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Construção de primeira Central de Energia Solar em Timor-Leste arranca ainda este ano

todayMarço 17, 2026 72

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DÍLI, 17 de março de 2026 (RAFA.tl) – A construção da primeira central de energia solar de Timor-Leste, na região de Laleia, Manatuto, deverá arrancar ainda este ano, com a aprovação de uma conta fiduciária pelo Governo e os primeiros vistos já emitidos pela Câmara de Contas.

O projeto, que representa um investimento de mais de 106 milhões de dólares, é o primeiro de energia renovável de grande escala em Timor-Leste, localizado na região de Laleia, a

cerca de 14 quilómetros a leste da cidade de Manatuto.

Inclui a construção de uma central solar fotovoltaica de 72 MW (90 MWp em capacidade de painéis) e de um sistema de armazenamento de energia em baterias (BESS) de 36 MW / 80 MWh, para garantir fornecimento estável mesmo sem sol.

Integra ainda uma subestação e linhas de transmissão a 150kV para ligação à rede nacional, numa área total de 350 hectares de terreno estatal em Laleia.

Segundo os prospetos do projeto, a eletricidade gerada será suficiente para abastecer o equivalente a cerca de 80.000 lares timorenses – aproximadamente 400.000 pessoas – e deverá gerar pelo menos 134 GWh de energia limpa por ano, evitando a emissão de 92.714 toneladas de CO2 anualmente.

O projeto está a ser desenvolvido por um consórcio de dois gigantes internacionais da energia, a francesa EDF, através da EDF Power Solutions International SAS e a japonesa Itochu, através da sua unidade I-Environmental Investments Pacific Pty Ltd.

A EDF (Électricité de France) é uma das maiores empresas de energia do mundo, com 31 GW de capacidade instalada e a ITOCHU é uma das maiores trading houses do Japão, com presença em mais de 60 países.

O Contrato de Aquisição de Energia (PPA – Power Purchase Agreement) foi assinado a 22 de Julho de 2025 – data do 5.º aniversário da EDTL —, numa cerimónia em Díli com a presença do Vice-Primeiro-Ministro Mariano Assanami Sabino e dos ministros das Finanças e das Obras Públicas.

O acordo tem a duração de 25 anos, durante os quais o consórcio será responsável pelo desenvolvimento, construção, financiamento, operação e manutenção da central.

Depois da assinatura recente dos contratos entre o consórcio e o Ministério das Finanças, o Governo aprovou este mês a abertura de uma conta fiduciária no Banco Central de Timor-Leste, para assegurar a operacionalização.

A conta, com um valor máximo de 18 milhões de dólares americanos, destina-se exclusivamente a suportar eventuais pagamentos ao abrigo da Garantia do Estado.

O valor a depositar na conta provém do total de 121,9 milhões de dólares já aprovados para transferências do Orçamento Geral do Estado para a EDTL, no âmbito do programa de Eletricidade que visa garantir o fornecimento contínuo de energia elétrica ao país.

O custo total do projeto está estimado em 106,2 milhões de dólares americanos, com um pacote de financiamento complexo que envolve algumas das maiores instituições financeiras internacionais, incluindo o IFC e a IDA, do Banco Mundial e o Asian Development Bank.

Há ainda outros mutuantes paralelos e capitais próprios dos sócios do projeto.

O ADB aprovou formalmente a sua participação a 4 de março de 2026 – o mesmo dia em que o Conselho de Ministros timorense aprovou a conta fiduciária —, constituindo uma data-chave no avanço do projeto.

Segundo informações da EDTL e dos documentos do IFC, a construção deverá ter início em 2026, com a fase de engenharia detalhada e construção prevista para durar cerca de 24 meses, estimando-se que a central entre em operação comercial em março de 2028.

A região onde a central vai ser instalada é uma das zonas com maior irradiação solar em Timor-Leste.

Atualmente, Timor-Leste depende quase exclusivamente de gasóleo importado para gerar eletricidade – um modelo que representa um enorme fardo financeiro para o Estado e para as famílias.

O país tem uma procura de pico de 100 MW, com uma capacidade instalada total de cerca de 276–300 MW, maioritariamente diesel.

A central solar de Manatuto é apenas a primeira peça de uma estratégia mais ambiciosa. A EDTL já concluiu estudos de pré-viabilidade para um projeto de energia eólica e estudos de viabilidade para a conversão de geradores de gasóleo para gás natural. A empresa também está a avaliar a construção de centrais hidroelétricas.

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Escrito por RafaFM

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