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China promete maior abertura económica e tratamento igual para empresas estrangeiras

todayMarço 22, 2026 12 2

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DÍLI, 23 de março de 2026 (RAFA.tl) – A China prometeu este domingo aprofundar a abertura da sua economia e dar às empresas estrangeiras o mesmo tratamento concedido às companhias nacionais, anunciou o chefe do Governo.

Intervindo na abertura do China Development Forum 2026, em Pequim, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang disse que a medida pretendia transmitir confiança aos investidores externos numa fase marcada por fricções comerciais com os Estados Unidos e a União Europeia.

No seu discurso, Li afirmou que Pequim irá “promover firmemente uma abertura de alto nível”, importar mais bens estrangeiros de qualidade e trabalhar com os parceiros comerciais para tornar o comércio “mais equilibrado e otimizado”.

O chefe do Governo chinês disse ainda que o objetivo é aumentar o “bolo” económico e comercial global, numa crítica implícita ao protecionismo e ao unilateralismo, que classificou como respostas ineficazes para os problemas da economia mundial.

A mensagem surge numa altura em que a segunda maior economia do mundo enfrenta pressão crescente dos seus principais parceiros comerciais, depois de ter registado um excedente comercial recorde de 1,2 biliões de dólares em 2025.

Segundo a Reuters, Pequim tenta ao mesmo tempo contrariar críticas sobre excesso de capacidade industrial, práticas comerciais consideradas desequilibradas e uma dependência excessiva de produtos chineses em sectores estratégicos.

A frente interna também pesa. O investimento direto estrangeiro na China caiu 5,7% em janeiro, em termos homólogos, depois de já ter recuado 9,5% no conjunto de 2025, sinal de que a confiança dos investidores continua frágil.

Para tentar inverter essa tendência, as autoridades chinesas alargaram em dezembro o número de sectores elegíveis para incentivos ao investimento estrangeiro, com enfoque no fabrico avançado, serviços modernos, tecnologias verdes e áreas de alta tecnologia.

Li Qiang procurou tranquilizar os grupos internacionais presentes no fórum, garantindo que a China continuará a melhorar o ambiente de negócios e a permitir que empresas de todos os países “se desenvolvam com confiança”.

Entre os participantes no encontro de Pequim estiveram dirigentes de multinacionais como Apple, Samsung Electronics, Volkswagen, Siemens, BASF, Novartis, HSBC, UBS e Standard Chartered, numa demonstração da relevância do mercado chinês apesar do actual contexto geopolítico.

A promessa de “tratamento nacional” não é totalmente nova, mas ganha agora renovado peso político.

Em março de 2024, o Ministério do Comércio chinês já tinha assegurado, no mesmo fórum, que as empresas estrangeiras seriam tratadas em pé de igualdade com as locais.

Nessa altura, porém, grupos empresariais europeus advertiram que o verdadeiro teste seria ver desaparecer, na prática, dificuldades no acesso ao mercado, à contratação pública, aos subsídios e ao diálogo com as autoridades.

Além da abertura económica, Li insistiu na ideia de que o crescimento global deve resultar de novos mercados criados pela inovação e pela abertura, e não da disputa por quotas já existentes.

A imprensa oficial chinesa apresentou o país como um “pilar de certeza” e um “porto de estabilidade” para a economia mundial, reforçando a narrativa de que Pequim quer projetar previsibilidade num ambiente internacional cada vez mais fragmentado.

FIM

Escrito por RafaFM

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