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É provável que Cuba sofra mais cortes de energia à medida que a crise energética se agrava. Imagem/special
Havana/Washington, 18 de março de 2026 (RAFA.tl) – Cuba está a atravessar um dos momentos mais críticos da sua história recente, acumulando uma crise energética devastadora, um bloqueio petrolífero quase total e ameaças abertas por parte dos Estados Unidos.
A situação agravou-se em janeiro, quando a administração Trump cortou o fornecimento de petróleo venezuelano a Cuba – o principal abastecedor da ilha – na sequência da captura militar de Nicolás Maduro. Desde então, há mais de três meses, nenhum carregamento de combustível chegou a Havana, com bloqueios tanto a entregas da Venezuela como do México.
Washington ameaçou ainda sancionar qualquer país ou empresa que abasteça Cuba, tornando o isolamento energético praticamente total. Em resposta, o Governo cubano suspendeu a venda de gasóleo, racionou a gasolina e reduziu os serviços hospitalares não essenciais.
Na segunda-feira, a rede elétrica nacional colapsou pela sexta vez em ano e meio, deixando os cerca de 11 milhões de habitantes da ilha sem eletricidade durante aproximadamente 29 horas consecutivas. As autoridades energéticas alertaram que novos apagões são inevitáveis, dado o estado de degradação das centrais termoelétricas cubanas, muitas delas com várias décadas de operação.
A crise serve de pano de fundo a uma escalada retórica sem precedentes por parte de Washington. Donald Trump afirmou acreditar que terá “a honra de tomar Cuba”, descrevendo-a como “uma nação muito debilitada”. O Secretário de Estado Marco Rubio – filho de emigrantes cubanos e defensor histórico da mudança de regime em Havana – declarou publicamente que Cuba “precisa de ter novas pessoas no poder”. O New York Times revelou, entretanto, que a administração norte-americana exige a saída de Díaz-Canel como condição de qualquer acordo negociado entre os dois países.
Em resposta direta, o Presidente cubano Miguel Díaz-Canel publicou uma declaração contundente nas redes sociais, acusando os EUA de ameaçarem Cuba “quase diariamente” com o derrube da ordem constitucional pela força, e garantindo que “qualquer agressor externo encontrará uma resistência impenetrável”.
Díaz-Canel confirmou ainda que o seu Governo mantém conversações com a Casa Branca para resolver diferenças bilaterais, descrevendo o processo como “muito sensível, conduzido com seriedade e responsabilidade”.
A ausência de luz, combustível e serviços básicos alimentou uma vaga crescente de agitação social. Esta semana registaram-se protestos em Havana e em Morón, onde os confrontos se tornaram violentos e foram efetuadas pelo menos cinco detenções.
Na quarta-feira, chegou a Havana o Nuestra América Convoy to Cuba, organizado por uma aliança de grupos progressistas europeus, incluindo partidos de esquerda, sindicatos e associações de solidariedade, com mais de 20 toneladas de alimentos, medicamentos e painéis solares. Os participantes descrevem a missão como um ato humanitário e um protesto contra o bloqueio, embora reconheçam que estão a “tratar os sintomas, não a causa”.
A crise expõe profundas divisões dentro da Europa. A esmagadora maioria dos países europeus vota regularmente nas Nações Unidas contra o embargo norte-americano, e a UE forneceu à ilha 94 milhões de euros em ajuda humanitária entre 1993 e 2020, com mais 125 milhões reservados para o período 2021–2027.
Ainda assim, o Parlamento Europeu aprovou recentemente uma emenda que apela à suspensão do Acordo de Diálogo Político e Cooperação UE-Cuba de 2016, com base na alegada deterioração dos direitos humanos. A Rússia, por seu lado, reafirmou a sua “solidariedade inabalável” com Havana e prometeu continuar a fornecer apoio material. A China, o Chile, o México, o Canadá e a Espanha enviaram ou comprometeram-se a enviar ajuda humanitária à ilha.
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Escrito por RafaFM
Ameaças de Trump e Resistência de Díaz-Canel Cuba à Beira do Colapso: Apagão de 29 Horas
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