizada e a necessidade de reforçar a capacidade de resposta das autoridades.
Na mesma intervenção, sustentou que o fenómeno tem impacto direto nas comunidades e exige maior vigilância, inclusive em zonas fora dos principais centros urbanos.
A responsável admitiu que o tema gerou polémica pública e referiu que as suspeitas têm sido acompanhadas com cautela, tanto pela sensibilidade do caso como pela possibilidade de existirem implicações internas.
Segundo afirmou, os membros eventualmente suspeitos “também reclamaram os seus direitos”, mas a resposta institucional está a ser conduzida para o plano da investigação e da prova.
A mesma fonte defendeu que o caso deve ser tratado no âmbito da justiça e não no terreno da especulação mediática.
Na conferência de imprensa, a segunda-comandante procurou também associar o combate a este tipo de criminalidade à necessidade de reforçar a disciplina interna da corporação.
“O trabalho da polícia exige disciplina”, afirmou, defendendo que a PNTL precisa de membros preparados para servir a comunidade e responder a formas de criminalidade cada vez mais complexas.
Referiu ainda que a liderança da instituição está a trabalhar para melhorar a qualidade da informação transmitida ao público e para evitar que o uso inadequado das redes sociais agrave tensões ou crie novos riscos de segurança.
Nessa linha, deixou também uma mensagem mais ampla dirigida aos jovens, considerando que a preparação académica será decisiva para enfrentar os desafios futuros da polícia.
“A educação é muito importante” e “os jovens precisam de estudar mais”, afirmou, defendendo uma polícia mais qualificada para lidar com matérias como o cibercrime, os crimes em linha e outras formas de criminalidade associadas à evolução tecnológica.
Alertou, por isso, que os mais novos “não devem gastar demasiado tempo nas redes sociais”, sob pena de comprometerem a sua preparação.
A intervenção incluiu igualmente uma nota sobre renovação interna e liderança feminina na corporação.
A segunda-comandante disse que a PNTL está a preparar novos membros para substituírem efetivos que se aproximam da reforma, sustentando que os desafios futuros exigirão quadros com mais formação, maior disciplina e melhor capacidade técnica.
Nesse contexto, apresentou o seu próprio percurso como sinal de abertura para as novas gerações de mulheres que pretendam ingressar na polícia, apelando a que se preparem para assumir responsabilidades.
Sobre eventuais processos pendentes envolvendo membros da PNTL, a posição transmitida pela chefia policial foi a de que não haverá proteção institucional caso se confirmem responsabilidades.
A segunda-comandante reiterou que qualquer decisão dependerá da existência de indícios sustentados e não de mera suspeita, mas frisou que a corporação avançará sempre que houver base factual suficiente.
FIM
Escrito por RafaFM
eventual envolvimento de agentes a ser investigado PNTL diz que caso de notas falsas é matéria criminal
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