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DÍLI, 27 de março de 2026 (RAFA.tl) – A empresa timorense Esperança Timor Oan, Lda (ETO) lança na próxima semana a primeira pedra do novo Parque Industrial de Manatuto, com cinco unidades fabris que criarão entre centenas de postos de trabalho na construção e operação do projeto.
“É um projeto de grande envergadura e uma das iniciativas mais ambiciosas de industrialização do país. Trata-se de um investimento que vai criar emprego e reduzir a dependência de Timor-Leste em importações”, disse Nilton Gusmão, diretor executivo da ETO, à RAFA.tl.
Representando um investimento de entre 13 e 15 milhões de dólares, o projeto prevê a criação de entre 150 e 200 postos de trabalho na fase de construção, que deverá estar concluída em agosto do próximo ano.
Durante a fase de funcionamento das fábricas, estima-se a criação de 600 a 700 empregos diretos e cerca de 1.300 empregos indiretos.
“O projeto confirma o empenho da ETO no fortalecimento do setor privado, diversificação da economia e criação de postos de trabalho no país”, vincou.
O projeto, promovido pela ETO com o apoio da Autoridade Municipal de Manatuto, prevê a instalação de cinco unidades industriais, incluindo uma fábrica de produção de caixas e uma fábrica de produção de estruturas metálicas H-Beam.
No parque industrial serão ainda construídas uma fábrica de processamento de sardinha enlatada, um matadouro e indústria de processamento de carne, e uma fábrica de beneficiamento de arroz.
A cerimónia de lançamento da primeira pedra do projeto, com a presença do Primeiro-Ministro Kay Rala Xanana Gusmão, decorre na zona industrial de Beadi, Aldeia Carlilo, Suco Aiteas, Posto Administrativo de Manatuto, entre as 09h00 e as 14h00 de segunda-feira, 30 de março.
Segundo a ETO, o objetivo central do projeto é “reduzir a dependência de bens importados da Indonésia, Tailândia, Vietname e China, criando simultaneamente oportunidades de emprego direto e indireto para os timorenses e incentivando agricultores, pescadores e empresários locais a aumentar a sua produtividade e a investir no sector”.
A fábrica de sardinha enlatada é apresentada como um “contributo direto para o Programa de Merenda Escolar, dada a riqueza nutricional do peixe em Omega-3 e Vitamina B12” enquanto a fábrica de estruturas metálicas H-Beam “visa apoiar o desenvolvimento de infraestruturas e criar oportunidades de formação tecnológica para jovens”.
O matadouro, por seu lado, desenvolverá um processamento moderno “que garanta carne segura e saudável, com controlo de qualidade rigoroso”.
Já a fábrica de beneficiamento de arroz pretende fortalecer a autossuficiência alimentar e a economia rural, garantindo mercado aos agricultores e a fábrica de caixas, por sua vez, visa apoiar a indústria local e reduzir os custos de importação.
Maior grupo empresarial de capital timorense, a ETO foi fundada em 2000, no rescaldo da independência, com uma visão declarada de se tornar parceira do Estado no desenvolvimento integrado e sustentável do país.
A escolha de Manatuto como localização do parque insere-se na estratégia mais ampla de descentralização industrial e de preparação do país para a sua integração plena na ASEAN.
“Como novo membro da ASEAN, Timor-Leste tem de estar preparado para competir com os outros membros em vários sectores industriais”, segundo a apresentação do projeto.
O parque industrial de Manatuto é apresentado como a resposta concreta da ETO a esse desafio – uma aposta na diversificação produtiva e na criação de uma rede de cooperação que permita aos timorenses participar num processo de desenvolvimento integrado e sustentável.
Durante a cerimónia de lançamento da primeira pedra da obra está previsto um debate interativo
sobre o papel da indústria no desenvolvimento do país, com a participação do representante do Banco Mundial, David Freedman, do Presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Timor-Leste, Jorge Araújo Serrano, do Diretor Executivo da TradeInvest TL, Arcanjo da Silva, e dos ministros da Justiça, Sérgio Hornai, e do Comércio e Indústria, Filipus Nino Pereira.
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Escrito por RafaFM
ETO inicia construção de cinco fábricas no novo parque industrial de Manatuto
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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