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DÍLI, 16 de março de 2026 (RAFA.tl) – O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigiu no domingo que os países que dependem do petróleo do Golfo Pérsico enviem navios de guerra para reabrir o Estreito de Ormuz, bloqueado desde que os EUA e Israel iniciaram ataques contra o Irão.
A resposta dos aliados asiáticos foi, porém, marcadamente fria – de Tóquio a Seul, de Pequim a Nova Deli, os governos da região optaram pela diplomacia, pelos condicionalismos legais ou pelo silêncio calculado, em vez do compromisso militar pedido por Washington.
Hoje, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmou no parlamento que o Japão não tenciona enviar embarcações militares para escolta de navios no Médio Oriente.
“Continuamos a analisar o que o Japão pode fazer de forma independente e o que pode ser feito dentro do quadro jurídico”, declarou Takaichi, invocando a constituição pacifista japonesa que proíbe o recurso à guerra.
O Japão importa cerca de 90% do seu petróleo bruto do Médio Oriente, grande parte do qual transita pelo Estreito de Ormuz – uma dependência que torna o bloqueio particularmente oneroso para Tóquio, ainda que não suficiente para levar o país a assumir um papel militar direto.
Também a Austrália, outro aliado privilegiado dos EUA na região Indo-Pacífica, excluiu para já qualquer participação naval.
“Não vamos enviar um navio para o Estreito de Ormuz. Sabemos o quão incrivelmente importante isso é, mas não é algo que nos tenham pedido ou para o qual estejamos a contribuir”, disse a ministra dos Transportes, Catherine King, em declarações à ABC. “Temos sido muito claros quanto ao nosso contributo para os pedidos e, até ao momento, cabe aos Emirados Árabes Unidos fornecerem aeronaves para ajudar na defesa, especialmente tendo em conta o número de australianos que se encontram nessa área em particular”
No domingo a presidência sul-coreana confirmou no domingo não ter ainda recebido um pedido formal de Washington, mas adiantou que a questão seria analisada com atenção e em estreita coordenação com os aliados americanos.
“A segurança das vias marítimas internacionais e a liberdade de navegação estão em conformidade com os interesses de todos os países e são protegidas pelo direito internacional. Com base nesse princípio, esperamos que a rede global de logística marítima seja rapidamente normalizada”, declarou um responsável da presidência sul-coreana, citado pela agência Yonhap.
A Coreia do Sul importa cerca de 70% do seu petróleo bruto do Médio Oriente, e cerca de 1.000 petroleiros encontram-se atualmente retidos, incapazes de atravessar o estreito.
Analistas apontam que a opção mais realista para Seul seria alargar a missão da Unidade Cheonghae – um destacamento naval já presente nas águas do Golfo de Aden para operações antipirataria, equipado com um destroyer de 4.400 toneladas e cerca de 260 militares – para incluir o Estreito de Ormuz. Em 2020, numa situação semelhante de tensão com o Irão, Seul já havia expandido temporariamente o mandato desta unidade para proteger navios comerciais sul-coreanos naquelas águas. Contudo, analistas alertam que uma participação numa força multinacional liderada pelos EUA exigiria aprovação da Assembleia Nacional, o que está longe de ser garantido politicamente.
A China, o país mais diretamente nomeado por Trump pela sua dependência energética – “a China obtém 90% do seu petróleo do Estreito”, afirmou o presidente americano ao Financial Times —, respondeu com uma linguagem ambígua.
Liu Pengyu, porta-voz da Embaixada chinesa em Washington, declarou que “todas as partes têm a responsabilidade de garantir um fornecimento de energia estável e sem entraves” e que Pequim iria “reforçar a comunicação com as partes relevantes” para promover um desagravamento da situação.
Já a India, apresentou uma alternativa concreta ao confronto militar, tendo o Ministro dos Negócios Estrangeiros indiano, S. Jainshankar, explicado ao Financial Times que as negociações diretas de Nova Deli com Teerão já produziram resultados tangíveis: dois navios-tanque com bandeira indiana transportando gás natural liquefeito conseguiram atravessar o estreito no sábado após contactos diplomáticos.
“Estou neste momento envolvido em conversações com eles, e as minhas conversações produziram alguns resultados. Isto está em curso… Certamente, do ponto de vista da Índia, é melhor que raciocinemos, que coordenemos e que encontremos uma solução”, afirmou Jaishankar, sublinhando a preferência indiana pela negociação em detrimento da escalada militar.
O Estreito de Ormuz, por onde transita normalmente cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito mundiais, encontra-se efetivamente fechado para a maior parte do tráfego de petroleiros desde os ataques norte-americanos e israelitas ao Irão, em 28 de fevereiro. Pelo menos dez navios-tanque foram atacados ou visados desde o início do conflito.
O Brent abriu hoje acima dos 104,50 dólares por barril, com os mercados asiáticos a registar perdas generalizadas.
FIM
Escrito por RafaFM
Países rejeitam pedido de Trump para envio de navios para Estreito de Ormuz
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