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Aumento de 260 vezes em vídeos de abuso sexual infantil gerados por IA – Internet Watch

todayMarço 25, 2026 28

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DÍLI, 25 de março de 2026 (RAFA.tl) – A Internet Watch Foundation (IWF), organização britânica de referência no combate à disseminação de imagens de abuso sexual infantil online, alertou para um crescimento sem precedentes dos vídeos gerados por inteligência artificial com este tipo de conteúdo.

Segundo dados divulgados pela entidade, foram detetados 3.440 vídeos gerados por IA em 2025, face a apenas 13 em 2024, o que representa um aumento de 26.362%, ou cerca de 260 vezes mais num só ano.

A organização diz também que o material identificado está a tornar-se mais grave.

Dos vídeos gerados por IA analisados pela IWF em 2025, 65% foram classificados como Categoria A, o nível mais severo na tipologia usada no Reino Unido para este tipo de conteúdo.

A fundação considera que a melhoria rápida das ferramentas de geração de vídeo está a facilitar a produção em escala por parte de redes criminosas, mesmo sem conhecimentos técnicos avançados.

O fenómeno insere-se num agravamento mais vasto.

No total, a IWF diz ter atuado sobre 312.030 relatórios confirmados como contendo imagens de abuso sexual infantil em 2025, um aumento de 7% face aos 291.730 casos registados no ano anterior.

No seu mais recente relatório, a instituição refere ainda que identificou 8.029 imagens e vídeos realistas gerados por IA em 2025, o que representa uma subida de 14% no conteúdo criminoso gerado por inteligência artificial face ao ano precedente.

A IWF sustenta que a ameaça deixou de ser apenas teórica. No novo relatório, os analistas descrevem fóruns clandestinos onde ofensores discutem a utilização de sistemas de IA cada vez menos restritos e antecipam a chegada de agentes autónomos capazes de gerar vídeos completos a partir de simples instruções. A organização defende, por isso, que os sistemas de IA passem a incorporar princípios de “segurança desde a conceção”, para impedir que sejam abusados com este fim.

A pressão política está também a aumentar. No Reino Unido, o Governo anunciou novas medidas legais para combater material de abuso sexual infantil criado com IA.

Entre elas está a criminalização da posse, criação ou distribuição de ferramentas de IA concebidas para gerar este tipo de conteúdo, bem como de manuais que ensinem a explorá-las.

O executivo britânico apresentou ainda medidas contra sites que alojem ou promovam estas práticas e reforçou poderes de inspeção digital nas fronteiras para casos de suspeita.

Além da frente legislativa britânica, a IWF está a pedir uma resposta mais dura ao nível europeu.

A organização defende que a União Europeia avance para uma proibição abrangente de todo o conteúdo de abuso sexual infantil gerado por IA, bem como das ferramentas usadas para o produzir, no âmbito das negociações em curso sobre a diretiva europeia nesta matéria.

A fundação considera que não deve haver “lacunas” legais para conteúdos sintéticos, argumentando que o seu impacto sobre vítimas, sobreviventes e riscos de normalização é real. A dimensão pública do problema parece acompanhar a urgência regulatória.

Uma sondagem citada pela IWF indica que 82% dos adultos no Reino Unido defendem que o Governo imponha regras para garantir que os sistemas de IA sejam seguros desde a origem, enquanto 78% consideram que as empresas devem ser obrigadas a testar os seus produtos antes de os colocar no mercado.

Para a instituição, estes dados mostram que há espaço político e social para uma resposta mais firme sobre modelos “sem filtros” ou insuficientemente protegidos.

Para a organização, o fenómeno revela uma mudança mais profunda: a IA está a tornar este tipo de produção criminosa mais fácil, mais rápida, mais escalável e potencialmente mais difícil de travar, num momento em que a resposta legislativa continua fragmentada e desigual entre países.

A própria IWF sustenta que ferramentas cada vez mais sofisticadas estão a permitir que criminosos produzam material em escala, com menos conhecimento técnico e com um grau crescente de realismo.

A Europol reforçou esse diagnóstico ao afirmar, numa operação internacional recente, que estas imagens e vídeos podem hoje ser criados por pessoas com intenção criminosa “mesmo sem conhecimentos técnicos substanciais”, o que aumenta a disseminação do material e complica o trabalho de identificação de autores e vítimas.

A IA não está só a amplificar um problema já existente; está a alterar a própria economia do crime. O FBI avisou em 2024 que os avanços da IA generativa e a sua acessibilidade significam que “mesmo os utilizadores menos técnicos” conseguem gerar imagens e vídeos realistas a partir de simples comandos de texto.

FIM

Escrito por RafaFM

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