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Timor-Leste importa 23 vezes mais do que exporta segundo relatório do Banco Mundial

todayAbril 16, 2026 69 3

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Díli, 16 de abril de 2026 (RAFA.tl) – Timor-Leste importa 23 vezes mais do que o que exporta, “um desequilíbrio estrutural” depois do fim da produção petrolífera, com o défice comercial a atingir 48% do PIB não petrolífero em 2025, segundo o Banco Mundial.

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O relatório económico semestral, divulgado hoje, refere que as importações totalizaram 960 milhões de dólares e as exportações se ficaram pelos 41 milhões, com o café a representar quase 90% das receitas de exportação do país.

O relatório publicado esta quinta-feira contextualiza o desequilíbrio com o fim das exportações de petróleo após o encerramento do campo de Bayu-Undan.

Com as receitas petrolíferas a caírem de uma média de 667 milhões de dólares entre 2019 e 2023 para apenas 36 milhões em 2025, o défice externo é agora “financiado quase na totalidade através de levantamentos do Fundo Petrolífero”.

O défice da conta corrente aumentou de -10,7% do PIB em 2023 para -38,8% em 2025 e deverá atingir -47% em 2026.

A dependência do café como principal produto de exportação – que representou cerca de 24 milhões de dólares em 2025, beneficiando de preços globais elevados – expõe o país a choques climáticos e de preços.

Os restantes sectores exportadores, incluindo a indústria transformadora, têm uma contribuição “insignificante”.

As exportações de serviços, principalmente do turismo, mais do que duplicaram em relação ao ano anterior em 2025, e as remessas equivalem a cerca de 11% do PIB.

O BM reconhece estes como desenvolvimentos positivos, mas sublinha que “crescendo a partir de uma base baixa”, continuam “muito abaixo dos níveis de importação, limitando o seu impacto macroeconómico”.

Os dados de frequência do porto confirmam a ausência de um novo motor de exportação.

Os volumes de exportação mantiveram-se “persistentemente planos e muito baixos” ao longo de 2024-2025, enquanto os volumes de importação permaneceram voláteis, refletindo “atrasos no investimento público e na execução de projetos”.

O relatório nota que a atividade portuária – medida pelo número de navios e pela capacidade de carga – caiu após meados de 2024, “com apenas breves picos ligados às importações de combustível e ao aprovisionamento público, em vez de um comércio privado sustentado”.

O Investimento Direto Estrangeiro está a aumentar, mas a sua composição limita o impacto na transformação estrutural da economia.

Em 2024, os fluxos de IDE para Timor-Leste atingiram 228,6 milhões de dólares, com mais de dois terços provenientes da ASEAN e de parceiros próximos – liderados pela Austrália, China, Indonésia, Singapura e Vietname. O relatório reconhece que este crescimento reflete “o crescente interesse regional”, mas conclui que o IDE “contribui de forma limitada para o ajuste externo”.

O problema reside na composição sectorial. A maior parte dos fluxos concentra-se em sectores não comercializáveis: o comércio a grosso e a retalho e a construção civil são os dois maiores destinos, seguidos dos seguros e finanças e das comunicações. O sector manufatureiro recebeu apenas 10,8 milhões de dólares em 2024.

O relatório é direto na sua avaliação: “O IDE está a contribuir mais para o apoio à procura interna e às importações do que para o desenvolvimento da capacidade exportadora.”

Este padrão tem implicações diretas para o défice externo.

O IDE orientado para sectores não comercializáveis gera procura de importações sem criar capacidade de exportação correspondente, perpetuando o desequilíbrio estrutural. O crédito ao sector privado segue o mesmo padrão – o crescimento concentra-se na construção civil, no comércio e nos empréstimos às famílias, com contribuições modestas para a agricultura, indústria e turismo.

O relatório aponta que as oportunidades mais relevantes para diversificar as exportações residem em melhorar a qualidade do café e expandir os serviços turísticos, antes de avançar para sectores inteiramente novos.

O sector da pesca, as algas marinhas e o agroprocessamento são identificados como áreas com potencial a médio prazo, condicionadas ao cumprimento dos padrões sanitários e de qualidade exigidos pelos mercados da ASEAN.

O relatório identifica a adesão à ASEAN como uma oportunidade para mudar este padrão, atraindo IDE orientado para a exportação e para o aumento da produtividade.

Os acordos de investimento da ASEAN – em particular o Acordo Abrangente de Investimento da ASEAN (ACIA) – introduzem proteção ao investidor, tratamento justo e equitativo e salvaguardas contra a expropriação que as regras da OMC não contemplam. Mas o relatório condiciona este potencial a “reformas paralelas na facilitação do comércio, logística, normas, concorrência e capacitação”.

Os dados comparativos ilustram o que está em jogo.

O Camboja viu os fluxos de IDE aumentar de 124 milhões de dólares em 1993 para 600 milhões em 2007 e 1,4 mil milhões em 2012, após a melhoria da previsibilidade e a redução dos custos comerciais que se seguiram à adesão à ASEAN.

O Vietname manteve fluxos líquidos de IDE de 4,9% do PIB em média entre 2011 e 2019.

Para Timor-Leste chegar a resultados semelhantes, o relatório aponta como condições essenciais a regularização da posse de terra, a simplificação do licenciamento, a adoção de uma política de concorrência e a melhoria da resolução de litígios – área em que o país obteve apenas 34,2 pontos numa escala de 100 na avaliação B-READY 2025, “muito abaixo da média da ASEAN, que foi de 54,6”.

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Escrito por RafaFM

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