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Efeitos globais da guerra contra o Irão continuam a aumentar

todayMarço 17, 2026 35 5

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DÍLI, 17 de março de 2026 (RAFA.tl) – Os efeitos das duas primeiras semanas da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão estão a fazer-se sentir em vários pontos do globo, com um agravamento dos custos humanitários tanto nos países mais diretamente afetados como noutras zonas críticas, segundo observadores.

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No Irão, as autoridades reportam pelo menos 1.348 mortes civis e no Líbano registaram-se já 630 vítimas, segundo as autoridades nacionais, com aumentos significativos no número de populações deslocadas.

“Os riscos de mais populações deslocadas são enormes”, disse Hardin Lang, vice-presidente de programas e políticas da organização Refugees International.

Paralelamente aos crescentes impactos humanitários, o bloqueio no Estreito de Ormuz está a fazer-se sentir nos mercados globais, com o aumento de custos do petróleo e dos transportes a afetar também o preço de combustíveis como os de alimentos, agravando as dificuldades de países que já lutam com elevados custos de importação e sistemas alimentares frágeis.

Várias organizações humanitárias alertam que o aumento dos custos operacionais terá igualmente impacto na sua capacidade vincando que não conseguirão ajudar tantas pessoas com orçamentos já sobrecarregados por anos de menor financiamento por parte dos doadores.

“Isto está já a afetar as operações do PMA”, disse Jean-Martin Bauer, diretor de análise de segurança alimentar e nutrição do Programa Mundial de Alimentação (PMA), citado pelo portal Devex.

O seguro de cada contentor que atravessa a região custa agora entre 2.000 e 4.000 dólares, acrescentou, enquanto os percursos mais longos de navegação fazem subir ainda mais os custos de transporte.

Responsáveis alertam ainda para riscos em cadeia, notando que a atenção global e a capacidade diplomática. À medida que os governos se concentram no conflito do Irão, outras crises – como a do Sudão – podem deslizar para segundo plano.

Estimativas do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados indicam que desde o início do conflito, até 3,2 milhões de pessoas foram deslocadas no Irão, com tanto habitantes iranianos como refugiados de outros conflitos a serem afetados.

Recorde-se que o Irão é um dos maiores países de acolhimento de refugiados do mundo e alberga oficialmente cerca de 750.000 refugiados afegãos, com números elevados de outros que vivem no país sem documentação.

A guerra no Irão ameaça também uma fonte económica vital para as famílias afegãs: as remessas dos muitos afegãos que trabalham no Irão e enviam dinheiro para casa para sustentar os familiares.

Dados oficiais apontam a que em 2023 foram enviados cerca de 320 milhões de dólares em remessas para o Afeganistão em 2023, valor que pode ser muito mais elevado, já que muito circula através de canais informais.

Já no Líbano, os ataques israelitas forçaram cerca de 800.000 pessoas a abandonar as suas casas (um em cada sete habitantes).

Depois de meses de instabilidade e deslocamentos repetidos, muitas famílias já esgotaram os seus mecanismos de sobrevivência. Milhares ainda não tinham regressado a casa após vagas anteriores de combates com Israel quando foram novamente forçadas a fugir.

As restrições no Estreito de Ormuz estão a perturbar o fluxo de petróleo e de outras mercadorias, afetando economias em todo o mundo.

No Bangladesh, o governo impôs o racionamento de combustível e a Etiópia instou os cidadãos a poupar combustível, com o ministro das Finanças Ahmed Shide a descrever a subida dos preços como “assustadora”. Na Somália, os preços do combustível subiram de forma acentuada. Em Baidoa – uma cidade no sudoeste da Somália que acolhe mais de 600.000 deslocados – os preços subiram cerca de 75% desde o início do conflito, segundo informação da Mercy Corps.

Os países que dependem fortemente de alimentos importados – dos Estados do Golfo às economias frágeis de África e da Ásia – são particularmente expostos ao aumento dos custos de transporte e combustível.

“As famílias em muitas partes de África já gastam entre 60 e 80 por cento do seu rendimento em alimentação. Mesmo aumentos relativamente pequenos nos preços do combustível ou dos alimentos podem empurrar os agregados familiares para uma situação de crise e forçar escolhas difíceis entre alimentação, cuidados de saúde ou educação”, segundo a organização.

No Sudão, as perturbações já estão a complicar as entregas de alimentos. O PAM compra habitualmente cereais em países como a Índia e transporta-os pelo Mar Vermelho até ao Porto Sudão. Mas as companhias de navegação estão agora a evitar as rotas principais na região, forçando os navios a efetuar desvios muito mais longos em torno de África.

As perturbações no Golfo estão também a afetar o comércio mundial de fertilizantes. O Qatar, a Arábia Saudita, o Bahrain e Omã são grandes exportadores de fertilizantes como ureia, fosfato diamónico e amónia anidra, e algumas estimativas sugerem que até um terço do comércio global de fertilizantes pode ser afetado.

Tal poderá limitar a quantidade de fertilizantes que os agricultores conseguem aplicar nas próximas épocas de sementeira – com efeitos em cadeia sobre as colheitas e a produção alimentar.

Alguns países são particularmente vulneráveis a estas perturbações. Cerca de um terço das importações de fertilizantes em países como o Sri Lanka, a Tanzânia e a Somália passa pelo Golfo. A Tailândia depende desta rota para mais de um quarto das suas importações. Mas o mais preocupante é que o Sudão é o país mais dependente – com cerca de 54% das suas importações de fertilizantes a transitar pelo corredor. E o início da época de sementeira está a apenas algumas semanas.

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Escrito por RafaFM

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