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Timor-Leste sobe no índice de liberdade mundial, Guiné-Bissau cai a pique

todayMarço 20, 2026 33

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DILI, 20 de março de 2026 (RAFA.tl) – Timor-Leste melhorou a sua pontuação no mais recente índice de liberdade mundial, subindo um ponto para 73 em 100 na avaliação da Freedom House, o que coloca o país na categoria de países “Livres”.

O resultado contrasta com a tendência global de retrocesso, segundo o relatório que concluiu que a liberdade mundial diminuiu pelo vigésimo ano consecutivo em 2025, com 54 países a registarem retrocessos nos direitos políticos e liberdades civis e apenas 35 a melhorarem.

Intitulado “Liberdade no Mundo 2026: A Sombra Crescente da Autocracia” o relatório anual divulgado hoje revela que apenas 21% da população mundial vive em países “Livres”, uma queda acentuada face aos 46% de há 20 anos.

Entre os países de língua portuguesa avaliados, Cabo Verde continua a destacar-se com 92 pontos, sendo o mais bem classificado dos lusófonos africanos, seguido de São Tomé e Príncipe com 84 pontos – ambos na categoria “Livres” e sem alterações face ao ano anterior.

Angola mantém-se nos 28 pontos, classificada como “Não Livre”, igualmente sem variação. Moçambique subiu um ponto, para 42 pontos, mantendo-se na categoria “Parcialmente Livre”.

A Guiné-Bissau protagonizou uma das quedas mais dramáticas do relatório, perdendo oito pontos para somar apenas 33 em 100, mantendo a classificação de país “Parcialmente Livre”.

A Freedom House atribui o retrocesso à instabilidade política, à interferência militar e à fragilidade institucional que caracterizaram o país em 2025.

O ponto de rutura foi o golpe de Estado perpetrado por um autodenominado Alto Comando Militar na véspera do anúncio dos resultados provisórios das eleições legislativas e presidenciais, realizadas a 23 de novembro de 2025.

O país foi, entretanto, suspenso das organizações internacionais de que é membro – a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), a União Africana e a CPLP -, que exigem o regresso à normalidade constitucional como condição para o levantamento das sanções.

A Guiné-Bissau não é caso isolado no continente africano.

Madagáscar juntou-se ao rol de países africanos sob regimes militares em outubro de 2025, quando oficiais derrubaram o Governo e o Presidente eleito, elevando para nove o número total de países africanos a sofrerem golpes de Estado desde 2019.

Também o Burkina Faso, sob regime militar desde 2022, viu as eleições adiadas por tempo indeterminado. As forças de segurança e milícias próximas da junta são acusadas, no relatório, de “massacres e deslocação forçada de civis de etnia fulani”, enquanto insurgentes islâmicos atacaram populações de outras crenças e impuseram práticas religiosas nos territórios sob o seu controlo.

A Tanzânia registou a segunda deterioração mais expressiva do ano, afundando-se ainda mais na categoria “Não Livre”. O documento cita que a “Presidente em exercício, Samia Suluhu Hassan, foi declarada vencedora de uma eleição marcada pela exclusão de candidatos da oposição, restrições à imprensa, desaparecimentos forçados de opositores políticos e violência generalizada que resultou em pelo menos mil mortes”.

O relatório, que avalia direitos políticos e liberdades civis em 195 países e 13 territórios, aponta golpes militares, violência contra manifestantes pacíficos, ameaças aos direitos civis e repressão por parte de regimes autoritários como os principais fatores desta tendência de declínio global.

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Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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