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todayAbril 8, 2026 16 2
Londres, 08 de abril de 2026 (RAFA.tl) – A democracia global registou uma ligeira subida em 2025 pela primeira vez em dez anos, segundo o Índice de Democracia da Economist Intelligence Unit (EIU), publicado hoje, com os Estados Unidos a registarem a maior queda entre as democracias estabelecidas.
Timor-Leste mantém-se como a segunda democracia mais bem classificada do Sudeste Asiático, atrás da Malásia, e uma das mais sólidas da CPLP, superando vizinhos com décadas de independência e populações muito maiores.
Com uma pontuação de 7,03 (46.º lugar global), supera as Filipinas (6,63, 51.º), a Indonésia (6,44, 59.º), a Tailândia (6,27, 63.º) e Singapura (6,18, 68.º). Nenhum dos países da ASEAN atingiu o estatuto de “democracia plena”.
A Birmânia (Myanmar) encontra-se na base do índice mundial com 0,96 pontos; Camboja e Vietname figuram igualmente como regimes autoritários.
A EIU destaca o papel de países como a Malásia, a Tailândia, o Gana, a Albânia e Singapura como exemplos de Estados que sustentaram a transição de regime híbrido para democracia imperfeita ao longo de quase duas décadas.
Timor-Leste partilha esta categoria e mantém-na de forma consistente – o que o relatório identifica como um indicador de resiliência institucional.
As Filipinas figuram entre os cinco maiores retrocessos globais (-0,33 pontos, queda de 11 posições para o 62.º lugar), num cenário de violência eleitoral e erosão das liberdades. A Tailândia melhorou ligeiramente após compromissos de reforma constitucional – apesar de o Tribunal Constitucional ter removido o primeiro-ministro eleito em Agosto, a sexta destituição desta natureza desde 2008.
Na CPLP, o posicionamento de Timor-Leste é igualmente notável. Portugal lidera a comunidade lusófona (23.º, 8,08 pontos, democracia plena), seguido de Cabo Verde (37.º, 7,58 pontos) e Timor-Leste (46.º, 7,03 pontos), todos na categoria de democracia imperfeita. O Brasil surge em 57.º (6,49 pontos).
O restante da comunidade lusófona apresenta um quadro muito mais sombrio: Moçambique (113.º, 3,38 pontos, regime autoritário), Angola (caiu para regime autoritário em 2025) e Guiné-Bissau – que registou a maior queda do índice em 2025 (-0,66 pontos), após o golpe militar de novembro que marcou o oitavo derrube constitucional em África em cinco anos.
A comparação entre Timor-Leste e a Guiné-Bissau – dois países da CPLP com histórias coloniais e pós-coloniais igualmente traumáticas – é elucidativa: enquanto Timor-Leste consolida instituições democráticas funcionais, a Guiné-Bissau regrediu ao autoritarismo.
O relatório coloca ambos como casos de estudo das forças que determinam se um país sustenta ou reverte a transição democrática.
Quase três quartos dos 167 países avaliados mantiveram ou melhoraram as suas pontuações – mas os Estados Unidos registaram a maior queda entre as democracias estabelecidas, descendo do 28.º para o 34.º lugar. A nota de destaque para a região:
O índice – que avalia processos eleitorais, funcionamento do governo, participação política, cultura política e liberdades cívicas numa escala de 0 a 10 – registou uma subida na média global de 5,17 para 5,19.
Modesta em números, mas historicamente significativa, esta é a primeira inversão de tendência desde que o índice atingiu mínimos históricos em 2024.
“O fim de vários anos de declínio democrático é um desenvolvimento bem-vindo e um lembrete do valor destes dados”, afirmou Constance Hunter, economista-chefe da EIU, no prefácio do relatório.
“Há, porém, uma exceção bem conhecida – os Estados Unidos, onde a democracia avança decisivamente na direção errada”, destacou.
A estabilização foi sobretudo visível nas categorias intermédias.
As “democracias imperfeitas” e os “regimes híbridos” subiram em média de 6,47 para 6,52, a um ritmo duplo da média global.
O relatório identifica melhorias na Europa Ocidental e no Canadá como motores desta recuperação – ironicamente impulsionadas, em parte, pela postura agressiva da administração Trump, que terá galvanizado as sociedades democráticas em torno de causas unificadoras como a defesa mútua e a soberania económica.
A distribuição por tipo de regime mantém-se preocupante: 26 países são democracias plenas (6,6% da população mundial), 48 são democracias imperfeitas (38,4%), 32 são regimes híbridos (15,7%) e 61 são regimes autoritários, governando 39,2% da humanidade.
Angola juntou-se em 2025 às fileiras dos regimes autoritários – a única mudança negativa nesta categoria.
Dos sete países que mudaram de classificação, cinco melhoraram: a França regressou ao estatuto de “democracia plena” e a Roménia, o Malawi, o Senegal e o Paraguai transitaram de regimes híbridos para democracias imperfeitas. Em sentido contrário, a Moldávia retrocedeu para regime híbrido.
Os países nórdicos dominam o topo, com a Noruega em primeiro lugar e a Nova Zelândia em segundo. A Dinamarca foi o maior ascendente, subindo do 7.º para o 3.º lugar após a gestão bem-sucedida do confronto com os EUA em torno da Gronelândia.
A pontuação dos Estados Unidos caiu de 7,85 para 7,65, fazendo o país recuar seis posições para o 34.º lugar. O funcionamento do governo atingiu 5,71 pontos, o nível mais baixo desde a criação do índice em 2006, face a 6,43 em 2024.
O relatório é cirúrgico nas causas. Os cortes do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) foram “implementados sem qualquer discussão ou debate público”. O indulto de cerca de 1.600 condenados pelos acontecimentos de 6 de janeiro de 2021 foi descrito como “particularmente grave”.
A introdução das forças militares na aplicação da lei interna, as “triagens ideológicas” de imigrantes e a utilização do aparelho judicial federal contra adversários políticos pesaram sobre as liberdades cívicas. O Gabinete de Responsabilidade Governamental (GAO) abriu 39 investigações a potenciais violações da lei.
Ainda assim, o relatório reconhece que os tribunais americanos “mantiveram a linha” em 2025, contendo a descida.
“Se estas tendências avançarem sem oposição, os EUA afundarão ainda mais na categoria das democracias imperfeitas”, adverte o documento – afastando, porém, a hipótese de o país ser reclassificado como regime híbrido a curto prazo.
O Canadá seguiu a trajetória oposta: subiu do 14.º para o 9.º lugar global, com um aumento de quase 0,4 pontos, impulsionado pela eleição de Mark Carney em Abril de 2025 – com a maior participação eleitoral desde 1993, de 69% – e por melhorias no funcionamento do governo e nas liberdades cívicas.
A Ásia e Australásia registaram a sua sexta queda consecutiva, de 5,31 para 5,27. O relatório descreve uma “bifurcação crescente” entre democracias plenas relativamente estáveis na Ásia Oriental e Australásia e uma deterioração acentuada no Sul e Sudeste Asiático.
Os maiores retrocessos da região concentraram-se no Sul da Ásia. O Nepal registou a maior queda individual a nível global (-0,59 pontos e 10 posições), após o governo proibir 26 plataformas digitais, as forças de segurança matarem pelo menos 19 manifestantes e o primeiro-ministro ser forçado a demitir-se por um processo mediado pelo exército.
O Paquistão atingiu a sua pontuação mais baixa de sempre (2,44, 139.º lugar). Bangladesh registou quase 38 mortes extrajudiciais em detenção estatal e 197 mortes por violência de grupo, com o registo mínimo de liberdades cívicas desde o início do índice.
FIM
Escrito por RafaFM
afunda nos Estados Unidos Democracia global regista primeira subida em 10 anos
todayMarço 24, 2026 16 2
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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