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Timor-Leste atinge recorde de trabalhadores na Austrália no âmbito de programa regional

todayAbril 14, 2026 45

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Díli, 14 abril 2026 (RAFA.tl) – Timor-Leste atingiu este ano o maior número de trabalhadores alguma vez registado no programa Pacific Australia Labour Mobility (PALM), com 5.245 cidadãos timorenses ativos em território australiano, de acordo com os dados oficiais.

Dados publicados pelo Departamento australiano de Emprego e Relações Laborais (DEWR) referem que Timor-Leste é agora o segundo maior fornecedor de mão-de-obra do programa, apenas atrás de Vanuatu, que conta com 6.835 trabalhadores.

Timor-Leste surge à frente do Fiji (4.950), Ilhas Salomão (4.505), Tonga (3.230) e Samoa (2.705), entre outros.

O PALM – que desde abril de 2022 fundiu o anterior Seasonal Worker Programme com o Pacific Labour Scheme – envolve atualmente 31.970 trabalhadores de dez países e 533 empregadores aprovados em toda a Austrália.

Timor-Leste representa 16,4% desse total, o peso mais elevado alguma vez registado para o país.

O programa divide-se em dois tipos de colocação: curta duração (até nove meses, principalmente trabalho agrícola sazonal) e longa duração (entre um e quatro anos, sobretudo no processamento de carne e, crescentemente, em cuidados de saúde e outros sectores).

Os dados mostram uma trajetória de subida praticamente ininterrupta desde o início do registo mensal.

Em abril de 2022, Timor-Leste tinha apenas 1.715 trabalhadores no PALM, representando 6,5% do total. Em menos de quatro anos, esse número triplicou, com um crescimento de 206% – o maior entre todos os países participantes no mesmo período.

A título de comparação, Vanuatu – que era o país dominante em 2022 com 8.600 trabalhadores – recuou 21% para 6.835. Tonga caiu 46%, de 6.035 para 3.230. Samoa desceu 34%. Fiji cresceu 204%, acompanhando Timor-Leste na tendência ascendente.

Os cinco meses com mais trabalhadores timorenses na Austrália foram todos recentes: janeiro de 2026 (5.245), novembro de 2025 (5.205), outubro de 2025 (5.170), janeiro de 2025 (4.865) e fevereiro de 2025 (4.860).

O pico de novembro de 2025 coincidiu com o momento em que o PALM totalizava 32.365 trabalhadores, o valor mais alto desde 2024.

Dos 5.245 timorenses ativos em janeiro de 2026, 3.485 estão em colocações de curta duração – essencialmente colheitas e trabalho agrícola sazonal – e 1.760 em colocações de longa duração, nomeadamente em matadouros e processamento de carne.

No PALM de curta duração, os timorenses representam 22,9% do total de todos os países – proporção bastante superior ao seu peso global de 16,4%, o que indica que Timor-Leste é particularmente forte no segmento sazonal.

No de longa duração, a proporção é de 10,5%.

Quanto ao género, a distribuição mantém-se estável ao longo do tempo: cerca de 28% de mulheres e 72% de homens.

Em janeiro de 2026, eram 1.490 mulheres e 3.755 homens.

A participação feminina, embora minoritária, cresceu em termos absolutos de 485 em abril de 2022 para 1.490 atualmente – um aumento de 207%.

Os dados mensais revelam um padrão sazonal claro. Os números descem habitualmente em dezembro e janeiro – período em que muitos trabalhadores regressam a Timor-Leste para as festas – e recuperam em seguida.

Em dezembro de 2025, o número baixou para 4.770, subindo para 5.245 em janeiro de 2026 após o regresso dos trabalhadores.

O crescimento timorense é tanto mais significativo por ocorrer num período em que o PALM, no seu conjunto, estabilizou e até recuou ligeiramente do pico de 34.830 trabalhadores registado em setembro de 2023.

Em outubro de 2025, o total do programa era de 31.885, menos 8% do que no pico.

Enquanto países como Vanuatu, Tonga e Samoa perderam trabalhadores – em parte por pressão das suas próprias autoridades, preocupadas com a fuga de mão-de-obra e os efeitos no PIB interno -, Timor-Leste, Fiji, Ilhas Salomão e Papua Nova Guiné continuaram a crescer.

Timor-Leste é o único entre os grandes participantes que não só cresceu como atingiu sucessivos máximos históricos nos últimos meses.

Para Timor-Leste, com uma população ativa jovem e um mercado de trabalho doméstico limitado, o PALM representa uma válvula de saída crucial.

Em agosto de 2025, os governos australiano e timorense lançaram o projeto PALM Scale Up, destinado a reforçar a formação de candidatos timorenses e aumentar ainda mais a participação, numa iniciativa que o embaixador adjunto australiano em Díli classificou de “pedra angular da parceria” bilateral.

O PALM conta atualmente com 533 empregadores aprovados – 422 diretos e 111 empresas de trabalho temporário -, o número mais elevado desde o início do registo.

FIM

 

 

Escrito por RafaFM

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