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DÍLI, 27 de março de 2026 (RAFA.tl) – Traduzir a adesão de Timor-Leste à ASEAN em benefícios concretos para o desenvolvimento nacional é o objetivo geral do diálogo político de alto nível que começou na quinta-feira em Díli e termina hoje.
O encontro, promovido pelo Governo de Timor-Leste, reúne responsáveis governamentais, parceiros regionais e setor privado para debater como Timor-Leste pode “tornar mais favorável para os investimentos e atividades comerciais a implementação dos acordos económicos” da ASEAN, segundo a vice-ministra para os Assuntos da ASEAN, Milena Rangel.
“Estamos a analisar a situação atual, como podemos integrar-nos melhor na região e o que precisamos de fazer. Olhamos para os compromissos que já assumimos antes da adesão e para a forma como implementamos os acordos económicos de que já fazemos parte”, disse.
Organizado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação em parceria com o Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD) e o Secretariado da ASEAN, reúne representantes de ministérios governamentais, da Câmara do Comércio e Indústria de Timor-Leste e embaixadores residentes dos Estados-Membros da ASEAN, entre outros.
Entre os participantes contam-se o Secretário-Geral Adjunto da ASEAN para a Comunidade Económica, Satvinder Singh, o vice-presidente do Banco Asiático de Desenvolvimento para a Ásia Oriental, Sudeste Asiático e Pacífico, Scott Morris, e o Secretário de Estado do Ministério do Comércio do Camboja, Rithi Pich.
Scott Morris sublinhou a oportunidade que se abre ao país neste momento.
“Timor-Leste juntou-se à ASEAN num momento decisivo. Em toda a região, enfrentamos uma crescente incerteza geopolítica, uma maior fragmentação económica, riscos climáticos em aceleração e rápidas transformações tecnológicas”, afirmou, acrescentando que “ao trabalhar de perto com os seus vizinhos da ASEAN, Timor-Leste pode transformar estes desafios comuns em oportunidades”.
Um dos momentos centrais do encontro é a apresentação e discussão do Roteiro Nacional de Implementação da Comunidade Económica da ASEAN 2026–2030, que define as reformas e ações prioritárias para integrar o país nos quadros económicos regionais.
As discussões incidem sobre diversificação económica, expansão do comércio e investimento, desenvolvimento do capital humano, infraestruturas e crescimento do setor privado.
O programa inclui ainda sessões de aprendizagem com representantes do Camboja e do Laos -dois países que percorreram caminho semelhante na integração regional -, para partilha de boas práticas e lições aprendidas.
Hoje, no segundo dia, está previsto um diálogo dedicado ao setor privado, reunindo a Câmara do Comércio e Indústria, micro, pequenas e médias empresas, e empreendedoras mulheres e jovens, para debater as reformas necessárias a um ambiente de negócios mais dinâmico e inclusivo.
A adesão de Timor-Leste à ASEAN, com um mercado de cerca de 680 milhões de pessoas, é encarada como uma oportunidade para acelerar a transformação económica do país, onde o setor privado é pequeno e concentrado em setores de baixa produtividade.
Timor-Leste tornou-se o 11.º membro de pleno direito da organização a 26 de outubro de 2025, em Kuala Lumpur.
O encontro desta semana surge num contexto de intensa atividade diplomática e legislativa: na passada segunda-feira, o Parlamento Nacional ratificou a adesão ao Tratado de Extradição da ASEAN, destinado a reforçar a cooperação regional no combate ao crime transnacional.
A par disso, o Presidente da República empossou recentemente Elisa da Silva como nova embaixadora junto da ASEAN, destacando que o mandato terá um papel determinante na implementação dos acordos do bloco regional.
O diálogo deverá concluir com recomendações concretas de política pública e um reforço das parcerias entre o Governo, o setor privado e os parceiros de desenvolvimento.
FIM
Escrito por RafaFM
Timor-Leste debate integração na ASEAN em diálogo de dois dias em Díli
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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