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Irão quer jogar Mundial de 2026 no México, FIFA inclinada para recusar

todayMarço 18, 2026 20 4 5

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DÍLI, 18 de março de 2026 (RAFA.tl) – A Federação iraniana de futebol propôs à FIFA transferir os seus jogos do Grupo G do Mundial de 2026, dos Estados Unidos para o México, uma proposta que fontes da organização internacional não deverão aceitar, segundo a imprensa internacional.

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A proposta foi apresentada à FIFA dias depois do Governo iraniano anunciar que não participaria no evento, na sequência da guerra dos EUA-Israel contra o Irão.

O presidente da federação iraniana, Mehdi Taj, confirmou as conversações com a FIFA em declarações publicadas na segunda-feira na conta oficial da Embaixada do Irão no México na rede social X:

“Quando Trump afirmou explicitamente que não pode garantir a segurança da seleção nacional iraniana, certamente não viajaremos para os Estados Unidos. Estamos a negociar com a FIFA para que os jogos do Irão no Mundial se realizem no México.”

Fontes oficiais citadas pelo jornal The Guardian referem que a FIFA respondeu de forma evasiva, afirmando que “mantém contacto regular com todas as associações participantes, incluindo a RI Irão, para discutir o planeamento do Mundial FIFA 2026”.

A FIFA, disse a mesma fonte “aguarda com expectativa a participação de todas as seleções qualificadas de acordo com o calendário de jogos anunciado.”

Ainda assim outras fontes internas do organismo foram mais diretas, afirmando que a FIFA não vai aceitar a transferência dos jogos.

A 11 de março o ministro do Desporto iraniano, Ahmad Donyamali, tinha sido enfático, declarando à televisão estatal que o Irão “em circunstância alguma” participará no torneio.

“Considerando que este regime corrupto assassinou o nosso líder, em circunstância alguma podemos participar no Mundial. Os nossos filhos não estão seguros e, fundamentalmente, as condições para participar não existem”, disse Donyamali em 11 de Março.

Na origem de tudo está o início, a 28 de Fevereiro de 2026, de uma operação militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, que causou mais de 1.300 mortos – entre os quais o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, no poder desde 1989, sucedido pelo filho, Mojtaba Khamenei. O Irão respondeu com ataques de retaliação e encerrou o Estreito de Ormuz, desencadeando uma crise geopolítica e energética global.

Na sequência da guerra, o Irão esteve ausente de uma cimeira de planeamento da FIFA para os países participantes, realizada em Atlanta na semana passada, num sinal inequívoco do crescente distanciamento iraniano.

O próprio Donald Trump afirmou na semana passada que a seleção iraniana seria bem-vinda a participar, mas admitiu que talvez não fosse apropriado que jogasse nos EUA “pela própria vida e segurança dos jogadores” – declaração que o presidente da federação iraniana usou como argumento central para recusar viajar.

O Irão encontra-se integrado no Grupo G, a par da Bélgica, do Egipto e da Nova Zelândia.

Os três encontros da fase de grupos estão agendados para solo norte-americano: contra a Nova Zelândia a 16 de junho e contra a Bélgica a 21 de junho, no SoFi Stadium em Los Angeles, e finalmente a 26 de junho contra o Egito no Lumen Field em Seattle.

A eventual transferência dos jogos para o México levantaria problemas logísticos, comerciais e diplomáticos de grande complexidade. Bilhetes vendidos, calendários de transmissão televisiva globais e contratos de patrocínio foram acordados com base no calendário original. As comissões organizadoras de Los Angeles e Seattle também seriam afetadas.

A Reuters refere que o organismo dificilmente tomará uma decisão definitiva sobre o Irão antes do seu congresso em Vancouver, a 30 de Abril, um mês e meio antes do arranque do torneio.

Uma retirada formal do Irão seria inédita na era moderna do futebol – a última ocorreu em 1950, quando, surpreendentemente, vários países se retiraram por razões díspares. Seria ainda a primeira desistência após o sorteio.

O artigo 6.º do regulamento do Mundial 2026 estipula que qualquer associação que se retire até 30 dias antes do primeiro encontro fica sujeita a uma coima mínima de 250.000 francos suíços (cerca de 320.000 dólares). A FIFA pode ainda impor sanções disciplinares adicionais, incluindo a exclusão de competições futuras.

Quanto à equipa substituta, o regulamento confere à FIFA “plena discricionariedade” para substituir a associação em falta.

O Iraque seria o candidato mais provável, sendo a equipa asiática mais bem classificada sem vaga direta – embora tenha ainda de disputar um play-off inter-confederações contra a Bolívia ou o Suriname no final deste mês.

Caso o Iraque se qualifique por essa via, os Emirados Árabes Unidos surgiriam como alternativa. Qualquer país do Médio Oriente que possa vir a substituir o Irão enfrentará, no entanto, os seus próprios desafios logísticos, dado o encerramento do espaço aéreo regional.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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