Destaques

Presidente timorense rejeita “alegações infundadas” sobre alegadas ligações de empresário a crime organizado

todayAbril 7, 2026 229 3

Fundo
share close

Díli, 07 de abril de 2026 (RAFA.tl) – O Presidente timorense defendeu hoje um empresário chinês contra o que considera serem “alegações infundadas” de supostas ligações a redes criminosas na Ásia, no âmbito de um suposto projeto em Timor-Leste e referidas num artigo publicado na imprensa internacional.

Notícias Relevantes: Jornal aponta alegadas ligações entre projeto de resort em Timor-Leste e rede de fraude no sudeste asiático

“Os artigos publicados não fornecem qualquer prova factual de que o Sr. Lin esteja ligado ao crime organizado na Ásia. Até agora, estamos a ler apenas alegações, sem provas concretas”, refere um comunicado de José Ramos-Horta divulgado hoje.

“Timor-Leste procura atrair investidores. Não podemos fazer alegações infundadas contra pessoas simplesmente porque vêm da Ásia, como se todos os países asiáticos estivessem ligados ao crime organizado. Isso é um erro grave”, sustenta.

José Ramos-Horta reagia a um artigo divulgado pelo The Guardian Australia e pelo Projecto de Jornalismo sobre Crime Organizado e Corrupção (OCCRP) que alega que a rede de blockchain AB tentou desenvolver um resort temático em Timor-Leste com a participação de três pessoas que mais tarde seriam sancionadas pelos Estados Unidos.

“O Sr. Lin não fez nada de errado em Timor-Leste. É o governo que decidirá se aceita algum investimento e, se esse investimento for bom para Timor-Leste, então o governo decidirá em conformidade”, refere o chefe de Estado.

As notícias referem que o projeto do resort foi promovido online como um dos principais ativos da AB, mas acabou por ser cancelado em novembro, segundo uma explicação posteriormente publicada pelo próprio ecossistema AB, já depois da investigação dos jornalistas ter começado.

Recorde-se que a AB chegou a promover uma parceria com a World Liberty Financial – empresa de criptomoedas codetida pela família do Presidente norte-americano Donald Trump.

A investigação revela detalhes sobre a empresa timorense criada para desenvolver o resort, a AB Digital Technology Resort Lda.

A investigação identifica dois empresários chineses como figuras centrais por detrás da arquitetura do ecossistema AB: Sui Chenggang, que se apresentou aos repórteres como iniciador da rede e beneficiário efetivo da sua estrutura financeira registada nas Ilhas Caimão, e Lin Xiaofan, empresário nascido em Guangdong, descrito como peça-chave nas ligações políticas e institucionais do projeto em Timor-Leste.

Ramos-Horta explica que Frank Lin é um empresário com investimentos em vários países, incluindo o Japão, focado principalmente em tecnologias de informação, incluindo blockchain.

“Dou-lhe as boas-vindas, tal como recebo qualquer investidor de países da Ásia e Europa”, refere o comunicado.

Segundo o Presidente, Lin visitou Timor-Leste pela primeira vez no ano passado, não tendo até ao momento concretizado quaisquer investimentos em Timor-Leste, mas tendo decidido apoiar as ações humanitárias do chefe de Estado.

“Como muitos investidores, o Sr. Lin chegou com ideias, planos e sonhos de fazer investimentos significativos em Timor-Leste, embora estes ainda não se tenham concretizado”, refere a nota.

“O Sr. Lin tomou conhecimento das minhas atividades humanitárias, que procuram apoio diário aos pobres, famílias, comunidades e estudantes. Em resposta, começou a fornecer apoio, incluindo portáteis, equipamento desportivo, vestuário e uma doação substancial para bolsas de estudo”, refere.

Citado nos artigos divulgados hoje, o Presidente timorense, José Ramos-Horta, reconheceu aos jornalistas que conhece Lin, que aceitou integrar um conselho consultivo ligado à fundação sem fins lucrativos associada à AB.

Admite igualmente que chegou a recomendar que o empresário recebesse passaporte diplomático timorense e o título de conselheiro especial para os assuntos económicos e comerciais.

A investigação alega que a AB doou 500 mil dólares a uma instituição de caridade gerida pelo Presidente, com apoio em espécie incluindo computadores e material alimentar distribuído em Timor-Leste.

“Ao longo do tempo tenho de forma consistente falado contra a ameaça do crime organizado. Em Timor-Leste o nosso povo não está envolvido em crime organizado. Porém como um país frágil continuamos vulneráveis a ameaças e infiltrações de crime internacional organizado”, refere.

O chefe de Estado recorda o “incidente recente” em Oecusse, onde o Governo “atuou de forma rápida para parar” um projeto alegadamente associado a jogo e fraude online, bem como decisões de fecho de “operações ilegais de hoje em Díli”.

“Juntamente com o governo e toda a nossa sociedade, mantemo-nos atentos aos perigos do crime organizado. Mas não posso aceitar informações que venham apenas de notícias mediáticas ou de certos indivíduos em Timor-Leste – pessoas que possam desejar o mal ao país ou tentar manchar o nome de Timor-Leste, são elas que produzem informações falsas contra aqueles que querem investir em Timor-Leste.”, afirmou.

“Devemos ser implacáveis e implacáveis contra o crime organizado. Perdi irmãos e irmãs na luta pela independência e tantos timorenses morreram para que este país fosse livre. Não quero que este país seja invadido por criminosos”, considera.

Ramos-Horta explica que continuará a receber investidores que desejem vir a Timor-Leste e a “falar com todos”, vincando que ele próprio e o Governo atuarão se houver qualquer prova de ligações a crime organizado.

“Alegações infundadas feitas sem provas contra qualquer indivíduo não serão aceites. Timor-Leste está aberto a investimentos legítimos e manteremos a vigilância”, conclui.

FIM

 

Escrito por RafaFM

Avaliação

Quem Somos

Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

Contactos
error: Content is protected !!